Na margem do Mediterrâneo, Málaga é uma cidade digna de ser visitada em Dezembro, pelas suas gentes, pela sua alegria e pelo seu calor. Málaga é uma cidade viva. À noite o seu centro anima-se de jovens e famílias que se passeiam pelas calles iluminadas e enfeitadas (as ruas nunca são abandonadas ao frio e ao silêncio). As jovens espanholas embelezam-se e perfumam-se. Caminham animadamente em direcção a uma qualquer fiesta. No centro da cidade destaca-se a avenida Marqués de Larios (uma espécie de Rua Augusta, mas ao contrário desta, a multidão invade-a quando a noite se instala). O centro histórico é também constituído por numerosas pequenas praças e ruas estreitas, polvilhadas de bodegas, onde se comem tapas, bebe-se cerveja e convive-se animadamente. Os mais devotos formam filas à entrada das igrejas e da catedral, para assistirem a rituais nocturnos. A cidade respira o ar cálido do Mediterrâneo por todos os poros.
Mas com o aprofundar da noite, resistem nas ruas hordas ruidosas de adolescentes que, organizadamente, se foram embriagando. A vozearia e a gritaria é intensa na Plaza da Marina, fronteira ao porto, e dura até ao raiar da alba.
Mas com o aprofundar da noite, resistem nas ruas hordas ruidosas de adolescentes que, organizadamente, se foram embriagando. A vozearia e a gritaria é intensa na Plaza da Marina, fronteira ao porto, e dura até ao raiar da alba.
A criatura resiste. Recorre neste momento de aflição, a todos os seus esbirros colocados em altos cargos governamentais e outros de grande alcance social. Move todas as suas influências. Tenta escapar ao naufrágio no mar tormentoso do mundo. Mar tenebroso, o que agora atravessamos. Os governos não nacionalizam, não propõem o fim de paraísos fiscais e zonas francas, e continuam a apostar na concessão de crédito para financiar o investimento, mas na sociedade de consumo já não é a poupança que suporta o crédito, mas antes a produção monetária nas rotativas. Usam agora os contribuintes endividados como fiadores e financiadores de bancos falidos e de empresas mal geridas. E ainda nos querem fazer crer que estão realmente indignados porque os bancos não fazem chegar os financiamentos às empresas. Será que somos assim tão ingénuos?
Em democracia, politicamente, não existem revoluções, mas podem haver rebeliões.
.jpg)
.jpg)
.jpg)
"E para a próxima, não vás no discurso dos políticos."
Talvez aos vossos olhos vos pareça um louco esfarrapado, de cabelos desgrenhados, esbracejando e vociferando impropérios contra o neoliberalismo, numa praia deserta, numa ilha perdida no oceano da Internet. E o neoliberalismo, qual navio, passa ao longe, alheio ao louco e à ilha, lento na sua rota, rumando a um naufrágio certo.