terça-feira, agosto 15, 2006

Trabalho

Trabalho não é vileza, vileza é não trabalhar.

Hesíodo

sábado, agosto 05, 2006

Nascer é morrer.


Nascer é morrer.

Assim falava o velho marnoto, meu avô algarvio, encerrando em si uma cultura mediterrânica milenar. Uma cultura que sobrevive através dos tempos e do mar, transportada pelo Euro vindo de longe.

Em três palavras se resume o despertar e o crepúsculo da existência. Nascer é morrer.

Assim é! Desde o momento em que nascemos, somos marcados para o sofrimento. Viver é, acima de tudo, sofrer e morrer. Talvez por essa razão, quando questionado por Hesíodo, num certame, acerca de qual a melhor coisa para os mortais, Homero, o Poeta, respondeu:

Em primeiro lugar, o melhor para os mortais que habitam sobre a terra é não nascer; mas tendo nascido, ultrapassar sem demora os portões do Hades.
Certamen Homeri et Hesiodi

sexta-feira, agosto 04, 2006

Guerrilheiros ou Terroristas?

Guerrilheiros ou terroristas? Resistentes? Combatentes?

Atenção às palavras. Elas marcam as posições no espectro mediático. Denunciam as pendências. Revelam tendências. As guerras nunca são neutras. Há sempre outra guerra por detrás das guerras. A guerra de palavras e das palavras.

É por esta guerra que existem outras guerras.

O carrasco e a vítima

O carrasco tortura a sua vítima e condena-se desse modo a ser uma eterna vítima.

George Steiner, Quatro Entrevistas com George Steiner (por Ramin Jahanbegloo)

Insolentes os que fazem a guerra

«Creso, quem dentre os homens te convenceu a invadir o meu país e a fazer de ti um inimigo meu, em vez de um amigo?» E ele respondeu: «Ó rei, eu fiz isto para tua fortuna e meu infortúnio. O culpado disto foi o deus dos Helenos, que me induziu a entrar em guerra. Pois ninguém é tão insolente que a prefira à paz. Nesta os filhos enterram os pais, mas naquela são os pais que enterram os filhos. Mas talvez fosse grato a um deus que as coisas assim acontecessem».
(resposta de Ciro a Creso)
Heródoto, Histórias, livro 1º
Insolentes os que fazem a guerra, induzidos pelos deuses e pelas irracionais paixões dos homens. Acabam por tornar-se vítimas das suas acções, porém, não sem antes vitimizarem os inocentes.

domingo, julho 16, 2006

Matar Moscas com um Martelo

Neste preciso momento, os israelitas estão a tentar "matar moscas com um martelo" e os resultados estão à vista.

As "moscas" escapam e o resto fica destruído. Os russos fizeram uma coisa parecida na Tchechénia, mas a uma escala maior. É o resultado da desproporção de meios entre as partes. Trata-se de um acto de desespero e de fraqueza (ao contrário do que parece). E é também a prova de que os ataques cirúrgicos e as bombas inteligentes são coisa que não existe.

O pior de tudo isto são as vítimas inocentes.

quarta-feira, julho 05, 2006

Choro de Derrota


Desgraçada consolação para as desgraças dos desgraçados.

Ésquilo, Persas

sábado, julho 01, 2006

Alegria

Sempre que haja alegria entre todo o povo
e os convivas, no palácio, ouçam o aedo,
sentados em fila, e, ao seu lado, as mesas transbordem
de pão e de carne, e, tirando do cráter o vinho,
o escanção o sirva, vertendo-o nas taças:
parece-me que tal será o mais agradável para o meu coração.

Homero, Odisseia, 9.6-11

segunda-feira, junho 19, 2006

Os Árabes



Não há como os Árabes para respeitar compromissos.

Heródoto, Histórias, livro 3º, Edições 70, pág. 46.

Há 2500 anos atrás Heródoto fixava um traço característico dos Árabes que ainda hoje persiste.

Por os Árabes honrarem os seus compromissos, são exigentes com quem negoceiam. E quem não honra os compromissos para com eles, não pode depois esperar vantagens.

Durante o século XX quem mais negociou com os Árabes e não honrou os compromissos assumidos?

Os Árabes são negociantes exímios tendo apurado essa qualidade desde eras ancestrais, entre si, na sua relação com povos vizinhos e com povos distantes.

A sua relação com o Ocidente (e com o mundo), quando não era de conflito, sempre se pautou pela negociação. Sempre se tratou de uma relação negociada, de uma convivência negociada.

É o menosprezo por esta realidade que actualmente compromete a relação entre Árabes e Ocidentais.

sexta-feira, junho 16, 2006

Periclitâncias

Montesinho
(Equilíbrio Periclitante de um Granito)
Prescrutas a eternidade...e o abismo,
Enquanto aguardas a brisa que te derrubará.
Ou simplesmente, desafias o destino.
Esse destino que te quedará no fundo dos vales.
Mas enquanto o destino não se cumpre, enfrentas o Vento,
De face erguida ao Sol.

quinta-feira, junho 15, 2006

As "Novas" Políticas "Socialistas"

Acreditam os novos governantes que as empresas e a sociedade civil (o voluntarismo de certas instituições não governamentais) é que vão resolver os problemas sociais, como o desemprego, a fome, a iliteracia, a pobreza... Isto para justificar a retrocesso do Estado perante tais desígnios. O Estado, defendem, deve assumir apenas um papel regulador, intervindo o menos possível na economia e na sociedade. Menos Estado, melhor Estado, dizem. Emagrecer o Estado impõe-se, afirmam.

