segunda-feira, março 29, 2010

O rolo compressor do «desenvolvimento» capitalista

As vítimas do «desenvolvimento» - o verdadeiro rolo compressor de Giddens, que esmaga tudo e todos os que encontre no seu caminho - «evitadas pelo sector avançado e cortadas dos antigos usos...são seres expatriados nos seus próprios países». Por toda a parte por onde o rolo compressor passa, o saber-fazer desaparece, para ser substituído pela escassez de competências; surge o mercado de trabalho mercadoria onde outrora os homens e mulheres viviam; a tradição torna-se um lastro pesado e um fardo dispendioso; as utilidades comuns transformam-se em recursos subaproveitados, a sabedoria em preconceito, os sábios em portadores de superstições.

E não é só que o rolo compressor não se mova apenas por sua própria iniciativa, mas com o apoio e reforço pelas turbas das suas futuras vítimas ávidas de serem esmagadas (ainda que, nalguns casos, o rolo aja por si só, sentimo-nos muitas vezes tentados a falar, mais do que de um rolo compressor, de um Moloch - essa divindade de pedra com uma pira acesa no ventre, em cujo interior as vítimas autodesignadas se precipitam com regozijo, entre cantos e danças); é, além disso, depois de começar a funcionar, empurrado pelas costas, sub-reptícia mas incessantemente, por multidões incontáveis de especialistas, de engenheiros, de empresários, de negociantes de sementes, fertilizadores e pesticidas, ferramentas e motores, de cientistas dos institutos de investigação e também de políticos, tanto indígenas como cosmopolitas, que buscam, todos eles, o prestígio e a glória. É deste modo que o rolo compressor parece imparável, ao mesmo tempo que a impressão de ser impossível pará-lo o torna ainda mais insuportável. Parece não haver maneira possível de escapar a este «desenvolvimento», «naturalizado» sob a forma de qualquer coisa que se assemelha muito a uma «lei da natureza» pela parte moderna do globo, desesperadamente em busca de novos fornecimentos do sangue virgem do qual necessita para se manter vivo e em forma. Mas o que é que este «desenvolvimento» desenvolve?

Zygmunt Bauman (1995), A Vida Fragmentada, Ensaios sobre a Moral Pós-Moderna, Relógio d’Água, pp. 41.

domingo, março 28, 2010

History

John Trumbull, Declaration of Independence, 1817

sábado, março 27, 2010

History


President Obama Signing the Bill (Health Care Reform), 2010

sábado, março 20, 2010

A Primavera

A Primavera
Giuseppe Arcimboldo, 1573

Uma chegada, sempre celebrada.

sexta-feira, março 19, 2010

“Yes we can!”


Obama vs lobbie das seguradoras.
Obama apostou tudo na reforma do sistema de saúde americano. Desde o princípio que jogou uma cartada muito alta. Quer reformar o sistema de saúde porque, como disse no Verão, “é o Presidente dos Estados Unidos da América”, mas, ser o Presidente não significa necessariamente que detenha o poder. Nas democracias modernas o poder já não reside em quem governa, ou seja, em quem é suposto representar o povo. O poder está noutro lado.
Será que o homem do “Yes we can!” pode realmente? Oxalá possa!
***
Se no domingo Obama não vencer o lobbie das seguradoras, então quem poderá vencer? O seu “Yes we can!” cairá pela base.
Para que servirá então ser o Presidente, se afinal, não pode?

quinta-feira, março 18, 2010

Privatizem tudo!

«privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu,
privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei,
privatize-se a nuvem que passa,
privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno
e de olhos abertos.
E, finalmente, para florão e remate de tanto privatizar,
privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez
a exploração deles a empresas privadas,
mediante concurso internacional.
Aí se encontra a salvação do mundo...
E, já agora, privatize-se também
a puta que os pariu a todos»


José Saramago, in Cadernos de Lanzarote – Diário III

segunda-feira, março 15, 2010

África, um lugar longe da esperança.

(MLADEN ANTONOV/AFP/Getty Images)

A África hoje, é um lugar muito longe da esperança.

Aqui, excelentemente retratada, sem o romantismo dos tempos, cada vez mais distantes, da "África minha".

Agora subsiste apenas uma ténue recordação das rubras montanhas de fogo, quando as queimadas perpétuas abrasavam as florestas na noite. Todas as noites.

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