Auto-estrada Federal BR 222 que atravessa a Amazónia no estado do Pará
Primeiro vem a estrada com todas as suas promessas de progresso e civilização: um prenúncio de desflorestação e morte.
Não pensa ele noutra coisa. Ao dizê-lo, já está, na verdade, a acenar com mais austeridade. E
di-lo no dia em que aos funcionários públicos foi subtraído (usemos um eufemismo)
o subsídio de férias. Raia o cinismo. Já pondera mais austeridade. Só
faltam as medidas, mas ainda é cedo para falar delas. Aguardemos pois, que ele
e o governo que nos desgoverna ponderem o melhor momento para
desferirem a "boa nova". Talvez quando os portugueses estiverem na praia com a
família, quem sabe?
A Zona Euro está organizada (ou deveremos dizer, desorganizada?) como uma espécie de condomínio vertical com
dezassete condóminos e, pasme-se, com dezassete administradores. Ora assim não
há condomínio que funcione. Para que funcione, tem de haver um só
administrador, como é óbvio, ou seja, um só Governo. Caso contrário, a Zona
Euro continuará a oferecer o flanco à especulação financeira, que vai
explorando as fraquezas deste disfuncionamento.
«Somos incapazes de revolta e de
agitação. Quando fizemos uma “revolução” foi para implantar uma coisa igual ao
que já estava. Manchámos essa revolução com a brandura com que tratámos os
vencidos. E não nos resultou uma guerra civil, que nos despertasse; não nos
resultou uma anarquia, uma perturbação das consciências. Ficámos miserandamente
os mesmos disciplinados que éramos. Foi um gesto infantil, de superfície e
fingimento. Portugal precisa dum indisciplinador. Todos os indisciplinadores
que temos tido, ou que temos querido ter, nos têm falhado. Como não acontecer
assim, se é da nossa raça que eles saem? As poucas figuras que de vez em quando
têm surgido na nossa vida política com aproveitáveis qualidades de
perturbadores fracassam logo, traem logo a sua missão. Qual é a primeira coisa
que fazem? Organizam um partido... Caem na disciplina por uma fatalidade
ancestral.
Qual é a admiração? Ficaram indignados? Chocaram-se com o que ele disse?! Então ainda não sabiam? Passos é um
neoliberal e para um neoliberal, um
desempregado é apenas um trabalhador em trânsito entre dois empregos? É assim
que ele o vê. É assim que eles o consideram. Reduzem o homem a uma dimensão
apenas - o homo oeconomicus - quando
um homem é muito mais do que isso. Enfim, tudo reduzem à árida economia e às suas
leis do mercado.