“As forças armadas iranianas treinam regularmente a «abordagem» a embarcações de grande porte, com dúzias de barcos de ataque rápido, alguns deles armados com mísseis antinavios. No caso de um conflito em larga escala, o Irão também poderia recorrer a esquadrões suicidas como fez na guerra Irão-Iraque. As forças navais convencionais, incluindo uma mão-cheia de submarinos, provavelmente seriam rapidamente detetadas e facilmente desativadas, mas um misto de mísseis antinavio, operações de forças especiais contra petroleiros, e táticas de abordagem, poderia bastar para, a um tempo, fechar temporariamente o estreito e debilitar um inimigo a ponto de este bater em retirada. Do mesmo modo, causaria imenso transtorno nos carregamentos de petróleo e de gás oriundos do Iraque, Koweit, Arábia Saudita e EAU, provocando uma crise colossal nos preços da energia e, potencialmente, uma recessão global. Quando Teerão sente pressões, especialmente quando lhe ameaçam as exportações de petróleo, emprega uma variação de um aviso emitido em 2018: «Faremos o inimigo compreender que ou toda a gente pode servir-se do estreito de Ormuz ou ninguém poderá.»”
Tim Marshall, O Poder da Geografia, Desassossego, p. 54-55, 2021
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Empolgado com o seu “êxito” militar na Venezuela e o rapto de Maduro, o presidente americano, à primeira oportunidade e sem pensar (sempre sem pensar), lança-se ao ataque contra o Irão e mata o aiatola. Em retaliação o Irão dispara em todas as direções ao seu alcance e ativa um plano há muito preparado e ensaiado: fechou o estreito, para surpresa (pasme-se) dos jumentos que lideram o governo dos E.U.A. “Ou toda a gente pode servir-se do estreito de Ormuz ou ninguém poderá.” Compreenderam?
Os iranianos tentam agora explicar a realidade aos americanos com peças de lego.
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Epílogo
Todas as famílias do mundo têm agora o seu orçamento familiar mais reduzido (as que têm orçamento familiar), devido às decisões asininas da presidência americana. Todos estamos mais pobres. Todos sem excepção. Pela frente assoma-se a ameaça de “uma crise colossal nos preços da energia e, potencialmente, uma recessão global”.

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