domingo, abril 29, 2012

Munyinya



Gorilla beringei beringei

Munyinga é o nome do macho dominante desta família (em primeiro plano na fotografia), uma das sete famílias de gorilas da montanha que habitam o Parque dos Vulcões, no Ruanda.

Créditos fotográficos: Christophe Courteau/ Biosphoto/Biosphoto / Christophe Courteau

quarta-feira, abril 25, 2012

Foi bonita a festa, pá


“Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
Ainda guardo renitente
Um velho cravo para mim
Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Nalgum canto de jardim”
Chico Buarque, Tanto Mar
***
A Festa da Liberdade... Andam realmente por aqui a tentar murchá-la. Esqueceram-se porém das sementes, neste canto de jardim: Portugal. Ter-se-ão esquecido de alguma semente neste canto de jardim?

Viva o 25 de Abril!


Tanto Mar by Chico Buarque on Grooveshark

terça-feira, abril 24, 2012

segunda-feira, abril 16, 2012

Toledo

© AMCD

«Neste sentido Toledo é uma cidade muçulmana, a mais setentrional de todas, evocando Córdova, Sevilha, Granada e outros focos persistentes de uma civilização que, depois de quase oito séculos de domínio político, impregnou profundamente as paisagens e a vida peninsular, pelo menos na sua metade oriental, onde o Europeu capta o perfume de exotismo do Magrebe e se crê antes na África do que na Europa.»

Orlando Ribeiro, "Toledo. Ensaio de Geografia Urbana" in Opúsculos Geográficos, Vol. 5.  - Temas Urbanos. FCG. 1994. Pág. 401. 


Uma das mais belas paisagens urbanas do mundo

© AMCD

"O ladrilho tem um tom cinzento esbatido, as casas rebocadas são pintadas com uma cor semelhante. Faltam completamente as brancas fachadas, passadas a cal frequentemente, das cidades da Extremadura e da Andaluzia. Por isso se tem dito que Toledo é uma cidade sem cor, o que os visitantes de comprazem em verificar quando dão a volta ao Torno - a melhor maneira de ver o conjunto de uma das mais belas paisagens urbanas do mundo."

Orlando Ribeiro, "Toledo. Ensaio de Geografia Urbana" in Opúsculos Geográficos, Vol. 5.  - Temas Urbanos. FCG. 1994. Pág. 410. 

domingo, abril 15, 2012

O capitalismo não é sustentável


Agradecemos daqui o destaque que nos dá o blogue Maio Maduro Maio. Um blogue que gostamos de ler e no qual descobrimos excelentes referências e até afinidades de pensamento.

Uma dessas referências, por exemplo, foi a entrevista ao economista e filósofo Serge Latouche, que não conhecíamos. Latouche escreveu um pequeno livrinho intitulado, Pequeno Tratado do Decrescimento Sereno.



Dizia Serge Latouche, em 2007, quando a crise do subprime ainda estava a eclodir nas antigas cidades de Cleveland e Detroit, no outro lado do Atlântico:



«A nossa sociedade ligou o seu destino a uma organização fundada na acumulação ilimitada. Este sistema está condenado ao crescimento. Logo que o crescimento se atenua ou pára, entramos em crise e até em pânico. Deparamos com o “Acumulai! Acumulai! É a lei dos profetas!” do velho Marx. Esta necessidade faz do crescimento um “colete-de-forças”. O emprego, o pagamento de reformas e a continuidade das despesas públicas (educação, segurança, justiça, cultura, transportes, saúde, etc.) supõem o aumento constante do produto interno bruto (PIB). “O único antídoto contra o desemprego permanente é o crescimento”, martela Nicolas Baverez, “declinólogo” próximo de Sarkozy, a que se juntam nesta matéria muitos altermundialistas

Serge Latouche, Pequeno Tratado do Decrescimento Sereno. Edições 70. 2011. Pág. 29.

***

Passados cinco anos e mergulhado agora o País numa profunda crise económica e social, em grande parte importada do lado de lá do Atlântico, os que nos governam e também os que supostamente deveriam liderar a oposição, continuam reféns do mesmo discurso: o discurso do crescimento. O crescimento tudo resolverá, dizem eles. Não se aperceberam ainda da armadilha em que caíram. E assim continuamos todos à espera do crescimento, como quem espera por Godot.

