"Alegrias", de Júlio Romero de Torressábado, outubro 20, 2007
quinta-feira, outubro 18, 2007
Sócrates revisitado
Ortega Y Gasset, O que é a filosofia?, Biblioteca Editores Independentes, pág. 103
Ouvi uma vez dizer alguém, supostamente citando Espinoza, que a humildade é a impotência dos fracos. Fiquei a pensar naquilo (e com muitas comichões). Então essa suposta virtude é afinal um defeito? Então a humildade não consiste no reconhecimento do quanto se é pequeno ou ignorante, ante a grandiosidade e os mistérios do universo e da existência?
Não foi Sócrates humilde, quando declarou que só sabia que nada sabia? E na verdade ao assumir essa sua ignorância, não demonstrou ele grande saber, e por isso, grandiosidade, força e magnificência? Talvez seja que a humildade nos fracos derive da impotência, e nos fortes, do saber. Mas o que é isso de ser fraco ou ser forte? Não é isso ser humano?
Um dia Karl Popper disse que “Seria desejável que por vezes nos lembrássemos que é precisamente no pouco que sabemos que somos diferentes, já que somos todos iguais na nossa ilimitada ignorância.” (*)
Portanto, ó intelectuais sapientíssimos! Ficai lá com a vossa altiva sapiência, que eu cá me fico com a minha ilimitada ignorância.
E boa noite!
quarta-feira, outubro 17, 2007
Do saber que não se sabe
Ora, arvoram-se do alto dos seus palanques,
doutos sobre a turba.
Aturdem-nos com o dedo em riste
nos seus distendidos discursos.
Esmagam-nos com tanta sapiência,
A nós, os ignaros que os escutamos,
Homens sem ciência, mas com muita paciência.
Que sabemos apenas que nada sabemos.
E curvamo-nos ante o senhor doutor professor juiz,
Homo sapiens sapiens,
que sabe que sabe! Mas não sabe que não sabe!
Homem falho na humildade,
Homem morto na acção.
sábado, outubro 13, 2007
Manadas de bisontes empurradas pelo vento.
ODE A WALT WHITMAN (de Garcia Lorca)os rapazes cantavam mostrando as cinturas.
Com a roda, o óleo, o coiro e o martelo
noventa mil mineiros arrancavam a prata das rochas
e os garotos desenhavam escadas e perspectivas.
Porém nenhum adormecia,
nenhum queria ser rio,
nenhum amava as grandes folhas,
nenhum, a língua azul da praia.
Pelo East River e pelo Queensborough
os rapazes lutavam com a indústria,
os judeus vendiam ao fauno do rio
a rosa da circuncisão
e o céu desembocava por pontes e telhados
manadas de bisontes empurradas pelo vento.
Porém nenhum se detinha,
nenhum queria ser nuvem,
nenhum procurava os fetos
nem a roda do tamboril.
Quando a lua nascer,
as polés rodarão para turvar o céu;
um limite de agulhas cercará a memória
e ataúdes serão levados aos que não trabalham.
Nova Iorque de lama,
Nova Iorque de arame e de morte:
Que anjo levas oculto na tua face?
Que voz perfeita dirá as verdades do trigo,
o sonho terrível das tuas anémonas manchadas?
Nem um só momento, velho e formoso Walt Whitman,
deixei de olhar a tua barba cheia de borboletas,
os teus ombros de bombazina gastos pela lua,
as tuas coxas de Apolo virginal,
a tua voz como coluna de cinza;
ancião formoso como a bruma,
que gemias como um pássaro
com o sexo atravessado por uma agulha.
Inimigo do sátiro.
Inimigo da vide
e amante dos corpos ocultos por tecidos grosseiros.
Nem um só momento, formosura viril,
que em montes de carvão, vias-férreas e anúncios,
sonhavas ser um rio e dormir como um rio
com aquele camarada que poria no teu peito
uma pequena dor de ignorante leopardo.
