sexta-feira, dezembro 30, 2022

Adeus, Pelé

Pelé (1940-2022)


Partiu o melhor jogador de futebol de todos os tempos e um ser humano formidável.

Campeão do mundo três vezes, a primeira das quais aos 17 anos. É obra!


Numa série televisiva sobre futebol apresentada por ele, ensinou, num dos episódios, que o guarda redes é o pilar de toda a equipa: se o pilar treme, toda a equipa treme, disse.


Esteve glorioso na Fuga para a Vitória. 


Até sempre, Rei Pelé.

terça-feira, dezembro 27, 2022

Nietchevo?!

 

Hubert Reeves em Moscovo, 1964:

 

Dia livre em Moscovo. A minha partida para Erevan (pronunciar «Iérévanne») é no dia seguinte. A multidão moscovita fascina-me. Erro muito tempo no meio dessas pessoas todas. A variedade de indumentárias e de rostos lembra-me a imensidão do território da URSS, que vai da Ucrânia ao Kamchatka, do mar de Barents ao Cáspio.

Estamos em Março. Neva com abundância, caem flocos espessos na cidade. Os passeios largos da avenida estão repletos de gente. Sigo a multidão molhada, que progride cada vez mais devagar. Durante longos minutos permanecemos parados. Estou preso num engarrafamento de peões! O que se passa?

Tento imaginar o que bloqueia a este ponto o nosso avanço. Em seguida tudo se explica: vejo subitamente três matronas que varrem vigorosamente a neve suja e molhada do passeio para a sargeta, sem a mínima consideração pelos transeuntes. Tentando não ser salpicados, eles esperam o momento propício para atravessar a correr o sítio perigoso, formando assim um engarrafamento de peões!

O que mais me desorienta é a total ausência de protestos. Em Paris ou Montréal ter-se-ia chegado a um motim. A resignação é muda. Compreendo então o sentido profundo da palavra Nietchevo tantas vezes associada à população russa: «Não faz mal».

Hubert Reeves (1)

 


 
Hubert Reeves, Já Não Terei Tempo – Memórias, Gradiva, 2010

TTTT

O povo russo ainda não realizou o seu 25 de Abril. Tal como o nosso, é um povo resignado. Falta-lhe o ímpeto. Talvez lhe falte, como nos faltava, o impulso militar de alguns capitães e o apoio de alguns generais.

 

O que mais me desorienta é a total ausência de liberdade.

 

Não há outra forma de derrubar o regime totalitário e extorsionário que os priva da paz, em todas as acepções da palavra: apenas a revolução.

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(1) Hubert Reeves, Já Não Terei Tempo – Memórias, Gradiva, 2010, pág. 191.

António Mega Ferreira

Um homem culto, sem dúvida, cosmopolita e burguês, com tempo para viajar, escrever e contemplar, depois de ter assumido altas responsabilidades e de ter cumprido com as exigências.

Da sua obra li Mais que mil imagens, Sextante Editora, 2020. Uma visita guiada à arte que Mega Ferreira apreciava. Foi uma aprendizagem. 

Partiu ontem.

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António Mega Ferreira, Mais Que Mil Imagens, Sextante Editora, 2020

segunda-feira, dezembro 19, 2022

Argentina, Campeã Mundial de Futebol, 2022

 


Uma final espectacular. Pela terceira vez vence a Argentina.

Vi pela TV todas as finais que a Argentina venceu. A dos confetes e dos guedelhudos, em 1978, o primeiro Mundial de que tenho memória;  a de 1986, com o genial Maradona e a "mão de Deus" e agora a do Messi e do Di María, este último um verdadeiro "carregador de piano" que muito deu à Argentina, começado pelo Campeonato Olímpico que venceu quando era jovem. Infelizmente foi sub-aproveitado no Benfica, pelo Quique Flores. Para o Messi, foi a cereja no topo da carreira.

Parabéns Argentina. 

sexta-feira, dezembro 16, 2022

Dias do solstício de Inverno

Nestes dias

Em que as sombras se alongam,

Chove sempre a melancolia.

Uma chuva miudinha.


Ismael busca o navio no porto.

Na urgência de partir.


Regressará na Primavera,

Quando os dias explodirem.

Então far-se-á luz.

Então far-se-á cor.

domingo, dezembro 11, 2022

Cristiano é grande

 

You'll never walk alone

Força!

As alegrias que o Cristiano nos deu superam todas as tristezas.
(Ora carreguem aí na etiqueta "Cristiano Ronaldo" e vejam)

terça-feira, dezembro 06, 2022

domingo, novembro 20, 2022

quarta-feira, novembro 16, 2022

Livros lidos: Uma Breve História da Terra


 Andrew Knoll, Uma Breve História da Terra, Desassossego, 2021

⭐⭐⭐⭐

Um bom livro. Uma excelente síntese. Quatro mil milhões de anos em oito capítulos. 

Mas lido com desconfiança a partir do momento em que chocamos, na página 43, com um erro grosseiro. Lá se diz: "O monte Evereste, com fósseis marinhos a mais de oito mil quilómetros acima do mar; ..." Sus! Oito mil quilómetros é para lá da termosfera. É já no espaço cósmico. Confundiram quilómetros com metros. Passou à revisora ou à tradutora. Nem o Monte Olimpo, o maior vulcão do sistema solar, em Marte, chega a tanto. 

