segunda-feira, julho 25, 2011

O terrorista norueguês

A sua imagem não será aqui exposta e o seu nome não será proferido. Os textos que escreveu não serão aqui lidos, nem transcritos. Não será citado. Que seja julgado à porta fechada e que a sua voz não seja ouvida no mundo, para lá das paredes do tribunal. Que o seu nome seja esquecido e se perca rapidamente nas areias do tempo. Que não seja feita a vontade ao terrorista que procura a fama, a glória negra, distorcida, e a lembrança. Também aqui, não será considerado lunático porque o mal existe e há quem o esconda atrás de doenças mentais. Chamar louco ou demente a um assassino é, de certa forma, perdoar ou diminuir a sua responsabilidade no mal que causou porque passará a ser visto como um inimputável. Ora o mal é muito racional e muito humano, demasiado humano. Por isso não chamaremos animal ao assassino, por respeito aos animais não humanos. Que seja esquecido e jamais perdoado. Que não seja feita a sua vontade.

Assim procederemos doravante com todos os terroristas.

Não nos aterrorizarão.

domingo, julho 24, 2011

Crónica de uma crise anunciada?

Nunca, desde a Guerra Civil Americana, os EUA estiveram tão divididos. A divisão entre esclavagistas e não esclavagistas conduziu a nação à guerra civil no século XIX. Actualmente, a irredutibilidade dos conservadores em relação ao aumento do tecto da dívida americana, não augura nada de bom. Talvez cheguem a acordo até Agosto, mas face ao extremar de posições, tudo é possível. Se não chegarem a acordo, a consequência não será a guerra civil, por certo, mas sim a derrocada económica desencadeada pelo incumprimento no pagamento da maior dívida do planeta. A URSS colapsou no início da década de 90. Será que está a chegar a hora dos EUA?

A incapacidade de os EUA manterem o space shuttle no ar é um facto simbólico do momento em que vive actualmente a América.

***

David Harvey, há muito tem vindo a alertar para o que se está a passar:

«A derrocada do sector financeiro nos Estados Unidos em 2008-2009 comprometeu a hegemonia americana. A capacidade de lançarem isoladamente um plano de recuperação baseado no financiamento da dívida é limitada politicamente a nível interno por uma oposição conservadora fiel, bem como pelo enorme peso do endividamento que se acumulou a partir da década de 90. Os Estados Unidos têm vindo a endividar-se a uma média de cerca de 2 milhões de dólares por dia há vários anos e, embora os prestamistas, como os bancos centrais chineses e outros do Leste da Ásia e dos Estados do Golfo, lhes tenham andado a conceder créditos porque a economia americana é demasiado importante para falir, é cada vez mais palpável o crescente poder que os prestamistas detêm sobre a política americana. Entretanto a posição do dólar como divisa global de reserva está sob ameaça.»

David Harvey, O Enigma do Capital, Bizâncio. 2011. pp. 48.

sexta-feira, julho 22, 2011

quarta-feira, julho 20, 2011


Pôr-de-sol na Praia Verde, 8 de Julho de 2011

Caramba! Eu não queria, mas foi mais forte do que eu.

Na melhor nódoa cai o pano.

segunda-feira, julho 18, 2011

Retoma em 2013!

Afinal a retoma será em 2013. Então poderemos respirar de alívio, dizem-nos Passos Coelho & Vítor Gaspar.

Veremos o que nos dirão em 2013: talvez, que afinal a retoma seja, lá para 2015. E em 2015, lá para 2018, e assim sucessivamente.

É o mais provável.

(A retoma é sempre amanhã.)


Devem julgar que somos burros atrás da cenoura da retoma, enquanto nos vergastam com mais impostos.

domingo, julho 17, 2011

O impasse

Eis-nos chegados a um impasse. Ou avançamos para um federalismo castrador do projecto nacional e abandonamos, de vez, o domínio sobre a capacidade de alterar o nosso destino enquanto nação – neste caso passaremos, definitivamente, a ser mais uma região, ou uma espécie de Califórnia, nos novos Estados Unidos da Europa. Ou recuamos e saímos da Zona Euro, mantendo salvaguardada uma grande parte da nossa soberania, mas com custos económicos e sociais muito elevados, no curto prazo, como se diz aqui.

Ficar na situação em que estamos, numa Zona Euro cujos Estados não foram, nem são capazes, de manter a sua economia entre as apertadas balizas dos critérios de convergência, não é viável, nem desejável. Aqui, não podemos ficar!

***

PS - A necessidade aguça o engenho. Talvez tenha de ser criado um novo caminho que não passe por um recuo ou por um avanço. Mas para onde caminhar?

sexta-feira, julho 15, 2011

Entretanto, na ilha do Bornéu, prossegue a destruição do mundo, tal como o conhecemos


É preciso observar bem, pois tudo isto, em breve, estará transformado num imenso palmeiral. O longo braço da sanha capitalista chega aos lugares mais recônditos do planeta. Prossegue a destruição criativa do espaço. É preciso convertê-lo em mercadoria, para que dê lucro.

1994


Uma garrafa vazia aguarda sobre a mesa
A tua mão ávida,
A tua boca ressequida, equivocada.

A taverna está deserta,
E a brisa agita as teias pendentes.
O teu olhar perde-se nas sombras
E brilha azul no escuro.

Há um copo em repouso sobre o balcão
Com um Porto luzidio.

1994 foi um ano bom.

Já recolhem a casa
Exaustos trabalhadores.
É o fim da tarde.

Vãos os árduos esforços,
Vãos os beijos que depositei na tua face.
Fujo.

Em fuga arremeto contra o vento.
Mergulho na liberdade,
No oceano, no abismo.
Caio, engulo ar.

1994 foi um ano bom.

Quando a tarde finda,
A difusa luz doira os muros
Dos blocos suburbanos.

Da minha janela
não tenho horizontes.

Avisto as nuvens multiformes
Em viagem.
Vagueio em pensamento.

1994 foi um ano bom.

quarta-feira, julho 13, 2011

Porto ao Pôr-de-sol

Claude Lorrain, Porto ao Pôr-de-sol, 1674

terça-feira, julho 12, 2011

A desvalorização do trabalho

Nunca ousámos sequer pensar que iríamos enriquecer a trabalhar, mas estávamos longe de imaginar que iríamos empobrecer a trabalhar. Contudo, é isso que está a acontecer. Empobrecemos a trabalhar. Trabalhamos mais, auferimos menos. Parte do que nos é devido, é-nos subtraído. Estamos a ser alvo de um verdadeiro roubo institucionalizado. Enfim, tudo isto é triste, tudo isto é fado.

E ainda a procissão vai no adro.

segunda-feira, julho 11, 2011

Glórias do futuro*

Com efeito, estamos prenhes de ouvir falar das glórias do passado. Que se calem essas vozes! Que se cale esse hino!

Queremos saber das glórias do futuro!

domingo, julho 10, 2011

Espírito livre

Quem ama verdadeiramente a liberdade não se deixa aprisionar por discursos e por grandes narrativas que condicionam a visão do mundo.

Quem observar o céu do fundo de um poço, vai achá-lo muito pequeno.

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