Nem um só momento, Adão de sangue, Macho,
homem sozinho no mar, velho e formoso Walt Whitman,
porque nas esplanadas,
agrupados nos bares,
saindo em cachos das sargetas,
tremendo entre as pernas dos chauffeurs
ou girando nas plataformas do absinto,
os maricas, Walt Whitman, apontam-te.
Também esse! Também! E despenham-se
na tua barba luminosa e casta,
loiros do Norte, negros das areias,
multidões de gritos e ademanes,
como os gatos e as serpentes,
os maricas, Walt Whitman, os maricas
turvos de lágrimas, carne para chicote,
bota ou mordedura de domadores.
Também esse! Também! Dedos pintados
apontam a margem do teu sonho,
quando o amigo come a tua maçã
com um leve sabor a gasolina,
e o sol canta nos umbigos
dos rapazes que brincam sob as pontes.
Mas tu não procuravas olhos arranhados
nem o pântano sombrio onde afogam os garotos,
nem a saliva gelada,
nem as curvas feridas como panças de sapos
que levam os maricas em carros às esplanadas
enquanto os fustiga a lua pelas esquinas do terror.
Tu procuravas um nu que fosse como um rio.
Toiro e sonho que junte a roda à alga,
pai de tua agonia, camélia da rua morte
e gemesse nas chamas do teu Equador oculto.
Porque é justo que o homem não procure o prazer
na selva de sangue da manhã mais próxima.
O céu tem praias onde evitar a vida
e há corpos que não devem repetir-se na Aurora.
Agonia, agonia, sonho, fermento e sonho.
Assim é o mundo, amigo, agonia, agonia.
Apodrecem os mortos sob o relógio das cidades,
passa a guerra chorando com um milhão de ratas cinzentas,
os ricos dão às suas amantes
pequenos moribundos iluminados,
e a Vida não é nobre, nem boa, nem sagrada.
Pode o homem, se quiser, conduzir o desejo
por veia de coral ou nu celeste;
amanhã todo o amor será rocha, e o Tempo
uma brisa que chega adormecida pelos ramos.
Por isso não ergo a minha voz, velho Walt Whitman,
contra o garoto que escreve
um nome de menina na sua almofada,
nem contra o jovem que se veste de noiva
na penumbra da sua alcova,
nem contra os solitários dos casinos
que bebem com nojo a água da prostituição,
nem contra os homens de olhar verde
que amam outro homem queimando os lábios em silêncio.
Mas sim contra vós, maricas das cidades,
de carne apodrecida e pensamento imundo.
Mães de lodo. Harpias. Inimigos sem o sonho
do Amor que reparte grinaldas de alegria.
Contra vós sempre, que aos rapazes dais
gotas de suja morte com veneno amargo.
Sempre contra vós,
Faeries da América,
Pájaros de Havana,
Jotos do México,
Sarasas de Cádis,
Apios de Sevilha,
Cancos de Madrid,
Floras de Alicante,
Adelaides de Portugal.
Maricas de todo o mundo, assassinos de pombas!
Escravos da mulher, cadelas de seus toucadores,
abertos nas praças com febre de leque
ou emboscados em hirtas paisagens de cicuta.
Não haja trégua! A morte
irrompe dos vossos olhos
e junta flores de cinza na margem do lodo.
Não haja tréguas! Alerta!
Que os confundidos, os puros,
os clássicos, os predestinados, os suplicantes
vos fechem as portas da bacanal.
E tu, belo Walt Whitman, dorme nas margens do Hudson
com a barba virada ao pólo e as mãos abertas.
Argila branca ou neve, a tua língua chama
Camaradas que velem tua gazela sem corpo.
Dorme, não fica nada.
Uma dança de muros agita as pradarias
e a América afoga-se em máquinas e pranto.
Quero que o ar forte da noite mais profunda
tire flores e letras do arco onde dormes
e um garoto negro anuncie aos brancos do oiro
a chegada do reino das espigas.