Esperemos que o erro seja corrigido nas próximas edições. O livro merece.

***

«No Ocidente desenvolvido, podemos diminuir a nossa pegada ambiental fazendo escolhas sensatas relativamente a alimentação, habitação e transporte, e podemos apoiar alternativas sustentáveis para aqueles que noutras partes do mundo aspiram a melhores condições de vida.»

Andrew Knoll, op. cit., pág. 187

terça-feira, novembro 15, 2022

Noam Chomsky, sobre a guerra na Ucrânia e o estado do mundo

Consegue ver com mais clareza e lucidez, aos 93 anos, do que muitos comentadores da nossa praça.

terça-feira, novembro 08, 2022

Tendências longas e eternos retornos

 

Os povos que habitam os países frios, especialmente os da Europa, são pessoas de coração, mas têm pouca inteligência e poucos talentos. Mantêm-se melhor em liberdade, pouco civilizados, de resto, e incapazes de governar os seus vizinhos.

Os Asiáticos são mais inteligentes e mais dados às artes, mas nada corajosos, por isso mesmo quase todos sujeitos e sempre sob o poder de algum senhor.

Aristóteles 

Tratado da Política, 2ª ed., Edições Europa-América, 2000, pág. 109-110.

 

Hoje, sorrimos ao lermos estas considerações de Aristóteles, mas há tendências longas, que parecem impossíveis de contrariar no espaço de um só século, e por muita agitação que ocorra, no fim, os povos retornam sempre à linha que percorrem desde tempos imemoriais. Muitos são os povos da Ásia que voltaram a acoitar-se à sombra do “poder de algum senhor”, sujeitando-se a um imperador, déspota ou ditador. São povos incapazes de tomar o destino nas suas próprias mãos e de se revoltar. Em vez disso, fogem se a situação política se tornar adversa. Tivemos, pois, debandadas em vez de revoltas, na Rússia, quando o imperador Putin, o mafioso, decidiu mobilizar os seus concidadãos para uma guerra numa terra estranha. Em relação a muitos povos da Ásia, passados todos estes anos de experiências políticas ao longo do século XX, o que vemos? O regresso do imperador Xi, do imperador Putin, do imperador Kim, do sultão Erdogan, já não falando dos déspotas e reis que ainda ocupam o poder nos países do Médio Oriente e do Golfo Pérsico, em conformidade com uma linha que remonta à origem dos tempos.

 

No Ocidente as coisas não se passaram assim.

segunda-feira, outubro 24, 2022

Partidas

 

Adriano Moreira (1922-2022)


Sem dúvida, é um dos nossos melhores que parte. Um venerando sábio.

segunda-feira, setembro 05, 2022

A imagem dos deuses e o “princípio antrópico”

 «Homero e Hesíodo atribuíram aos deuses todas as coisas que são vergonha e desgraça entre os mortais: roubos, adultérios, enganar o próximo…Os mortais acreditam que os deuses são formados à sua imagem e semelhança e usam roupas como as deles, e voz, e forma…sim, e se os bois, os cavalos ou os leões tivessem mãos, e pudessem pintar com elas, e produzir obras de arte como os homens, os cavalos pintavam deuses com forma de cavalos, e os bois de bois e faziam-lhes os corpos segundo os da própria espécie…Os etíopes representam os seus deuses pretos e de nariz achatado; os trácios dizem que  os deuses têm olhos azuis e cabelo ruivo.»

 

Xenofonte

 

citado por Bertrand Russel, Pensamento e Comunicação, Correspondência (1950-1968), Brasília Editora, 1971, p. 181.

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Terá sido o universo a criação de um deus que o programou para que evoluísse de forma a que, a dada altura, estivessem reunidas as condições para o surgimento do Homem? (o que designam por “princípio antrópico”) Não creio.  Já uma evolução do universo programado para o surgimento de vida inteligente, ou seja, com capacidade de se questionar sobre a sua própria origem, existência e de um criador, é uma hipótese a considerar.

 

O “princípio antrópico” é uma vaidade, como atesta Xenofonte.

quarta-feira, agosto 31, 2022

Gorbachev

 

Mikhail Gorbachev (1931 – 2022)


Por alguns anos o céu aligeirou-se da ameaça de uma chuva nuclear, tudo graças a Gorbachev, homem imune ao apelo da “grandeza” – a grandeza da América, a grandeza da Rússia, a grandeza da França, a grandeza do Reino Unido, a grandeza disto e a grandeza daquilo, com que certos políticos enchem a boca para justificar determinadas opções de domínio do espaço, iludidos na vanglória de mandar. Mereceu o Prémio Nobel da Paz.

Mas o alívio que trouxe aos céus durou pouco mais de uma década. Putin encarregou-se de fazer regressar o terror nuclear, justificando-se com as linhas vermelhas que a O.T.A.N. ultrapassou na sua aproximação às fronteiras da Rússia.

Partiu Gorbachev, fica o equilíbrio do terror, agora mais periclitante.

domingo, agosto 28, 2022

Verde

 


       Praia Verde                                                                                   AMCD ©


quinta-feira, agosto 25, 2022

Assombro

 

Richard Powers, Assombro, Editorial Presença, 2022


Leitura interrompida e abandonada na página 174.

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