Como se a redistribuição da riqueza conduzida pelo Mercado e não pelo Estado, desse azo a uma justa redistribuição.

O Estado demite-se e curva-se perante as empresas e esquece...

Esquece que a vocação primeira de qualquer empresa é a geração de lucro e não a resolução de problemas sociais. E se algumas empresas desenvolvem algumas acções visando a ajuda aos pobres, como campanhas de recolha de fundos associadas à venda dos seus produtos ou serviços, tal tem por base a sua promoção aos olhos dos consumidores, e não um genuíno desejo de resolver problemas sociais.

Por outro lado, é sabido que aos territórios onde o Estado não chega, ou por impotência ou por falta de vontade ou de capacidade, é a sociedade civil que lá tem de se desenrascar...substituindo-se ao papel que o Estado deveria ter.

As ONG e a sociedade civil têm um papel importante na resolução dos problemas sociais mas o Estado tem o papel mais importante no que cabe à resolução desses problemas. Não deve por isso escudar-se na acção das ONG e da sociedade civil (e das empresas) para justificar a sua demissão de uma tarefa que lhe cabe: o da redistribuição da riqueza e da resolução dos problemas sociais.

Por estas razões as "novas" políticas "socialistas", de socialista não têm nada. E nem sequer são novas.

domingo, maio 28, 2006

Já se pressente o Verão.

Já se pressente o Verão.

Aproxima-se a largas passadas.
Já o mar se amansou e crepitam as fogueiras,
Nas divinas praias douradas.

Já se pressente o Verão.

Já as velas e os mastros sulcam os mares,
E as sereias cantam e as ninfas dançam,
E por todo o lado ecoam cantares,

Ao findar dos dias que as estrelas alcançam.

sábado, maio 06, 2006

A Partida de um Mestre

John Kenneth Galbraith (1908-2006)

Despede-se mais um Mestre. Simplesmente brilhante.
Num tempo em que vingam as vozes daqueles que pugnam por uma economia selvagem, neoliberal, descomprometida com o ser humano, que reduzem ao número, conducente ao puro darwinismo social, a voz do Economista Galbraith, apontava noutras direcções. Infelizmente, teve de partir.
Disse Galbraith uma vez:
"A grande dialéctica do nosso tempo não é, como antigamente se supunha e alguns ainda supõem, entre o capital e o trabalho, mas entre a empresa e o Estado."

Galbraith, A Economia Política, Publicações Europa-América, 1989, pág. 232.
E assim é.

segunda-feira, abril 17, 2006

Críse Petrolífera à Vista






















Paulatinamente o preço do petróleo vai assumindo valores cada vez mais elevados, arriscando paralisar a breve prazo a economia das nações mais desenvolvidas e do mundo inteiro. Ao contrário do que se anuncia, o aumento do preço do petróleo para os actuais valores não se deve a factores conjunturais, como as afirmações do presidente do Irão ou a política nuclear desta nação, as tempestades no Golfo do México, a política da Venezuela, a crise numa petrolífera russa ou a guerra no Iraque.

O aumento do preço do petróleo é alimentado pelo crescimento económico de países como a China ou a Índia, aumentando assim, de forma sustentada, a procura de petróleo face a uma oferta que tende a ser progressivamente mais limitada. Por outro lado, os países industrializados não diversificaram as suas fontes de energia tanto quanto deviam, continuando a depender do ouro negro e a consumir quantidades elevadas deste recurso.

Quando o Brent estava a 25 dólares o barril, ninguém então diria que chegaríamos rapidamente aos 70 dólares o barril. Em breve virá o dia em que os 100 dólares serão ultrapassados. A economia mundial está à beira de uma crise que poderá ter consequências tão ou mais nefastas que a crise económica de 1929. É uma questão de tempo, se nada entretanto for feito.

domingo, março 19, 2006

Barricadas em Paris





Há quem desvalorize a contestação nas ruas de Paris, tratando-a como se fosse uma réplica dos movimentos de Maio de 1968, e portanto como se fosse uma farsa (e não um drama). Dizem que os jovens hoje são conservadores e pragmáticos, quando em Maio de 68 eram idealistas. Alguns falam com saudade de Maio de 1968. Aquilo é que era contestação. Agora não.

Maio de 1968 foi há 38 anos. É história. No século XXI as preocupações dos jovens franceses passam pelo seu futuro, e o seu futuro é o da França.

Maio de 68 não foi a mãe de todas as contestações, como alguns nos querem fazer crer, e talvez a actual tenha tanto a ver com a de 1968, como essa tem a ver com a de 1871 .

É longa a tradição das barricadas de Paris (e das manifestações). Maio de 68 não foi a primeira, nem sequer a mais importante. A actual por certo não será a última.

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