Por Garcia Lorca
Traduzido por Eugénio de Andrade
sexta-feira, outubro 12, 2007
Epílogo – Resposta a Marx
O opressor por sua vez torna-se vítima da sua opressão, muitas vezes sem tomar consciência disso, ou por outras palavras, o opressor é oprimido pela sua própria acção de oprimir. É como refere Steiner: “O carrasco tortura a sua vítima e condena-se desse modo a ser uma eterna vítima.”*
E há ainda outra questão (para dizer a verdade, há muitas questões), que é essa ideia de a religião ser o ópio do povo. Ainda que possamos considerar que assim seja, o mesmo não o poderemos referir relativamente à religiosidade. Pois se religiosidade e religião forem consideradas a mesma coisa, então o homem anda entorpecido na dormência do ópio, desde o momento em que se tornou homem. É que a religiosidade é uma dimensão do ser humano. Ela é apenas o terreno (solo) de onde brotam as religiões. Por isso encontramos religiões por todo o planeta, cada uma com o seu deus ou os seus deuses, paradoxalmente, únicos e omnipresentes. Mas o facto de o homem possuir a religiosidade como uma das suas dimensões, tal não significa que tenha de professar necessariamente uma religião. E se as religiões são formas de apropriação da dimensão religiosa de cada homem visando atingir relações de dominação ou prevalência de uns sobre outros (todas as religiões têm os seus sumo-sacerdotes, xamãs, curandeiros, mediadores entre o mundo de além e o mundo de aquém, supostamente detentores de informação privilegiada, e informação é poder, e daqui à dominação e à opressão são dois passos), a religiosidade inerente a cada homem não é disso que se trata. Sabendo isto, é um erro querer negar a religiosidade potencial e inerente a cada homem, para dessa forma se anularem os efeitos perversos das religiões – um dos quais, dividir os homens, antagonizando posições. O objectivo perene do ecumenismo é a prova das eternas divisões. Ora, nesta questão da religião ser o ópio do povo, confundiu-se a religião com a religiosidade. E assim muitos querem despir a sua religiosidade como quem despe um casaco, como se isso fosse possível, quando a religiosidade lhes está entranhada na sua própria humanidade. É que podemos não professar uma religião, mas não podemos negar a nossa religiosidade.
Marx contudo, foi um verdadeiro filósofo, um cientista social, que, tal como Tocqueville, realizou uma análise certeira à sociedade do seu tempo, e adoptou uma concepção materialista da história que, em grande parte o levou a conclusões acertadas e a projecções que vieram, com efeito a verificar-se, tais como, a globalização alimentada pelo capitalismo insaciável, as causas das crises cíclicas do capitalismo ou as relações sociais e económicas determinadas pelo capitalismo – o sistema vigorante.
(*) – in Ramin Jahanbegloo, Quatro entrevistas com George Steiner, Fenda, pág.63
terça-feira, outubro 09, 2007
Do medo de perder o emprego
Graffiti que pode ler-se nalgumas paredes suburbanas da Margem Sul. Autor desconhecido. (Talvez escrito na “clandestinidade” por um lunático esclarecido, ou, por algum esclarecido e por isso, lunático.)
Até agora, toda a sociedade se baseou, como vimos, na oposição entre classes opressoras e classes oprimidas. Mas para poder oprimir uma classe é necessário assegurar-lhe determinadas condições em que ela possa, pelo menos, continuar a sua existência servil.
Karl Marx, «Kommunistiches Manifest», in Patrick Gardiner, Teorias da História. FCG. 4ª ed.
Quanto mais precário for o emprego, ou por outras palavras, quanto mais flexível for, mais estarão reunidas as condições de opressão e para a existência servil de uma classe. E assim, viva a flexisegurança!
Flexisegurança?!
Como se existisse segurança no emprego flexível. Querem convencer-nos que a Lua é cúbica.
