segunda-feira, junho 07, 2021

Prisioneiros da Geografia, de Tim Marshall


Tim Marshall, Prisioneiros da Geografia, Desassossego/Saída de Emergência, 2017


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A Geografia continua a contar, por muito virtual que seja o espaço onde muitos passem já os dias, alheios à materialidade da vida.

Duas citações:

Pensa-se que cerca de 25 por cento dos brasileiros vivam nos infames bairros de lata chamados favelas. Quando uma pessoa em cada quatro na população de um estado vive na mais abjecta pobreza, é difícil que esse estado enriqueça.

Tim Marshall, Prisioneiros da Geografia, 2017, pág. 215

 

A palavra «árctico» vem do grego artikos, que significa «perto do urso», e é uma referência à constelação da Ursa Maior, cujas últimas duas estrelas apontam para a Estrela Polar.

Tim Marshall, Prisioneiros da Geografia, 2017, pág. 224

 

Cinco estrelas para esta magnífico livro de Geografia e, dentro dela, Geopolítica.

sábado, junho 05, 2021

Desconfinamento bêbado

O Reino Unido retirou Portugal da lista “verde” de destinos para viajar. Que espanto! Que admiração?! Que injustiça?! Que irrazoabilidade?! Já se queixa, mais uma vez, o Silva dos Negócios Estrangeiros.

Onde é que já vimos este filme?

Tirar lições para quê?

Não aprendem nem aprenderam nada.

Vamos então dar os parabéns ao Medina, ao Costa, ao Cabrita, ao Moreira, ao Sousa e ao Silva da Federação, pela magnífica gestão do desconfinamento e pela ajuda que estão a dar ao sector do turismo deste país, pelos eventos que promoveram e apadrinharam.

Não conseguiam fazer um desconfinamento sóbrio, sem espavento? Não. Era preciso um desconfinamento bêbado.


Parabéns!


Entretanto no aeroporto de Faro já se iniciou nova debandada.

sábado, maio 29, 2021

Super spreaders


 Por umas libras, vende-se o país. Que venham os super spreaders, com o beneplácito dos que nos governam.


Um jogo, que deveria ser realizado em Inglaterra, será cá realizado, que os ingleses não querem bombas biológicas em terras de sua majestade, mesmo que as equipas oponentes sejam de Manchester e de Londres.


Cá na república, é o meu reino por uma libra.


António Costa ainda teve a lata de dizer que não há provas da correlação entre estes eventos (referia-se aos festejos sportinguistas) e o aumento das contaminações, contra todas as evidências espaciais e temporais.

E o Presidente, com a sua voz melíflua, chegou a sugerir um possível relaxamento dos limites traçados na matriz de risco, antes da reunião no Infarmed.


É bom saber que, chegada a reunião do Infarmed, os especialistas não foram em cantigas: "Grupo de peritos recomenda manter actual matriz de risco" (Público, 28 de Maio)


Entretanto aumenta o índice de transmissão no Reino Unido (Expresso, 28 de Maio).


Em países próximos do nosso, as vítimas mortais continuam a ser mais do que uma centena como é o caso da Alemanha (195, ontem), Itália (126), França (107) [dados da Worldometer] Tudo países muito menos desenvolvidos do que o nosso, como é bom de ver. Nós somos especiais.


Não. Não seremos todos responsáveis se as contaminações aumentarem na sequência destes eventos autorizados por políticos, edis incluídos. Os responsáveis têm nome e cargo político.

domingo, maio 16, 2021

Meu país, meu penico

Meu país, meu penico.

Penico à beira-mar plantado.

E viva a Inglaterra!




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Lido o livro em tempo record, Maria Filomena Mónica não se cansa de nos lembrar o quanto somos pequenos e tacanhos, mas com sonhos de grandeza. Para ela, grandes são os ingleses e a Universidade de Oxford onde estudou.

Dá muito crédito ao historiador Rui Ramos: “Ao contrário do que muitos defendem, Salazar nunca foi fascista” (pág. 157). No entanto, “O Estado Novo ajudou – de forma modesta, é certo – as tropas de Franco” (pág. 162), um fascista “ideologicamente próximo” de Salazar, acaba por referir.

O Meu País, Notas Sobre o Nacionalismo é a visão de uma burguesa liberal da “classe alta”, de um país onde, nas suas palavras, o amor à liberdade não medrou: “O que me dói é o facto de o amor à liberdade não ter encontrado, em Portugal, um solo onde pudesse medrar” (pág. 204), ao contrário da grande Inglaterra, por certo. E ainda assim, é no “pequeno” Portugal onde encontra, agora que lhe “foge a curta vida”, a oportunidade de “pensar, falar e escrever livremente” (pág. 209).

terça-feira, maio 11, 2021

Caminhada

Como sopra o vento alheio

À solidão das areias,
dos mares e das teias.

(A vila ao longe é Monte Gordo)

Caminho só à beira do mar,
Incansável e perplexo
Pela pandemia dos dias.

Que importa a fúria do mar
Se estou com o vento
E a solidão pela mão.

sábado, maio 01, 2021

domingo, abril 25, 2021

25 de Abril

Sempre!

Democracia.

Desenvolvimento.

Liberdade.




sábado, abril 17, 2021

3 000 000

 A vez da Índia.


233 943 casos num só dia!



