Eu não fui, mas dizem que já vem a caminho. Brilhante! Paga
o Zé!
Entretanto fiquemos aqui quietinhos, à espera, pois só estamos
autorizados a mexer os olhinhos, não vão os mercados assustar-se.
“Creio que os portugueses estarão muito mais apreensivos e assustados com a possibilidade de terem eleições sem
saberem o que é que poderá resultar disso, não sabendo sequer se poderão
continuar a dispor de apoio externo, como têm tido até hoje. Os portugueses
estarão muito mais assustados com
essa situação do que, com certeza, com a possibilidade de podermos fechar o
nosso programa de assistência económica e financeira e de podermos enfrentar as
dificuldades que temos, que ainda temos muitas."
No princípio eram as agências de rating. Era necessário fazer subir os
juros da dívida pública. Era preciso atacar os elos mais fracos de um espaço
monetário com problemas genéticos e ao qual não correspondia qualquer união
política, um espaço politicamente dividido, um espaço enfraquecido. Animadas
não se sabe por que sopro, decidiram actuar. A sua autoridade e o seu poder residem tão só na credibilidade cega que os especuladores, grandes e pequenos, lhe dão. Em função dos ratings por elas
atribuídos às empresas e países (à suposta capacidade de estes pagarem as suas “dívidas
soberanas”), os especuladores redireccionam e reorientam os fluxos de capital
financeiro para lugares que lhes asseguram, segundo acreditam, os mais elevados
retornos. Esses fluxos de capital financeiro determinam hoje a graça e a
desgraça dos povos. É com o seu domínio e controlo que se preocupa cada vez
mais a actual geopolítica e já não tanto com o comando dos territórios (Agnew,
2012: 3).