“Os países são feitos de pessoas,
e eu acredito que a maioria das pessoas é feita bem. É feita de valores
universais, que permitem a qualquer viajante sentir-se em casa quando se sente
rodeado desses valores. O sorriso, a solidariedade, o bom-senso, a alegria, a
música e a amizade valem mais que a corrupção, a desonestidade, o ódio, os
preconceitos raciais, os estereótipos sociais. Viajarei com o primeiro grupo de
valores na bagagem, para trocá-los por outros iguais ao longo da viagem. E como
não os quero só para mim, depois de trocá-los, irei partilhar tudo.”
Gonçalo Cadilhe, África Acima, Oficina do Livro, 2007, p. 19
Conforta-me saber que existem viajantes
experimentados que, depois de terem visto o mundo, ainda assim guardam uma
confiança incondicional no ser humano, esse perigoso animal mais imprevisível do
que um tubarão.
***
Não é que Gonçalo acredite viver
no melhor dos mundos, como o doutor Pangloss, na história de outro grande
optimista. Gonçalo não é ingénuo. Mas sabe que pode aventurar-se pelo mundo com
relativa segurança, uma vez que sempre existem ilhas com bons ancoradouros onde
poderá abrigar-se das tempestades.
Depois de ter lido as
desventuras de Serpa Pinto pelas terras da África Austral no final do século
XIX, e a história da travessia de Paul Theroux no século XX, do Cairo ao Cabo,
sinto curiosidade em saber como se sairá Gonçalo Cadilhe nesse continente que é
encanto e desencanto, que é sonho e pesadelo, que é tudo e o seu contrário.
Vou ler.








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