domingo, outubro 04, 2009

sábado, outubro 03, 2009

Humanismo grego


Muitos prodígios há; porém nenhum
maior do que o homem.
Esse, co’o sopro invernoso do Noto,
passando entre as vagas
fundas como abismos,
o cinzento mar ultrapassou. E a terra
mortal, dos deuses sublime,
trabalha-a sem fim,
volvendo o arado, ano após ano,
com a raça dos cavalos laborando.

Sofócles, Séc. V a. C.

quarta-feira, setembro 30, 2009

Os pigmeus Mbuti e o saque do mundo


Raparigas, cobertas de barro, preparadas para a cerimónia de circuncisão dos rapazes.

Os Mbuti são uma tribo ancestral de caçadores recolectores em pleno século XXI. O seu habitat - as florestas da República Democrática do Congo - encontra-se cada vez mais ameaçado pela desflorestação.

Se a maior parte de nós deixou, há milhares de anos, de ser caçador-recolector, os poucos que restam nos seus secretos redutos, serão forçados a deixar de sê-lo, este século. É o resultado da transformação da floresta equatorial em capital por empresários do ramo madeireiro e por governantes corruptos.

A África continua a saque, já não por colonos e exploradores ávidos de marfim, ouro e escravos, mas pelas elites dirigentes aliadas às multinacionais, ávidas de lucro e recursos naturais.

É assim que a globalização vai alimentando, desde o século XV, o saque do mundo.

terça-feira, setembro 29, 2009

E agora, algo verdadeiramente mais interessante...

Reunião de Grous nos arredores de Berlim

segunda-feira, setembro 28, 2009

Vitória de Pirro

Terminadas as legislativas eis que ganha o PS, como se estava à espera, contudo, foi uma vitória de Pirro. Uma vitória em perda. Uma vitória, paradoxalmente, com o amargo trago da derrota.

O PS ganhou, mas foi o único que perdeu: perdeu em relação às últimas legislativas, de forma absoluta e relativa; perdeu em número de deputados, quando, todos os outros partidos ganharam, em números absolutos e relativos.

A maioria dos eleitores portugueses absteve-se ou votou no conjunto dos partidos da oposição. Por outras palavras, a maioria do PS é relativa. É portanto errado dizer que o povo português escolheu o PS. Menos de metade dos eleitores escolheu o PS, e menos ainda se considerarmos todo o povo português.

Quem não vota consente, porque cala a sua voz democrática, e assim, quem não votou, consentiu e não deve agora vir queixar-se do resultado.

O chavão é agora o da "responsabilidade" (palavra muito repetida por Augusto Santos Silva), assim como a de "governação de geometria variável". Mas a responsabilidade está em primeiro lugar do lado do PS, que tem de criar condições, neste contexto, para a governabilidade do país, em vez de procurar, como desculpa para o novo desgoverno, a irresponsabilidade dos seus adversários políticos.

domingo, setembro 27, 2009

sábado, setembro 26, 2009

Ships lying off Flushing

Ships lying off Flushing, Paul Jean Clays (1869)

quinta-feira, setembro 24, 2009

Portugal: a sociedade mais desigual

Fonte: Eurostat, 2009

Ver aqui.

O Índice de Gini mede as desigualdades de rendimento. Zero significa perfeita igualdade (ou seja, toda a gente tem o mesmo rendimento) e 100 a perfeita desigualdade (ou seja, uma pessoa tem todo o rendimento e as restantes, nenhum).

Como podemos verificar pelo quadro, Portugal, em 2005, era o país mais desigual da União Europeia: a diferença de rendimento entre os mais ricos e os mais pobres era a maior. Quase o dobro do valor da Suécia!

Actualmente continuamos a ser o país socialmente mais desigual da União Europeia, mas parece que o maior problema são as idiotices dos assessores do Presidente.

É hora de abrir os olhos!

Água na Lua


Foi descoberta água na lua. Ver aqui.

Sidney ou Marte?

quarta-feira, setembro 23, 2009

O futuro do livro

Já não falta muito tempo. Em breve teremos de pagar à Google para ler um book na Internet. O futuro do livro é um monopólio e um ecrã. Adeus cheiro e toque do papel. Adeus lombadas e capas. Adeus sublinhados e notas à margem.


