terça-feira, maio 11, 2010

O neofeudalismo pós-industrial

Bruegel (1555) - Landscape with the Fall of Icarus

Na Idade Média, quando a sociedade era de produtores, vigorava um sistema social baseado na exploração da terra. Haviam aqueles que protegiam e exploravam os semi-servos que se refugiavam dentro das muralhas do castelo, sempre que o inimigo espreitava aquelas terras. O senhor feudal era o dono da terra e o senhor da guerra. Os semi-servos podiam cultivar a terra mediante o pagamento de um tributo, muitas vezes em géneros, uma grossa fatia da sua produção. Era um sistema fechado (num feudo) e estático, sem ascensão social: o filho do nobre, nobre seria e o do semi-servo tinha também o destino traçado. Eram poucos os homens livres – livres do pagamento do tributo e do jugo do senhor feudal.

Com a ascensão da burguesia e a difusão do capitalismo, o feudalismo morreu.

Hoje contudo ele surge, qual Fénix renascida, com novas roupagens. A sociedade já não é rural, é pós-industrial. Já não é uma sociedade de produtores, mas sim de consumidores. Se no passado o semi-servo pagava ao senhor feudal com parte da sua produção, hoje, como paga o consumidor aos novos senhores feudais?

O senhor feudal na Idade Média era o detentor da terra. O senhor feudal da Era Pós-moderna é o detentor do dinheiro.

No passado o semi-servo estava dependente da terra do senhor feudal. Hoje, o consumidor e o investidor estão dependentes do crédito que o banco, com usura, concede. O banqueiro é o novo senhor feudal e o juro é o tributo que lhe é pago, sempre que a prestação vence.

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