sábado, setembro 27, 2014

Não-lugares

“Os não-lugares são tanto as instalações necessárias à circulação acelerada das pessoas e dos bens (vias rápidas, nós de acesso, aeroportos) como os próprios meios de transporte ou os grandes centros comerciais, ou ainda os campos de trânsito prolongado onde são arrebanhados os refugiados do planeta. Porque vivemos uma época, também sob este aspecto, paradoxal: no próprio momento em que a unidade do espaço terrestre se torna pensável e em que se reforçam as grandes redes multinacionais, aumenta de volume o clamor dos particularismos; dos que querem ficar só eles na sua terra ou dos que querem voltar a encontrar uma pátria, como se o conservadorismo de uns e o messianismo dos outros estivessem condenados a falar a mesma linguagem: a da terra e a das raízes.”

Marc Augé, Não-lugares, Introdução a uma Antropologia da Sobremodernidade, 90º, 2007

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A leitura dos Não-lugares tem sido penosa. O texto é quase intragável. De vez em quando lá aparece um trecho mais inteligível, como o que se cita acima, em que o autor define o conceito de não-lugar. Ao que parece, os não-lugares são sobretudo espaços de trânsito, espaços de circulação e os próprios meios que possibilitam essa circulação. Espaços que rapidamente consumimos e rapidamente descartamos. Espaços de fluxos, de rápida passagem. 

Mas pensando bem, a uma escala mais vasta, a própria Terra - a "nave Terra" que nos transporta - é também um não-lugar! Não está ela, e nós com ela, em trânsito?

Augé refere-se contudo, a um espaço antropológico e não a um espaço astronómico.

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