segunda-feira, abril 25, 2016

Democracia hoje

Nada é garantido. Quantas vezes as democracias caíram, exactamente no preciso momento em que menos se esperava? Muitas ameaças pairam hoje no ar, como abutres de olhos postos num moribundo cambaleante. Estranhas ditaduras espreitam – a visão mercantil sobre o mundo e sobre a vida, os lacaios das elites plutocráticas, burocratas em organismos supranacionais não democráticos, que ditam as regras em desfavor do povo chão, a acção de multinacionais neocoloniais nos países do Sul, o sentido de classe e de “guerra de classes” por parte de um todo poderoso 1% contra os restantes 99%, novos feudos e feudalismos, novos fascismos. As democracias dão ténues sinais de padecimento, como pequenas brechas num dique prestes a rebentar. Festejamos hoje a democracia, mas é bom estar alerta. Nada é garantido.

sábado, abril 23, 2016

Classificação de sistemas caóticos

Existem duas formas de sistemas caóticos. O caos de nível um é o que não reage às previsões acerca de si mesmo. O clima, por exemplo, é um sistema caótico de nível um. Apesar de ser influenciado por uma miríade de factores, podemos programar modelos informáticos que tomam em consideração esses factores e produzem previsões cada vez melhores.


O caos de nível dois é o que reage às previsões acerca de si próprio e, por isso, nunca pode ser previsto com exactidão. Os mercados, por exemplo, são um sistema caótico de nível dois. O que acontecerá se desenvolvermos um programa informático que faça previsões com cem por cento de exatidão sobre o preço de amanhã do petróleo? O preço do petróleo reagirá imediatamente à previsão, que, como tal, acabará por não se concretizar.

Yuval Harari, De Animais a Deuses, História Breve da Humanidade, Vogais, 2013, pág.288-289

segunda-feira, abril 18, 2016

A antibiblioteca

Os livros lidos possuem um valor largamente inferior aos não lidos. A biblioteca deve conter tanto daquilo que não sabemos quanto os nossos meios financeiros, as taxas de juro do crédito à habitação e o mercado imobiliário, com as dificuldades que actualmente nos coloca, nos permitirem. Acumulamos mais conhecimento e mais livros à medida que envelhecemos e o crescente número de livros não lidos nas prateleiras observar-nos-à de forma ameaçadora. Na verdade, quanto mais sabemos, mais extensas são as filas de livros por ler. Chamemos a esta colecção de livros não lidos antibiblioteca.    

Nicholas Taleb, O Cisne Negro, Dom Quixote, 2008, pág. 29

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O livro de Nicholas Taleb encontra-se agora em processo de desvalorização. Acabou de abandonar a antibiblioteca e será integrado em breve na biblioteca.

A acumulação de livros não lidos nas prateleiras é proporcional ao tempo que passa,  à curiosidade, à insaciável sede de saber, e, pior do que tudo, ao consumismo infrene.

sexta-feira, abril 15, 2016

Miliciana empunhando uma pistola

Gerda Taro, Miliciana Empunhando Uma Pistola, 1936 
(Guerra Civil de Espanha) 

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Gerda Taro (1910-1937)

Gerda Taro e Endre Friedmann (Robert Capa)

segunda-feira, abril 04, 2016

Mona Lisa (La Gioconda)

Leonardo da Vinci, Mona Lisa, c. 1503-1505

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