quarta-feira, setembro 30, 2009

Os pigmeus Mbuti e o saque do mundo


Raparigas, cobertas de barro, preparadas para a cerimónia de circuncisão dos rapazes.

Os Mbuti são uma tribo ancestral de caçadores recolectores em pleno século XXI. O seu habitat - as florestas da República Democrática do Congo - encontra-se cada vez mais ameaçado pela desflorestação.

Se a maior parte de nós deixou, há milhares de anos, de ser caçador-recolector, os poucos que restam nos seus secretos redutos, serão forçados a deixar de sê-lo, este século. É o resultado da transformação da floresta equatorial em capital por empresários do ramo madeireiro e por governantes corruptos.

A África continua a saque, já não por colonos e exploradores ávidos de marfim, ouro e escravos, mas pelas elites dirigentes aliadas às multinacionais, ávidas de lucro e recursos naturais.

É assim que a globalização vai alimentando, desde o século XV, o saque do mundo.

terça-feira, setembro 29, 2009

segunda-feira, setembro 28, 2009

Vitória de Pirro

Terminadas as legislativas eis que ganha o PS, como se estava à espera, contudo, foi uma vitória de Pirro. Uma vitória em perda. Uma vitória, paradoxalmente, com o amargo trago da derrota.

O PS ganhou, mas foi o único que perdeu: perdeu em relação às últimas legislativas, de forma absoluta e relativa; perdeu em número de deputados, quando, todos os outros partidos ganharam, em números absolutos e relativos.

A maioria dos eleitores portugueses absteve-se ou votou no conjunto dos partidos da oposição. Por outras palavras, a maioria do PS é relativa. É portanto errado dizer que o povo português escolheu o PS. Menos de metade dos eleitores escolheu o PS, e menos ainda se considerarmos todo o povo português.

Quem não vota consente, porque cala a sua voz democrática, e assim, quem não votou, consentiu e não deve agora vir queixar-se do resultado.

O chavão é agora o da "responsabilidade" (palavra muito repetida por Augusto Santos Silva), assim como a de "governação de geometria variável". Mas a responsabilidade está em primeiro lugar do lado do PS, que tem de criar condições, neste contexto, para a governabilidade do país, em vez de procurar, como desculpa para o novo desgoverno, a irresponsabilidade dos seus adversários políticos.

sábado, setembro 26, 2009

Ships lying off Flushing

Ships lying off Flushing, Paul Jean Clays (1869)

quinta-feira, setembro 24, 2009

Portugal: a sociedade mais desigual

Fonte: Eurostat, 2009

Ver aqui.

O Índice de Gini mede as desigualdades de rendimento. Zero significa perfeita igualdade (ou seja, toda a gente tem o mesmo rendimento) e 100 a perfeita desigualdade (ou seja, uma pessoa tem todo o rendimento e as restantes, nenhum).

Como podemos verificar pelo quadro, Portugal, em 2005, era o país mais desigual da União Europeia: a diferença de rendimento entre os mais ricos e os mais pobres era a maior. Quase o dobro do valor da Suécia!

Actualmente continuamos a ser o país socialmente mais desigual da União Europeia, mas parece que o maior problema são as idiotices dos assessores do Presidente.

É hora de abrir os olhos!

Água na Lua


Foi descoberta água na lua. Ver aqui.

Sidney ou Marte?

quarta-feira, setembro 23, 2009

O futuro do livro

Já não falta muito tempo. Em breve teremos de pagar à Google para ler um book na Internet. O futuro do livro é um monopólio e um ecrã. Adeus cheiro e toque do papel. Adeus lombadas e capas. Adeus sublinhados e notas à margem.


Contudo acaba por ser uma solução ecológica e as árvores agradecem.


Já agora vou até aqui, mais uma vez, contemplar em silêncio, O Silêncio dos Livros.

terça-feira, setembro 22, 2009

Faunas

Mais de 500 000 desempregados* e a fauna política e jornalística a querer entreter-nos com intrigas palacianas, escutas telefónicas e assessores de Presidente que não têm mais nada para fazer. Fogachos e foguetórios para nos distraírem. A realidade destes senhores, decerto, não é a nossa.


(*) - Só para ter uma ideia da grandeza do número, refira-se que em Portugal existe apenas uma cidade com mais de 500 000 habitantes: Lisboa. Nem uma cidade do Porto chegaria para conter todos os desempregados. Nem 10 Évoras!

