Grandma loved a sailor, who sailed the frozen sea. Grandpa was that whaler and he took me on his knee. He said, "Son, I'm going crazy from livin' on the land. Got to find my shipmates and walk in foreign sands." This old man was graceful with silver in his smile. He smoked a briar pipe and he walked four country miles, Singing songs of shady sisters in old time liberty, Songs of love and songs of death and songs to set men free. I've got three ships and sixty men, A course for ports unread. I'll stand at mast, let north winds blow, till half of us are dead Land Ho! Jim Morrison (1970)
Conheci rios Conheci rios tão antigos como o mundo, mais velhos do que o sangue humano correndo nas veias humanas. A minha alma foi-se tornando funda como os rios. Banhei-me no Eufrates quando eram jovens as madrugadas. Construí a minha cabana nas margens do Congo e ele embalou-me o sono. Olhei o Nilo e acima dele ergui as pirâmides. Ouvi o canto do Mississipi quando Abraham Lincoln desceu até Nova Orleães, e vi o seu fundo lamacento ficar todo dourado ao pôr-do-sol. Conheci rios: rios escuros, rios antigos. A minha alma foi-se tornando funda como os rios.
(Langston Hughes, tradução de Ana Luísa Amaral, Antena 2)
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"The Negro Speaks of Rivers”
I’ve known rivers: I’ve known rivers ancient as the world and older than the flow of human blood in human veins. My soul has grown deep like the rivers. I bathed in the Euphrates when dawns were young. I built my hut near the Congo and it lulled me to sleep. I looked upon the Nile and raised the pyramids above it. I heard the singing of the Mississippi when Abe Lincoln went down to New Orleans, and I’ve seen its muddy bosom turn all golden in the sunset. I’ve known rivers: Ancient, dusky rivers My soul has grown deep like the rivers.
Passos tardam na relva Entre o luar e o luar, Tudo é eflúvio e selva. Sente-se alguém passar. Passa, pisando leve O chão que o luar desmente, Num pálido hausto leve De pisar levemente. É elfo, é gnomo, é fada A forma que ninguém vê? Lembro. não houve nada. Sinto, e a saudade crê.
Quando a mão cessar de agitar-se, e o lábio de tentar falar; quando terminar de organizar a minha destruição, e começar a organizar meu esquecimento; quando for coisa ou, menos ainda, a pegada de um gesto ou, menos ainda, referência de uma mancha muito zelosamente apagada; quando acabem as solúveis escórias, os destruídos torrões, a fumarada, de espalhar-se e afastar-se e ver-se sumidos num fundo saco vazio; quando nada estiver como está, como não esteve nunca; quando já ninguém entender nunca o que é nunca, e sempre simule eternidades novas; quando outros mordam o engano, ferido o palato, e creiam a pés firmes que estão e são, etcetera; e mais tarde, quando já não haja nada que crer ou ninguém que creia; quando não haja ninguém; quando todas as récitas acabem, se dispam os actores de máscara e de pele, e o público se retire e vá dormir, se apaguem as luzes, e os ratos busquem nas plateias algum pedaço de chicle húmido; quando morrerem também os ratos e os gulosos vermes dos ratos e os pequenos animais (ou plantas) que devoram os vermes dos ratos; quando abatam seu estriado prestígio os fustes; quando o brilho se ensombre, e a sombra se esfume; quando tudo se suma num longo silêncio, e não haja um só sinal para decifrar, TEREI VIVIDO.