Fonte: India COVID: 14,521,683 Cases and 175,673 Deaths - Worldometer (worldometers.info)

(consultado a 16/04/2021)

sexta-feira, abril 16, 2021

Pior do que o Apocalipse de São João

 


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«Mas nem será necessário o pior cenário do aquecimento global para provocar devastações suficientemente graves que sacudam a sensação habitual de que, à medida que o tempo avança a vida melhora de uma forma inelutável. Essas devastações, muito provavelmente, vão chegar depressa: novas linhas costeiras recuadas, com cidades afundadas à sua frente; sociedades desestabilizadas a atirarem com milhões de refugiados para sociedades vizinhas que já sentem o estrangulamento dos recursos a esgotarem-se; as últimas várias centenas de anos, que muitos no Ocidente viram como uma linha simples de progresso e prosperidade crescente, transformadas no prelúdio de um sofrimento climático massivo.»

 David Wallace-Wells, A Terra Inabitável, Lua de Papel, 2019. p. 255


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O que nos aguarda é pior do que o Apocalipse de São João e já aí está. Mas está só no começo.

Êxodos bíblicos - Honduras ruma ao norte

Veneza sob a água

Califórnia em fogo

A peste



Entretanto, aguardamos o Verão escondidos atrás de uma máscara sempre que saímos à rua.

Mais uma máscara.

domingo, abril 11, 2021

A antiga e a nova liberdade

 


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No que me toca, prefiro, de longe, a antiga liberdade.

«No mundo antigo – na Antiguidade pré-cristã, em particular na Grécia antiga, ou durante o longo reinado da cristandade -, a definição dominante da liberdade envolvia o reconhecimento de que necessitava de uma forma apropriada de autonomia. (…)

A liberdade, assim compreendida, não era fazer o que se quisesse, mas sim escolher o caminho certo e virtuoso. Ser livre era, acima de tudo, estar livre da submissão aos nossos desejos básicos, que nunca poderiam ser satisfeitos e cuja perseguição só podia criar mais desejos e descontentamento. Assim, a liberdade era a condição alcançada pelo autodomínio, pelo controlo dos nossos apetites e do desejo de domínio político.

A característica definidora do pensamento moderno foi a rejeição desta definição de liberdade em proveito de uma definição que nos é hoje mais familiar. A liberdade, definida pelos criadores do liberalismo moderno, era a condição na qual os seres humanos estavam completamente livres para perseguir tudo o que desejavam».

Patrick J. Deneen, Porque Está a Falhar o Liberalismo? Gradiva, 2019. pág.99

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sexta-feira, abril 09, 2021

Voltar a estar no mundo


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«Perfila-se uma nova sabedoria, uma nova aprendizagem da liberdade. A fractura digital ainda existe claro. No entanto, a desigualdade que emerge é completamente diferente: tratar-se-á de ter acesso, já não à conexão, mas à desconexão. Acesso, não à música, mas ao silêncio; não ao diálogo, mas à meditação; não à informação imediata, mas à reflexão aturada. Os seminários de desintoxicação tecnológica multiplicam-se. Os retiros espirituais nos mosteiros já não têm a mesma natureza: antes era preciso fugir do mundo para encontrar Deus; agora, é preciso fugir dos estímulos eletrónicos para, finalmente, voltar a estar no mundo.» 

Bruno Patino, A Civilização do Peixe-Vermelho, Gradiva, 2019, pág. 112.

sábado, março 20, 2021

Primavera ou Calíope?


Cosmé Tura, Primavera, 1463, Londres, National Gallery


 

 

Eis que se apresenta a Primavera nesta nova Era.

O mundo em convulsão espera o silêncio do Verão.

domingo, fevereiro 28, 2021

Um fogo sempre vivo

 Esta ordem do mundo [a mesma de todos] não a criou nenhum dos deuses, nem dos homens, mas sempre existiu e existe e há-de existir: um fogo sempre vivo, que se acende com medida e com medida se extingue.

Heraclito

in, Kirk, G.; Raven, J.; Schofield, M., Os Filósofos Pré-Socráticos, 6ª ed. Fundação Calouste Gulbenkian, 2008, p. 205

 

O fogo está na origem de todas as coisas. Não somos nós feitos do pó das estrelas? O fogo estará no fim de todas as coisas. Mas há quem anuncie um universo vazio e infinito em resultado de uma expansão incessante, em que as estrelas se perderão de vista e o céu dos mundos se tornará negro, sem pontos de luz. Um universo frio, uma solidão infinita.

 

Talvez nessa altura se construa uma abóbada virtual, a envolver o mundo, como num planetário, para que não nos sintamos sós. Um simulacro de céu estrelado.

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Ontem no Japão foi empossado o Ministro da Solidão. Justamente no país do sol nascente. O país que ostenta o fogo da manhã na sua bandeira. A pátria dos hikikomori. Decerto muitos japoneses, nas suas cidades luminosas, perderam a capacidade de ver o céu estrelado. Vivem sós num mundo cada vez mais artificial, nas estruturas e nas relações.

 

É-se só em Tóquio. Uma cidade (área metropolitana incluída) de 30 milhões de habitantes. A maior cidade do mundo. Não deixa de ser uma ironia. É exactamente na multidão que se encontra a solidão.

É exactamente no Japão que se encontra a solidão.





domingo, fevereiro 21, 2021

Tempo suspenso


Tempo suspenso

Cavalo suspenso

Terreiro suspenso


Vivemos num tempo suspenso, 

à espera de outro tempo.

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