sábado, maio 05, 2012

Surpreendidos com a surpresa de Gaspar

Dito aqui.
Estamos surpreendidos com a surpresa de Gaspar. Então não sabia ele que o desemprego iria disparar? Ó Gaspar, em que planeta estás tu, que não sabes o que fazes? Então, mas por que carga de água iria o desemprego reduzir-se? Estás a mangar como sempre não é verdade? Afinal a criação de uma reserva de mão-de-obra desocupada só tinha um intuito e tu sabia-lo bem: de acordo com essas regras da economia que segues religiosamente, calculavas que a um aumento da oferta de trabalho, que o seu valor se reduziria mais ainda e que tal iria tornar a nossa economia mais competitiva. Contudo, parece que cometeste um erro de cálculo crasso e, segundo dizes, inesperado: ao aumento da oferta de trabalho não correspondeu um aumento da procura por trabalho. É que a economia e as empresas definham por causa das dívidas, do garrote fiscal, da dificuldade de acesso ao crédito, da redução do consumo interno, da austeridade e por aí fora… Mas não sabias já tu isso? Ou tomas-nos por parvos?

"Bagão Félix diz que o país está melhor, mas os portugueses em pior situação que há um ano"

Dito aqui.

Alguém lembre a este senhor que Portugal são os portugueses e que se todos nos mudássemos daqui de vez, que Portugal iria connosco e que deixaria de existir para todo o sempre, neste pedaço de terra à beira mar plantado.

Acerca do Pingo Doce, Heraclito, uma vez mais...


Os melhores escolhem um só bem em troca de todos os outros, a glória eterna em troca das coisas mortais. A multidão sacia-se como as manadas.”
Heraclito
in Simone Weil, A Fonte Grega, Cotovia. 2006. Pág. 145

Uma vez mais, esta citação de Heraclito, agora a propósito das hordas invasoras de supermercados.

domingo, abril 29, 2012

Munyinya



Gorilla beringei beringei

Munyinga é o nome do macho dominante desta família (em primeiro plano na fotografia), uma das sete famílias de gorilas da montanha que habitam o Parque dos Vulcões, no Ruanda.

Créditos fotográficos: Christophe Courteau/ Biosphoto/Biosphoto / Christophe Courteau

quarta-feira, abril 25, 2012

Foi bonita a festa, pá


“Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
Ainda guardo renitente
Um velho cravo para mim
Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Nalgum canto de jardim”
Chico Buarque, Tanto Mar
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A Festa da Liberdade... Andam realmente por aqui a tentar murchá-la. Esqueceram-se porém das sementes, neste canto de jardim: Portugal. Ter-se-ão esquecido de alguma semente neste canto de jardim?

Viva o 25 de Abril!


Tanto Mar by Chico Buarque on Grooveshark

terça-feira, abril 24, 2012

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segunda-feira, abril 16, 2012

Toledo

© AMCD

«Neste sentido Toledo é uma cidade muçulmana, a mais setentrional de todas, evocando Córdova, Sevilha, Granada e outros focos persistentes de uma civilização que, depois de quase oito séculos de domínio político, impregnou profundamente as paisagens e a vida peninsular, pelo menos na sua metade oriental, onde o Europeu capta o perfume de exotismo do Magrebe e se crê antes na África do que na Europa.»

Orlando Ribeiro, "Toledo. Ensaio de Geografia Urbana" in Opúsculos Geográficos, Vol. 5.  - Temas Urbanos. FCG. 1994. Pág. 401. 


Uma das mais belas paisagens urbanas do mundo

© AMCD

"O ladrilho tem um tom cinzento esbatido, as casas rebocadas são pintadas com uma cor semelhante. Faltam completamente as brancas fachadas, passadas a cal frequentemente, das cidades da Extremadura e da Andaluzia. Por isso se tem dito que Toledo é uma cidade sem cor, o que os visitantes de comprazem em verificar quando dão a volta ao Torno - a melhor maneira de ver o conjunto de uma das mais belas paisagens urbanas do mundo."

Orlando Ribeiro, "Toledo. Ensaio de Geografia Urbana" in Opúsculos Geográficos, Vol. 5.  - Temas Urbanos. FCG. 1994. Pág. 410. 

domingo, abril 15, 2012

O capitalismo não é sustentável


Agradecemos daqui o destaque que nos dá o blogue Maio Maduro Maio. Um blogue que gostamos de ler e no qual descobrimos excelentes referências e até afinidades de pensamento.

Uma dessas referências, por exemplo, foi a entrevista ao economista e filósofo Serge Latouche, que não conhecíamos. Latouche escreveu um pequeno livrinho intitulado, Pequeno Tratado do Decrescimento Sereno.



Dizia Serge Latouche, em 2007, quando a crise do subprime ainda estava a eclodir nas antigas cidades de Cleveland e Detroit, no outro lado do Atlântico:



«A nossa sociedade ligou o seu destino a uma organização fundada na acumulação ilimitada. Este sistema está condenado ao crescimento. Logo que o crescimento se atenua ou pára, entramos em crise e até em pânico. Deparamos com o “Acumulai! Acumulai! É a lei dos profetas!” do velho Marx. Esta necessidade faz do crescimento um “colete-de-forças”. O emprego, o pagamento de reformas e a continuidade das despesas públicas (educação, segurança, justiça, cultura, transportes, saúde, etc.) supõem o aumento constante do produto interno bruto (PIB). “O único antídoto contra o desemprego permanente é o crescimento”, martela Nicolas Baverez, “declinólogo” próximo de Sarkozy, a que se juntam nesta matéria muitos altermundialistas

Serge Latouche, Pequeno Tratado do Decrescimento Sereno. Edições 70. 2011. Pág. 29.

***

Passados cinco anos e mergulhado agora o País numa profunda crise económica e social, em grande parte importada do lado de lá do Atlântico, os que nos governam e também os que supostamente deveriam liderar a oposição, continuam reféns do mesmo discurso: o discurso do crescimento. O crescimento tudo resolverá, dizem eles. Não se aperceberam ainda da armadilha em que caíram. E assim continuamos todos à espera do crescimento, como quem espera por Godot.

Mas ainda que um dia o crescimento seja retomado, duma coisa poderemos ter a certeza, lendo Latouche: nem esse crescimento é sustentável nem “a organização fundada na acumulação ilimitada” o é. O capitalismo não é sustentável, a não ser que, para que subsista, uma minoria poderosa, condene a grossa maioria da humanidade a uma Idade das Trevas. 

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