Mas ainda que um dia o crescimento seja retomado, duma coisa poderemos ter a certeza, lendo Latouche: nem esse crescimento é sustentável nem “a organização fundada na acumulação ilimitada” o é. O capitalismo não é sustentável, a não ser que, para que subsista, uma minoria poderosa, condene a grossa maioria da humanidade a uma Idade das Trevas. 

sábado, abril 07, 2012

À espera dos mercados e do crescimento económico


Depois de analisar o ordoliberalismo (o neoliberalismo alemão, o mesmo, dizemos nós, que preside ainda hoje às políticas da U.E. e que está ser imposto aos Estados endividados da Zona Euro) quanto às suas políticas económicas e políticas sociais, Michel Focault conclui o seguinte:


“[Nesta doutrina neoliberal] só existe uma política social verdadeira e fundamental, que é o crescimento económico. A forma fundamental da política social não deve ser uma coisa que contrarie a política económica e que a compense; a política social não deveria ser tanto mais generosa quanto maior é o crescimento económico. O crescimento económico por si só, é que deveria fazer com que todos os indivíduos acedessem a um nível de rendimento que lhes permitisse essas seguranças individuais, o acesso à propriedade privada, a capitalização individual ou familiar, com os quais poderiam proteger-se dos riscos.” (Foucault, 2010: 188)[1]

Ou seja, no neoliberalismo, toda a política social se submete à política económica. Mais: se a política social se situa na dependência do crescimento económico, não devendo ser mais generosa quanto maior for aquele, então, em situações em que não se regista crescimento económico, em situações de recessão, como a que atravessamos, deixa de haver política social ou esta passa a ser muito residual, ou ainda, retrair-se-á. E é o que está a acontecer. Acresce a isto que a política económica, também ela se resume ao crescimento económico e este por sua vez encontra-se na dependência dos caprichos dos mercados nos quais os governos não devem, nem podem interferir, de acordo com a doutrina que defendem. Tudo se resume então ao crescimento económico, ou melhor, aos mercados[2].

Compreende-se agora por que razão se concebeu um Ministério da Economia atomizado em mil e uma secretarias, facilmente bloqueável, assim como, a razão da paralisia que o afecta. Pretende-se que não interfira muito na economia, que não atrapalhe e até que desactive anteriores intervenções (TGV, túneis, ponte sobre o Tejo, aeroporto, escolas, etc.) uma vez que, de acordo com a doutrina dos que nos governam, toda a política económica é (deve ser) ditada pelos mercados e pelas leis da concorrência e não pelos governos. Dos mercados financeiros, por sua vez, depende o crescimento económico. Em suma, como os nossos governantes acreditam que o crescimento económico está longe de depender do Governo, dispensaram a política económica. Ou dito doutra forma: a sua política económica é a ausência de uma política. Estão à espera dos mercados e do crescimento económico. Mais ou menos como a tripulação de um barco na latitude dos cavalos, aguardando desesperadamente que a brisa enfune as velas.


[1] Michel Foucault; Nascimento da Biopolítica. Edições 70. Lisboa. 2010.
[2] Para o ministro Gaspar o crescimento económico surge como a primeira prioridade, quando prioriza os objectivos da sua política, contudo, paradoxalmente, os efeitos das políticas tomadas apontam no sentido contrário, no sentido da recessão.

quinta-feira, abril 05, 2012

Gaspar no mundo dos mercados


No mundo pós-político põem-se os mercados e as suas leis da concorrência a governar em vez de políticos, bastando "contratar" técnicos, “peritos” no funcionamento dos mercados-máquina. Gasparzinhos. Bastam os mercados, com as suas leis da concorrência e os seus mecanismos, para que o mundo bem funcione, defendem eles. Então, uma “mão invisível” colocará tudo – a economia, a sociedade, as famílias, os indivíduos, etc. - nos seus eixos. Até os indivíduos deverão funcionar como se fossem empresas. Tudo, todas as decisões que tomam, deverá ser sopesado em termos de receitas e custos. Só então o mundo se tornará num lugar melhor, e garantido será o futuro.

Mas até estes “gasparzinhos” estão sujeitos aos caprichos dos mercados e estes nem sempre se comportam de acordo com os cálculos daqueles. Então, por vezes, as decisões que para os “gasparzinhos”  eram certas ou quase certas, são adiadas ou suspensas, pois os mercados nem sempre são propícios, tal como os ventos. Assim se compreende que o nosso Gaspar, coitado, tenha adiado a retoma dos subsídios dos funcionários públicos e das pensões lá para 2015. Antes, os mercados não querem, e depois, só os mercados determinarão. Não ousemos sondar os desígnios dos mercados. Ámen.

PS - E em 2015 até calha bem: é ano de eleições.

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