Talvez por isso mesmo, o maior factor de liberdade seja não ter emprego, principalmente quando o emprego passa a ser um factor de escravatura. Por outras palavras, o melhor é não ser empregado do Príncipe, do Senhor, do Estado ou da Multinacional. Talvez só se seja livre, realmente livre, trabalhando para os outros, sem ser empregado de ninguém.
domingo, outubro 07, 2007
Sus! Marx outra vez?!
Karl Marx (1818-1883), «Kommunistiches Manifest», in Patrick Gardiner, Teorias da História. FCG. 4ª ed. Pág. 164.
Eis a abertura dos mercados orientais, da China e da Índia e de outras chinas e índias, lá, onde a vida humana, assim como o trabalho, de tão numerosa que é se desvaloriza, como se uma lei económica caprichosamente se aplicasse também às vidas humanas, tal como ao trabalho. É nestes países, onde todos os dias os direitos humanos são pisados, que agora se instalam as empresas geradoras de riqueza no mundo – uma riqueza desigualmente distribuída, entenda-se.
É que já no século XIX, Marx havia notado:
Quanto menos habilidade e demonstração de força o trabalho manual exige, isto é, quanto mais a indústria moderna se desenvolve, mais o trabalho dos homens é substituído pelo das mulheres e das crianças.
Karl Marx, «Kommunistiches Manifest», in Patrick Gardiner, Teorias da História, FCG. 4ª ed. pág. 165
E David Landes, um historiador actual, crítico de Marx, também o nota:
A história dos primórdios da industrialização é invariavelmente uma crónica de trabalho árduo por baixo salário, para não falar de exploração. Uso esta última palavra, não no sentido marxista de pagar ao trabalho menos do que o seu produto (que outro modo haveria de o capital receber a sua recompensa?), mas no sentido significativo de obter mão-de-obra compulsória de pessoas que não podem dizer «não» - de mulheres e crianças, escravos e semiescravos (os involuntários servos da gleba).
David Landes, A Riqueza e a Pobreza das Nações, Gradiva, 6ª edição. Pág. 427.
É claro, que actualmente tal só ocorre nalguns lugares do mundo.
Numa versão mais actual desta evidência, os que realmente pagam a factura da globalização económica e financeira (leia-se, do desenvolvimento da "indústria" moderna), os mais fracos, já não são as mulheres nem as crianças das sociedades ocidentais, mas sim os ingénuos e oprimidos trabalhadores do outro mundo – esse a que convencionaram chamar de Terceiro, como se não tivéssemos nada com aquilo.
sexta-feira, outubro 05, 2007
A crise aí está
Karl Marx, Manifesto Comunista, in Patrick Gardiner, Teorias da História
Ufanam-se os economista americanos Samuelson e Nordhaus, o primeiro, Prémio Nobel de Economia em 1970, com as “profecias erradas” de Marx, em particular as que previam a degradação das condições de vida dos trabalhadores. Dizem eles na sua bíblia da Economia, lida e estudada por estudantes universitários de todos os cantos do Mundo:
Estas foram as profecias que inspiraram gerações de radicais da velha e da nova esquerda. Com o passar das décadas, contudo tornou-se claro que a história não estava a seguir o guião de Marx. Os trabalhadores estavam a beneficiar de salários reais cada vez maiores e de menos horas de trabalho e a parcela do trabalho no rendimento nacional estava a crescer lentamente. (…) E quando Keynes escreveu a sua Teoria Geral em 1936 deu nova vida e renovou a fé no capitalismo misto. Samuelson e Nordhaus Economia, 14ª Edição. MacGraw-Hill, pág. 447.
