sábado, dezembro 31, 2016

O Mediterrâneo, no Porto

Nestes dias caminhei pelo Porto. Não subi à Torre dos Clérigos, não entrei no Majestic, nem na livraria Lello & Irmão. Infelizmente as multidões bloqueavam as entradas. Limitei-me a flanar pela cidade, pela Ribeira e pela Foz. Contemplei o Douro e o Atlântico, mas a maior descoberta foi o Mediterrâneo. Tropecei na obra por acaso, na livraria Bertrand, quando folheava as Odes de Horácio, um livro caríssimo que me é caro, e que merece ser caro, na secção de poesia. O meu olhar desviou-se para outros livros de poesia mais baratos que lá estavam empilhados. Um livro prendeu-me a atenção: ostentava na capa o desenho de uma oliveira. Após vários regressos à livraria, e ao Mediterrâneo, de João Luís Barreto Guimarães, lá adquiri o livro desse poeta nascido no Porto. É que sempre que abria o Mediterrâneo o Mediterrâneo encontrava, em todo o seu esplendor, em todo o seu perfume, em toda a sua história e em toda a sua dor. O Mediterrâneo estava ali.

Valeu a pena vir ao Porto encontrar o Mediterrâneo.

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(Curiosamente no dia em que adquiri o livro, e desconhecendo ainda na íntegra os seus poemas, um empregado de mesa questionou-me num restaurante: «Pode ser Pepsi?», o título de um dos poemas que li com muito agrado entre os muitos outros poemas que povoam o livro com aromas e sons do Mediterrâneo: um Mediterrâneo quente em pleno Inverno, e logo aqui no Porto.) 

(E que agradável surpresa o “Êxtase de Santa Teresa”).

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