É hora de abrir os olhos!

domingo, setembro 20, 2009

Crónica de uma derrota anunciada


Não é preciso ser muito inteligente para adivinhar a derrota de Manuela Ferreira Leite (MFL) nas próximas eleições. A senhora perde em quase todas as frentes quando comparada ao seu adversário. É que o PSD descuidou o marketing. Sabemos hoje que se vendem políticas (e políticos) como se vendem sabonetes (que o digam Berlusconi, com o seu botox, Obama e Blair, com a sua juventude e sorrisos pepsodent).
O PSD descuidou a imagem e a mensagem (e o media é a mensagem).
 
Vejamos a imagem:


  • MFL é idosa, respeitável é verdade, mas conservadora, quase reaccionária; Sócrates é mais jovem e progressista, faz jogging entre o povo (quando não é o povo - professores, enfermeiros, polícias, agricultores, etc. - a correr atrás dele).
  • MFL é mulher e Sócrates é homem (este é um argumento perverso e machista, mas sejamos realistas: quantas primeiros-ministros teve Portugal?)
  • MFL sorri menos vezes que Sócrates (este parece ter melhor dentadura e mostra-a mais vezes).

E na mensagem, atendendo também à sua forma:


  • MFL diz que é necessário travar, Sócrates diz para se avançar (é certo que pode ser para o abismo, mas não deixa de ser para avançar).
  • MFL apresenta uma mensagem negativa e imobilista (não façamos, que estamos em crise); Sócrates positiva e construtiva (avancemos que a crise há-de passar).
  • MFL põe em causa a capacidade dos portugueses para ultrapassarem desafios (como o TGV e o pagamento da dívida); Sócrates parece confiar na capacidade dos portugueses para fazerem face a tais desafios (TGV entre outros).

A mensagem de MFL incute medo (tenham medo, muito medo se eles ganharem; lança suspeições, lembra-nos as asfixias democráticas, represálias, escutas telefónicas, um Estado persecutório); Sócrates em certa medida também (os socialistas falam do tempo da “outra senhora”, da ameaça que representa MFL para o sistema de nacional de saúde e da sua ânsia privatizadora, da asfixia social, entre outros assuntos). Sócrates apresenta-se menos desconfiado (a não ser em relação às perguntas e observações da jornalista Judite de Sousa).

Os partidários de MFL, como Marcelo Rebelo de Sousa, apelam ao voto negativo - dizem que a única forma de derrotar Sócrates é votar em MFL (como se os portugueses só votassem para derrotar alguém e não votassem em propostas e em políticas). O voto em Sócrates, nesse sentido, não é um voto negativo, na medida em que não pode propor que votem no seu partido como única forma de o derrubarem.

Por tudo isto e muito mais, para mal dos nossos pecados, adivinha-se que vamos ter mais Sócrates, sem maioria absoluta (e ainda bem), mas possivelmente coligado com outros partidos, ou com acordos e cedências pós-eleitorais, mas isso já é outra questão.

Family Frost nightmare

Na mais recôndita aldeia da serra algarvia, soa a horripilante melodia, bem estridente, para o terror dos apaniguados da sesta e dos sonolentos bebés: Family Frost nigthmare. Omnipresente, persegue-nos aos confins do mundo com a sua lancinante gaita.

Às vezes gostaria de ter um bacamarte para poder disparar à passagem do sonoro realejo.

E não sou só eu que me queixo.

sábado, setembro 19, 2009

Barroso e a regulação esperta

Este homem será o futuro presidente de Portugal! Astuto, esperto, conquistou a Europa, depois de Bush, Aznar e Blair terem sucumbido. Ele vive e facilmente conquistará Portugal (se é que já não conquistou). Será presidente. É uma questão de tempo. Após Cavaco (ou Alegre), virá Barroso.

A forma como se refere à regulação (sempre com pinças), é coisa que só poderia vir de alguém do país do chico-espertismo. Smart regulation, diz ele. Pois. Porque regulação, tout court, assustaria neoliberais e lá se iam uns votinhos.

A regulação está presente no seu discurso, mas não é uma regulação qualquer. É a smart regulation.

A Luta


“A luta nunca será inglória, seja qual for o desfecho!”


António Feio, actor, doente com um cancro no pâncreas.

Força António, queremo-lo connosco. Ainda é cedo para partir!

quarta-feira, setembro 16, 2009

Aproxima-se a hora dos mares revoltos


Caspar Friedrich, Vista de um Porto, 1815-1816


Aproxima-se a hora dos mares revoltos.

A hora de trocar o navio pelo arado.
Os dias mudam, mas os gestos repetem-se.
São os trabalhos e os dias
Que duram há uma eternidade.
Outro dia voltaremos a trocar os arados pelas naus,
E assim sucessivamente,
Num ciclo interminável que se renova
Desde o princípio dos séculos.
São os trabalhos e os dias
Que duram há uma eternidade.
(Hoje o vento dançou mais uma vez,
Com as folhas no meu quintal)

quarta-feira, setembro 09, 2009

Onde é que eu já ouvi isto?

