terça-feira, outubro 02, 2012

Eric Hobsbawm

Eric Hobsbawm (1917-2012)

Outro Mestre que parte (partiu ontem). O da Era dos Extremos e doutras Eras que estudou e que nos deu a conhecer. Era o melhor historiador britânico da actualidade. Metia o Sr. Niall Ferguson no bolso. Marxista. Para Hobsbawm a Era dos Extremos teve origem em 1914 e cessou em 1991. O eclodir da Iª Guerra Mundial e o fim da URSS eram os marcos que limitavam o século XX de Hobsbawm. Quais cem anos?!

Neste blogue Hobsbawm já nos tinha servido de inspiração. AQUI.

Que descanse em paz.

domingo, setembro 30, 2012

Enquanto dormimos vamos sendo despojados


«à vista de um país que ardeu como nunca, atiçado pelos eucaliptais, pretende [o Governo] abrir às celuloses as zonas de Reserva Agrícola Nacional, que elas há tanto tempo cobiçam; e que se prepara para, de forma cobarde e sinuosa, entregar a Reserva Ecológica Nacional à especulação imobiliária, começando por dispersar a respectiva lei por várias outras leis (cada uma das quais abrindo excepções e alçapões à medida), e por dispensar de autorização, para já, as “pequenas construções” de “apoio agrícola” e etc. (o que rapidamente se traduzirá em golfes, aldeamentos turísticos, juro-vos eu).»

Miguel Sousa Tavares, “Yale, Campo de Ourique”, Expresso, 29 de Setembro de 2012

Na sanha de tudo vender, tudo privatizar, tudo tornar mercadoria, o Governo vira-se agora para as reservas de território que permaneciam relativamente incólumes e protegidas da voracidade da especulação: a reserva agrícola nacional e a reserva ecológica nacional. O território que se reservava à agricultura e ao ambiente é agora entregue aos amigos das celuloses e aos dos campos de golfe. Um verdadeiro governo ao serviço das grandes interesses empresariais e especulativos, contra os cidadãos, avança com a neoliberalização do território, de forma cobarde e insidiosa.

sexta-feira, setembro 28, 2012

quinta-feira, setembro 27, 2012

Afinal há uma ministra...


Uma ministra que ainda escapa no meio da desgraça geral que nos governa. Dizem que é populista? Não creio. É verdade! Tem razão! A impunidade tem de acabar. Na verdade afirma que “a impunidade na justiça terminou”. A ver vamos. Que não se esqueça do caso dos submarinos.

Aqueles que, por mais do que incompetência, enquanto governantes, trataram de fazer acordos ruinosos para o país, em benefício próprio ou dos seus partidos e em prejuízo dos contribuintes, devem ser julgados por isso. É preciso traçar bem a linha entre a responsabilidade política e a responsabilidade criminal. 

Quem nos governa não tem carta branca para assumir todo o tipo de acordos ruinosos em nosso nome ou em nome dos vindouros. Estamos hoje todos a pagar por essas “incompetências”.

Qual Portugal?

Se há algum período da história de Portugal que se assemelha ao actual momento do país (qual país? pobre país?), não tenhamos dúvidas, é o do domínio filipino, esse entre 1580 e 1640, quando Portugal não era Portugal, era outra coisa qualquer, uma região dum vasto império onde o Sol nunca se punha. Vem agora o Sr. Primeiro-ministro traçar paralelos entre o nosso tempo e o tempo do Gama, quando o navegador começava a sentir os ventos favoráveis que impeliam paulatinamente as suas naus em direcção à Índia, mesmo contra a corrente dominante. Tenha juízo. Os ventos são mais do que desfavoráveis e sopram no mesmo sentido da corrente avassaladora da crise internacional do capitalismo. Empurram-nos para o abismo. Este Governo dá mostras de que não sabe bem para onde vai, e, como nos diz o grande Séneca, velho mestre estóico: não há ventos favoráveis para quem não sabe para onde vai. O fim de Portugal, enquanto país livre e independente, já foi. Mas muita gente ainda não se deu conta? Isto já não é Portugal, é outra coisa qualquer.

Agora precisamos, isso sim, de restaurá-lo, como tão bem sabemos fazer, mas para tal é preciso aguardar pelo tempo certo. Acabaremos também por ter os nossos defenestrados. É uma questão de tempo.

terça-feira, setembro 25, 2012

No lugar certo, na hora certa


Do ponto de vista do alligator, entenda-se.

domingo, setembro 23, 2012

Por favor, parem de nos lançar areia para os olhos!


Quando alguém propõe uma maior tributação fiscal do capital, por uma questão de maior justiça e equidade fiscal e social, aparecem logo os comentadores do costume, como o professor Marcelo Rebelo de Sousa hoje na TVI, sugerindo que, nesse caso, seriam abrangidas as contas a prazo do comum dos portugueses, como se essas contas fizessem parte do capital que se quer tributar. E, dessa forma, lançam areia para os olhos de muita gente.

É bom que se clarifique o que se entende por capital a taxar nas propostas que estão a ser colocadas em cima da mesa. Não são as contas a prazo. Não nos deixemos enganar. São as transacções financeiras e os dividendos dos accionistas.

sábado, setembro 22, 2012

Outono

Personificação do Outono (detalhe), séc. II AD.
Museus do Vaticano

Até aqui foi campo, astro celeste.
Agora, porém, Baco, vou cantar-te
em rebentos de bosque e de oliveira
tão lentos no crescer. Ó Pai Leneu,
a mim virás que tudo aqui se encheu
do que por ti foi dado; em teu louvor
floresce a terra inteira, carregada
de folhagens de Outono e faz vindima
ficar lagar até à borda espuma.

Vergílio, Geórgicas, Livro II
(tradução de Agostinho da Silva)

***

Personificação do Outono, séc. II AD.

A estátua foi encontrada em 1804 por Robert Fagan na propriedade Cesarini, Campo Jemini (Tor Vajanica), próximo de uma antiga vila romana. O Outono é representado como uma jovem mulher com uma coroa ornamentada com uvas e rodeada por quatro cupidos vindimando. Tendo sido a cabeça acrescentada pelo escultor neoclássico Massimiliano Laboureur, a escultura remonta a meados do século II d.C.


Portugal, Grécia e Irlanda podem perder duas vezes nas privatizações



«Os cidadãos da Grécia, de Portugal e da Irlanda vão perder porque a corrupção vai fazer com que não recebam um preço justo nos milhares de milhões em activos que vão ser vendidos para reduzir os défices. Não vão receber o valor justo e o dinheiro que deveria servir para recuperar as finanças e a economia vai com frequência para os bolsos daqueles que protegem os seus interesses pessoais»


(...)

«Primeiro há falta de responsabilização, especialmente na área do financiamento público; segundo, há uma deficiente participação da população em geral em responsabilizar os dirigentes; e em terceiro e muito importante, há impunidade para os que violam a lei.»  Cobus de Swardt, director da Transparency International.  AQUI

Nada que já não soubéssemos.

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