Juliette Gréco (1923-2020)
A minha humilde homenagem, antes que passe mais um dia.
Uma das melhores senão a melhor cantora francesa de sempre.
Até sempre.
Juliette Gréco (1923-2020)
A minha humilde homenagem, antes que passe mais um dia.
Uma das melhores senão a melhor cantora francesa de sempre.
Até sempre.
Não tardou muito e apareceram logo os sabujos e os lacaios do patronato aflito, nos jornais habituais, a opinar sobre a necessidade de se sair para a rua mesmo em tempo de pandemia, que a saúde de pouco valia face aos mais altos valores da economia.
Ainda crocitam por aí.
O riso daquela mulher assemelhava-se ao crocitar de uma ave de carniça. Era um corvo que ria na praia um riso galhofeiro, boçal, à passagem de um barrigudo emproado que pelas narinas sorvia o ar fresco da tarde. Caminhava bamboleando-se pela beira do mar. Ao longe o horizonte do mundo, alheio e esquecido, amigo íntimo do mar profundo.
As mentes não se conquistam pela força, mas pelo amor e pela elevação espiritual.
Baruch Espinosa, Ética,
1677
(citado em por Ann Druyan, Cosmos: Mundos Possíveis, Gradiva, 2020)
Reflicto na sua frase e constato
que nos nossos tempos já não se aplica.
Se não, então como justificar a ascensão de Trump, de Bolsonaro ou de Duterte,
assim como de outros ignorantes, aos lugares cimeiros da governação das respectivas
nações? Como conquistaram eles as mentes dos homens? Com amor? Com elevação
espiritual? Não me parece. Outros valores pesam mais hoje na conquista das
mentes. Ou as mentes são outras. Mentes maleáveis e empobrecidas pela
deseducação metralhada dos mass media, do marketing e da
propaganda. Mentes acríticas, incapazes de formular uma sábia avaliação.
Mentes que votam sem saber distinguir a forma do conteúdo. Mentes que formam
maiorias eleitorais expressivas.
O amor e a elevação espiritual
perderam valor nos nossos dias. Parecem já não contar na batalha pelas mentes. A boçalidade triunfa.
Basta ver como até na academia, particularmente nas
ciências sociais e humanas, o conhecimento é ativismo e ignorância. Os estudos
culturais, de género, pós-colonialismos, literaturas disto e daquilo, estudos críticos
e mesmo algumas derivas mais loucas e disparatadas que tanto podem ser estudos homossexuais,
guionismo pós-pornografias, seminários de masturbação feminina como promoção da
diversidade, os mais de cem géneros, as monomanias libertistas, a afro-matemática,
as denúncias sobre geografia machista, seriam apenas hilariantes, se não fossem
levadas a sério.