Retirado daqui.

Rato Gigante

Uma equipa de filmagem da BBC está a fazer grandes descobertas na caldeira de um vulcão perdido da Papua-Nova Guiné, num lugar onde o Homem jamais pôs os pés. Consta que nem as tribos autóctones ousavam aventurar-se naquelas terras. E pela reacção dos bichos encontrados parece que é verdade: os seres humanos são-lhes completamente estranhos. Fica o filme do rato gigante, com mais de meio metro de comprimento (julgo que já tinha sido antes descoberto nas selvas da Indonésia em 2007, como se noticia aqui). Até agora ainda não se encontrou naquela área um bichano de dimensões proporcionais, mas ao ritmo das descobertas que estão a ser feitas, tudo é possível.

Para mais informações, clique aqui.

sexta-feira, setembro 04, 2009

Franklin Delano Roosevelt (1882-1945)

Franklin Delano Roosevelt (1882-1945)

quinta-feira, setembro 03, 2009

Virtudes e limitações da crítica marxista


As políticas modernistas da Esquerda tradicional constroem-se sobre a presunção de continuidades históricas, essencialmente a persistência de relações de exploração na produção capitalista e do potencial revolucionário da classe trabalhadora. Estas condições continuam a ser, em parte no presente, iguais ao que eram no passado. Mas esta revelação ou desmistificação diz-nos pouco mais de que o capitalismo todavia existe. Ainda que a crítica marxista mantenha uma intuição relevante no momento de ajudar-nos a compreender que hoje há mais do mesmo em relação ao passado, proporciona-nos muito menos profundidade no momento de ajudar-nos a entender – e a responder de uma forma efectiva – ao que hoje há de novo e diferente.

Edward Soja (2000). Postmetrópolis - Estúdios críticos sobre las ciudades y las regiones. Traficantes de Sueños. 2008. Pág. 483.

quarta-feira, setembro 02, 2009

O “socialismo” da “governação socialista”

O que impossibilitou as reformas anunciadas e esperadas da governação socialista?
É um enigma. Não sei porque é que não funcionou. Eu tive esperança…Possivelmente tem a ver com os impasses internos, como o marxismo dizia, com «contradições internas» - eu prefiro «impasses» - da própria política de modernização, que foi feita a martelo. Imposta a martelo. Que ela tenha de ser imposta de cima, muito bem, mas então que se faça ouvindo quem está por baixo, as populações, os grupos sociais, etc., para além mesmo dos sindicatos. Vamos supor uma coisa, a sinceridade: eles queriam mesmo mudar isto e começaram a martelo porque docemente não se vai lá. Simplesmente o martelo obriga a muita coisa que provoca o seu contrário e se vira contra si. Depois há aqui outros temas a desenvolver: por exemplo, o que é o socialismo desta governação socialista? Fala-se sempre numa coisa óptima que fez o Governo, que foi assegurar a Segurança Social e fala-se unicamente nisso. O resto são migalhas que estão adiadas, que não foram feitas. Então o que há aqui de socialismo? Nada.
José Gil, LER, Entrevista de José Riço Direitinho, Setembro 2009, página 24.

terça-feira, setembro 01, 2009

A Guerra

Cruzador alemão, Schleswig-Holstein

A Segunda Guerra Mundial não começou em 1941, nem em 1940, nem sequer a 3 de Setembro de 1939. Começou às 4:45 da madrugada de 1 de Setembro de 1939. Foi nesse preciso momento que o cruzador alemão Schleswig-Holstein, numa visita amigável, atacou no porto de Danzig (Gdansk) e abriu fogo à queima-roupa sobre o forte polaco de Westerplatte. Simultaneamente, ao nascer do dia, a Wehrmacht alemã atravessou a fronteira da Polónia em vinte locais diferentes – a oeste, a norte e a sul. Foi um acto de guerra não declarado: mas, sem dúvida, um acto de guerra.

Norman Davies (2006). A Europa em Guerra, 1939 – 1945. Edições 70.

A partir de então o mundo mudou, como nunca antes tinha mudado. Jamais voltaria a ser o mesmo. Fazem hoje 70 anos. Nos próximos seis anos suceder-se-ão cerimónias de lembrança, coincidindo com os principais acontecimentos dessa guerra de má memória. Felizmente neste país limitámo-nos a ouvir ao longe o troar dos canhões. Felizmente para nós, tratou-se de uma guerra longínqua, ainda que no nosso continente e no nosso oceano.

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