

Y cuando el relativista se niega a admitir que el ser viviente pueda pensar la verdad, está él, como ser viviente, convencido de que es verdad esta su negación.
Ortega y Gasset (1923), El Tema de Nuestro Tiempo, Espasa Libros, Madrid, 2010, pág. 94.
A verdade absoluta de quem não acredita em verdades absolutas é a de que não existem verdades absolutas. E assim cai

Alemão gosta de trabalhar, japonês gosta de trabalhar: coisa extraordinária! Tenho uma grande admiração por eles como os artistas do trabalho. Mas o que eu quero, então, é que eles se encarreguem disso e deixem os portugueses, os africanos, os brasileiros, toda a gente que acha que há coisas na vida muito mais interessantes do que trabalhar, que eles fabriquem aquilo que é necessário para que nós possamos, se quisermos, nadar, mas sobretudo, se pudermos boiar, acho eu que será mais excelente que tudo. Não prego a virtude de Confúcio, senão para se atingir Calecute.
Agostinho da Silva, Agostinho da Silva - Ele Próprio, Zéfiro, 2006, pág. 107-108


Parabéns Torquato da Luz pelo luminoso Espelho Íntimo.

E sabem vocês a que nos estamos inclinando por aqui, se calhar por mais directo contacto com o nosso Espinosa? A que no mundo tudo é fatal, inclusive a liberdade: há quem nasça com ela e quem nasça com a sua negativa, devendo-se sempre, em qualquer caso, supor que se nasceu com liberdade, estando mais próximo do divino aqueles a quem a liberdade tiver sido dom do fatal: ora digam-me, não é a liberdade de Deus uma fatalidade? Será que pode ele, ao mesmo tempo que todo-poderoso, deixar de ser livre?
Agostinho da Silva, Carta Vária, 3ª edição, Relógio D’Água, 1990, pág. 66-67
Afinal, nem o Omnipotente, o Absoluto, pode deixar de ser livre. Afinal, nem é tão omnipotente assim. Não pode deixar de ser livre, mesmo que o queira. Não pode ser mortal. Por isso o Destino é também para Ele uma fatalidade como o era para os antigos deuses. Podiam atrasar o seu curso, mas não podiam impedi-lo de fluir.

