quarta-feira, setembro 04, 2019

A Lua na Terra: exploração lunar em Bangalore


As crateras foram tapadas um dia depois. Envergonhar ainda resulta (isso se quem decide não for um sem-vergonha).

Daqui

terça-feira, setembro 03, 2019

Immanuel Wallerstein: “Há sempre alternativas políticas.”

Morreu Immanuel Wallerstein (1930-2019), o dos sistemas-mundo, anunciam no Ladrões de Bicicletas.

Há tempos sublinhei estas palavras de Wallerstein num livro:

O capitalismo é um sistema-mundo que existe há quinhentos anos e se baseia na primazia da acumulação incessante do capital. (…)
Observa-se desde há quinze anos [desde o início dos anos 80] o ressurgimento de uma ideologia neoliberal que pretende fazer crer às pessoas que é necessário ser-se competitivo porque o mundo capitalista se tornou global. Como se se tratasse de um novo constrangimento. Como é evidente, isto é completamente ridículo: sempre foi necessário ser-se competitivo. Mas, quando se apresenta a mundialização como uma ruptura, afirma-se também que não existe outra opção possível. No fundo, trata-se de uma tese anti-política, que diz: «Nada mais podemos fazer senão submetermo-nos.» Ora, se o sistema tem uma grande força, não é verdade que não haja alternativas políticas. Há sempre alternativas políticas. (…)
Immanuel Wallerstein (1998)

Immanuel Wallerstein in Gérard Vindt, 500 Anos de Capitalismo, A Mundialização de Vasco da Gama a Bill Gates, Temas & Debates, 1999, p. 150.

Não há comunidades situadas (nem sitiadas)


Não há comunidades situadas, presas aos lugares; não existem fronteiras para o pensamento e para a cultura; não existem condições culturais que permitam a longa estabilidade temporal das permanências vernaculares. Como dizia o poeta Luís de Camões,

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto por mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Álvaro Rodrigues, Vida no Campo (2011), pág. 235

domingo, setembro 01, 2019

A cultura do “foda-se”

Top de vendas de livros não ficção, segundo o Expresso, 31 de Agosto de 2019:

A Arte Subtil de Saber Dizer que se Foda
Está tudo Fodido

(…)

E, atenção atenção, vem aí o Des Foda-se, Saia da sua Cabeça, Entre na sua Vida, promessa de vendas e receitas chorudas, a caminho de um futuro top 10.

A compra por impulso vinga.

***

Primeiros versos da canção “Norman Fucking Rockwell”, do recém lançado álbum Norman Fucking Rockwell!! da seráfica melodramática Lana Del Rey:


Goddamn, man-child
You fucked me so good that I almost said, "I love you"


Profundo!

Até o amor (o que é isso?) se rende ao fuck.


***

O escândalo morreu (já ninguém se escandaliza) e no entanto o escândalo vende. As editoras e os autores sabem-no.

Miguel Esteves Cardoso (O Amor é Fodido, Como é Linda a Puta da Vida) sabia disso muito bem; José Saramago (O Evangelho segundo Jesus Cristo) sabia disso muito bem; Salman Rushdie (Versículos Satânicos) sabia disso muito bem.

Escandalizaram muita gente, venderam muito por isso, mas não só por isso.

segunda-feira, agosto 26, 2019

No princípio era o Pictograma


Os hieróglifos, em certas circunstâncias, valem mais do que as palavras. Fazem-se entender mesmo pelos analfabetos ou pelos estrangeiros, desconhecedores da língua. Contudo, fazer-se entender não significa, necessariamente, fazer-se obedecer. Em suma: há quem desobedeça à proibição. 

Neste meio os cães e os gatos acabam por ter mais direitos do que os homens: são inocentes, não sabem ler nem escrever e nada entendem de hieróglifos.

No entanto, para que conste, não foram avistados quaisquer cães, gatos ou humanos em infracção. 

O lugar é nas imediações do Pico Ruivo.

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