A Grécia perdeu com a Alemanha (e o nosso Fernando Santos também).
Mas o grito será ainda o mesmo:
Viva a Grécia!
A Zona Euro está organizada (ou deveremos dizer, desorganizada?) como uma espécie de condomínio vertical com
dezassete condóminos e, pasme-se, com dezassete administradores. Ora assim não
há condomínio que funcione. Para que funcione, tem de haver um só
administrador, como é óbvio, ou seja, um só Governo. Caso contrário, a Zona
Euro continuará a oferecer o flanco à especulação financeira, que vai
explorando as fraquezas deste disfuncionamento.
«Somos incapazes de revolta e de
agitação. Quando fizemos uma “revolução” foi para implantar uma coisa igual ao
que já estava. Manchámos essa revolução com a brandura com que tratámos os
vencidos. E não nos resultou uma guerra civil, que nos despertasse; não nos
resultou uma anarquia, uma perturbação das consciências. Ficámos miserandamente
os mesmos disciplinados que éramos. Foi um gesto infantil, de superfície e
fingimento. Portugal precisa dum indisciplinador. Todos os indisciplinadores
que temos tido, ou que temos querido ter, nos têm falhado. Como não acontecer
assim, se é da nossa raça que eles saem? As poucas figuras que de vez em quando
têm surgido na nossa vida política com aproveitáveis qualidades de
perturbadores fracassam logo, traem logo a sua missão. Qual é a primeira coisa
que fazem? Organizam um partido... Caem na disciplina por uma fatalidade
ancestral.
Qual é a admiração? Ficaram indignados? Chocaram-se com o que ele disse?! Então ainda não sabiam? Passos é um
neoliberal e para um neoliberal, um
desempregado é apenas um trabalhador em trânsito entre dois empregos? É assim
que ele o vê. É assim que eles o consideram. Reduzem o homem a uma dimensão
apenas - o homo oeconomicus - quando
um homem é muito mais do que isso. Enfim, tudo reduzem à árida economia e às suas
leis do mercado.
«Enquanto o povo judeu foi vencido e disperso e entrou na amarga segunda
metade da sua história – em que o seu modelo poderia ter sido mais Ahasver do
que David -, o cristianismo prosseguiu a resistência judaica contra o império
romano a outro nível. O cristianismo
começou por se tornar uma grande escola de resistência, da coragem e da fé
encarnada; se o cristianismo fosse na época aquilo que é hoje na Europa, não
teria sobrevivido sequer cinquenta anos. Durante o império romano, os
cristãos tornaram-se a tropa de elite de uma resistência interior. Ser cristão
então significava não se deixar intimidar por nenhum poder no mundo, sobretudo
pelos imperadores-deuses romanos arrogantes, brutais e amorais cujas manobras
político-religiosas eram perfeitamente conspícuas.»