domingo, janeiro 17, 2021

Porque não se escreve mais por aqui? Um lamento.

Os trabalhos têm superado os dias. E não há dias para tantos trabalhos. Fardos pesados para carregar. Pouca liberdade sobra face a tantos constrangimentos. Viver é sofrer, já sabíamos. Viver é morrer.


Que soe o coro dos escravos hebreus. Esse do Verdi.

 

Há falta de tempo por aqui. Tempo livre. Demasiada preocupação. Demasiados “tenho de fazer isto e isto e isto e aquilo”, “tenho de fazer…” Não sobra tempo para escrever com a cabeça livre e leve.

 

É assim que nos calam.

 

Todos sabemos que o trabalho não liberta. Ou liberta? Claro que não liberta. Se for em excesso mata. Morrer a trabalhar é absurdo. Viver para trabalhar é absurdo. Já trabalhar para viver é uma necessidade do homem comum e de todo o bicho que vive sobre a Terra (não do esclavagista nem do burguês). Ou acreditam nessa dos pássaros: “Olhai os pássaros do céu: não semeiam, não colhem, nem guardam em celeiros.” Semeiam de outra forma, colhem de outra forma, guardam de outra forma – têm de alimentar-se, têm de caçar minhocas e insectos, têm de alimentar as crias, de zelar por elas, de as guardar, de as criar.

 

Enfim, há burgueses que trabalham o quanto baste e ainda lhes sobra tempo livre para escrevinharem. Há burgueses da escrita. Jornalistas que querem monopolizar esse privilégio de dar ideias ao mundo (por isso passam o dia a carpir das redes sociais - os Uber desses taxistas da escrita). E há escravos do trabalho, a quem é vedado por formas enviesadas a liberdade da escrita. Uma espécie de biopolítica. Coisas do poder, coisas de quem pode para oprimir quem não pode.

 

Já percebemos por que nos carregam de trabalho. É assim que nos calam. É assim que nos calcam. É assim que nos escravizam. Enfim, não durará muito.

 

Virá o dia da carta de alforria.

 

Então veremos.

terça-feira, janeiro 12, 2021

Today

 



A praia. Sempre a praia.


Fonte da Telha.

quinta-feira, dezembro 31, 2020

Tocar a reunir

 

Conto com todos os poetas e profetas anacoretas,

Atletas das palavras,

Lançadores de discos, riscos e asteriscos.

Retiram das aljavas flechas de palavras

E montam cercos às cidades.

E com as suas catapultas as suas palavras arremessadas e catapultadas,

Derrubam muralhas.

 

Conto com todos os poetas e profetas anacoretas,

Atletas das palavras,

Para erguer este muro

Incontornável, insondável muralha,

Com todas as palavras do mundo.

 

É profundo o mundo.

quarta-feira, dezembro 30, 2020

Parabéns Patti

 Obrigado por iluminares a minha noite mais escura.

Because the night
Belongs to lovers
Because the night
Belongs to us

                Patti Smith/Bruce Springsteen


sábado, dezembro 26, 2020

Com efeito


     O mar mais azul, a areia mais dourada, a realidade mais sonhada.

     Arrábida ao fundo.

 

sexta-feira, dezembro 25, 2020

Feliz Natal 2020




Feliz Natal!

Ainda aqui estamos. Onde mais poderia ser? Na praia.



Fotografias de hoje, numa das praias mais magníficas da nossa costa. Praia do Carvalhal (Comporta).

quarta-feira, dezembro 02, 2020

Eduardo Lourenço (1923-2020)

 

Eduardo Lourenço (1923-2020)

quinta-feira, novembro 26, 2020

Adiós Maradona

 

Diego Armando Maradona (1960-2020)


Foi uma alegria vê-lo jogar no Campeonato Mundial do México de 1986. E antes e depois.

Ficará para sempre na memória.




sábado, novembro 14, 2020

Os mitos

 As histórias que sobrevivem mais tempo são as que nunca foram e sempre serão - os mitos.

Ann Druyan



Ann Druyan, Cosmos, Mundos Possíveis, Gradiva/National Geographic, 2020, Pág. 365

quarta-feira, novembro 11, 2020

Partidas: Gonçalo Ribeiro Telles

 

Gonçalo Ribeiro Telles (1922-2020)

Outro dos nossos melhores que parte.

Passearei sempre nos seus jardins. 

sábado, novembro 07, 2020

Long live to President Biden

 O mundo hoje tornou-se num lugar melhor. Há esperança.



sábado, outubro 31, 2020

.