Contudo acaba por ser uma solução ecológica e as árvores agradecem.


Já agora vou até aqui, mais uma vez, contemplar em silêncio, O Silêncio dos Livros.

terça-feira, setembro 22, 2009

Faunas

Mais de 500 000 desempregados* e a fauna política e jornalística a querer entreter-nos com intrigas palacianas, escutas telefónicas e assessores de Presidente que não têm mais nada para fazer. Fogachos e foguetórios para nos distraírem. A realidade destes senhores, decerto, não é a nossa.


(*) - Só para ter uma ideia da grandeza do número, refira-se que em Portugal existe apenas uma cidade com mais de 500 000 habitantes: Lisboa. Nem uma cidade do Porto chegaria para conter todos os desempregados. Nem 10 Évoras!

É hora de abrir os olhos!

domingo, setembro 20, 2009

Crónica de uma derrota anunciada


Não é preciso ser muito inteligente para adivinhar a derrota de Manuela Ferreira Leite (MFL) nas próximas eleições. A senhora perde em quase todas as frentes quando comparada ao seu adversário. É que o PSD descuidou o marketing. Sabemos hoje que se vendem políticas (e políticos) como se vendem sabonetes (que o digam Berlusconi, com o seu botox, Obama e Blair, com a sua juventude e sorrisos pepsodent).
O PSD descuidou a imagem e a mensagem (e o media é a mensagem).
 
Vejamos a imagem:


  • MFL é idosa, respeitável é verdade, mas conservadora, quase reaccionária; Sócrates é mais jovem e progressista, faz jogging entre o povo (quando não é o povo - professores, enfermeiros, polícias, agricultores, etc. - a correr atrás dele).
  • MFL é mulher e Sócrates é homem (este é um argumento perverso e machista, mas sejamos realistas: quantas primeiros-ministros teve Portugal?)
  • MFL sorri menos vezes que Sócrates (este parece ter melhor dentadura e mostra-a mais vezes).

E na mensagem, atendendo também à sua forma:


  • MFL diz que é necessário travar, Sócrates diz para se avançar (é certo que pode ser para o abismo, mas não deixa de ser para avançar).
  • MFL apresenta uma mensagem negativa e imobilista (não façamos, que estamos em crise); Sócrates positiva e construtiva (avancemos que a crise há-de passar).
  • MFL põe em causa a capacidade dos portugueses para ultrapassarem desafios (como o TGV e o pagamento da dívida); Sócrates parece confiar na capacidade dos portugueses para fazerem face a tais desafios (TGV entre outros).

A mensagem de MFL incute medo (tenham medo, muito medo se eles ganharem; lança suspeições, lembra-nos as asfixias democráticas, represálias, escutas telefónicas, um Estado persecutório); Sócrates em certa medida também (os socialistas falam do tempo da “outra senhora”, da ameaça que representa MFL para o sistema de nacional de saúde e da sua ânsia privatizadora, da asfixia social, entre outros assuntos). Sócrates apresenta-se menos desconfiado (a não ser em relação às perguntas e observações da jornalista Judite de Sousa).

Os partidários de MFL, como Marcelo Rebelo de Sousa, apelam ao voto negativo - dizem que a única forma de derrotar Sócrates é votar em MFL (como se os portugueses só votassem para derrotar alguém e não votassem em propostas e em políticas). O voto em Sócrates, nesse sentido, não é um voto negativo, na medida em que não pode propor que votem no seu partido como única forma de o derrubarem.

Por tudo isto e muito mais, para mal dos nossos pecados, adivinha-se que vamos ter mais Sócrates, sem maioria absoluta (e ainda bem), mas possivelmente coligado com outros partidos, ou com acordos e cedências pós-eleitorais, mas isso já é outra questão.

Family Frost nightmare

Na mais recôndita aldeia da serra algarvia, soa a horripilante melodia, bem estridente, para o terror dos apaniguados da sesta e dos sonolentos bebés: Family Frost nigthmare. Omnipresente, persegue-nos aos confins do mundo com a sua lancinante gaita.

Às vezes gostaria de ter um bacamarte para poder disparar à passagem do sonoro realejo.

E não sou só eu que me queixo.

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