Sean Connery (1930-2020)

sábado, outubro 10, 2020

Onde a extrema-direita e a extrema-esquerda esbarram

 

«O que é afinal a União Europeia senão esse trabalho de desconstrução dos fundamentos identitários, um espaço liberto de todos os traços culturais de um território, das soberanias, dos valores e costumes, das tradições, dos gostos e valores, das questões religiosas e civilizacionais? O alargamento europeu é um modo de expansionismo ideológico e político através de uma visão economicista do homem e da destruição maciça de identidade para a construção de um grande supermercado.»

 

João Maurício Brás, Os Democratas que Destruíram a Democracia, Opera Omnia, 2019, pág. 95.

 ⁂⁂⁂

Aqui discordamos. Discordamos profundamente. O projecto europeu é o muro onde têm esbarrado todos os movimentos extremistas que se querem alçar ao poder nas suas nações. Quando colocam, abertamente ou veladamente, na sua agenda, a saída da União, perdem massa crítica, perdem votos. Isto porque se há um projecto do qual os povos não abdicam (exceptua-se aqui cerca de metade dos britânicos) é o da União Europeia. E com razão. Recordam o que foi a Europa durante séculos até 1945: uma guerra contínua intervalada por breves momentos de paz, momentos de preparação para a guerra seguinte. Nem a Belle Époque escapou, também ela culminando num período de rearmamento de cada um contra o seu vizinho. A Europa foi um eterno campo de batalha entre nações inimigas, agrupadas ou isoladas. Os solos da Europa estão pejados de reminiscências de sangue e de cadáveres de soldados e de civis, de bombas e de canhões. É bom não o esquecer. Ainda hoje, quando se fazem obras em certas cidades da Europa, encontram-se enterradas bombas de guerras pretéritas, que não rebentaram só por milagre, mas que ainda ameaçam rebentar e matar.

Se a União Europeia é “esse trabalho de desconstrução dos fundamentos identitários” a que João Maurício Brás se refere, então como explica ele a persistente presença das identidades nacionais, incólumes, ostentadas pelos povos que a integram, colocando muitas vezes em causa o objectivo da solidariedade entre os Estados-membros, como se viu recentemente? E as tensões entre Estados-membros na União Europeia, que impõem longas negociações até se conseguirem cedências de parte a parte? Ainda bem que as há. E ainda bem que são dirimidas por dentro. “Um espaço liberto de todos os traços culturais”? Não. Pertencemos à mesma civilização, mas as culturas, diversas, estão lá todas, enriquecendo-se umas às outras, colhendo o que de melhor há em cada uma delas sem se descaracterizarem por isso: estarão os lisboetas a dançar a sevilhana ou os andaluzes a cantar o fado?

Vivemos como sempre temos vivido, lado a lado, mas agora unidos.

Também não somos ingénuos ao ponto de acreditar que não há na União Europeia quem procure trabalhar no sentido da desconstrução dos fundamentos identitários e queira impor uma ideologia pós-moderna, pós-identitária, com a conivência do neoliberalismo dominante. Aqui João Maurício Brás indigna-se com razão. Essa gente está aí. Mas também há outra gente, como ele, que pensa de modo diferente.

A União Europeia não é um projecto estático e unidireccional. Pode ser transformada por dentro sem ser destruída. Pode ser melhorada. Há uma Ideia de Europa (George Steiner) que é preciso não deixar morrer.

Estamos fartos de guerras.

Destino & Horizonte

 Não esperes alterar com preces o destino fixado pelos deuses!

Virgílio, Eneida (citado por Séneca)


Os destinos estão determinados de uma vez por todas, e prosseguem a sua marcha em obediência à lei eterna do universo; tu irás para onde vai tudo o mais! 

Séneca, Cartas a Lucílio, Livro IX, Carta 77 


Toda a vida é sempre breve.

Séneca, Cartas a Lucílio, Livro IX, Carta 77

 

***


É bom não perder a referência da linha do horizonte.

O que há para lá dele, escapa-nos.

E também ele nos escapa, sempre que vamos ao seu encontro.

Tal como a perfeição, da qual podemos sempre aproximar-nos mas sem nunca a alcançar.

Carpe diem

Horácio, Odes, I, 11, 8.

segunda-feira, outubro 05, 2020

Frase do dia

Nós não vamos à caça com cornetas e pandeiretas.

Maria José Morgado
Procuradora-geral Adjunta

 

Quando questionada por Miguel Sousa Tavares, na TVI, sobre a pertinência da manutenção do segredo de justiça, quando o mesmo é violado a todo o tempo, segundo o jornalista.

Maria José Morgado não tem a mesma perspectiva de Miguel Sousa Tavares. É uma caçadora. Acredita no segredo de justiça.

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