Há muito que os economistas e filósofos se tinham apercebido das crises cíclicas do capitalismo, desde Juglar, passando por Kondratief a Schumpeter, para não mencionar Marx. E se o capitalismo se renovou com Keynes, tal só aconteceu, porque o mesmo reescreveu as regras do jogo. Com Keynes, o capitalismo deixa de ser puro e passa a ser misto, e porquê? Porque advoga a intervenção do Estado para corrigir, exactamente, as desregulações em que ciclicamente o mercado cai e as ineficiências de que o mesmo padece, em particular, no que concerne à redistribuição da riqueza. Por outras palavras, se o mercado for deixado a funcionar por si próprio, não haverá nenhuma mão invisível que a prazo o coloque nos eixos. Com Keynes, é o Estado que toma o lugar dessa inexistente mão invisível. Assim, após 1929 até final da década de 70, tivemos com efeito, um “capitalismo misto” que elevava os salários reais sendo cada vez menos as horas de trabalho.
Após o início da década de 80, com os governos de Tatcher e de Reagan, desencadeia-se o monetarismo de Milton Friedman e as políticas económicas keynesianas passam a ser consideradas obsoletas: o capitalismo puro instalou-se outra vez lentamente e, defendem os novos arautos do capitalismo, o papel do Estado enquanto regulador da economia e do mercado deve ser mínimo.
Se assim é, porque nos admiramos com o regresso das crises cíclicas, e das exigências para se trabalhar mais horas por semana e mais tempo na vida? Porque nos admiramos com a quebra dos salários reais, com o crescente número de desempregados e com o medo generalizado de se perder o emprego? Na verdade, é com esse medo que hoje joga o opressor. E parece ser uma grande verdade, aquela que li nas paredes das ruas suburbanas: a melhor arma do opressor é a cabeça do oprimido.
Alan Greenspan diz que está optimista, que a tempestade há-de passar. Mas já percebemos que é só para nos dar alguma confiança. E Jean-Claude Trichet, esse, já não sabe o que fazer com as taxas de juro. O que se sente na verdade, é a incerteza e a insegurança, pois quando se está verdadeiramente confiante, não é necessário afirmá-lo.
segunda-feira, outubro 01, 2007
A condição do português e dos homens valorosos
Padre António Vieira, Sermão de Santo António.
Com efeito, a terra inteira é o túmulo dos homens valorosos, e não é somente o epitáfio nos mausoléus erigidos em suas cidades, que lhes presta homenagem…
Tucidides, História da Guerra do Peloponeso
domingo, setembro 30, 2007
Aqui, na Arcádia

Aqui na Arcádia, pendem até ao chão os ramos das oliveiras, carregadas de azeitonas, inchadas e verdes, e o perfume das estevas ainda inunda o ar húmido da tarde. Ébrio com o seu perfume, caminho nas margens das ribeiras, sob as laranjeiras prenhes de flores e frutos, e sob as figueiras odoríferas. É aqui que o Verão se esconde, nestes vales apertados e profundos das serras de xisto. E é aqui que se revela ainda. Aqui, os homens repetem gestos ancestrais: enchem de carícias e cuidados as plantas das suas hortas e as ovelhas que os seus cães guardam com zelo. E assim se renovam os ciclos.
Aqui na Arcádia onde deambulo, o mundo parece coisa longínqua, mas não está longe. Quando desço da Serra ao Algarve, lá onde fervilham as cidades, é grande o linguarejar e são estrangeiros os que sobressaem, vindos no Norte, lá da terra de Sua Majestade. Divirto-me a pensar numa colónia em formação, numa nova Gibraltar, e numa armada que virá um dia, se necessário, em sua protecção. Os súbditos de Sua Majestade, já se aproximam do lugar onde o Verão se esconde. E se revela, ainda.
domingo, setembro 23, 2007
Nos mares da Filosofia

Este mundo (esta ordem do mundo – κόσμος), o mesmo para todos, nenhum dos deuses, nenhum dos homens o fez, mas sempre foi, é e será, fogo sempre vivo, aceso de acordo com a medida, apagado de acordo com a medida.
Heraclito
fragmento 30 de DIELS
Abandonemos os dias apocalípticos à espuma dos dias,
E naveguemos no palpitante Universo, muito mais profundo.
Universo sempiterno, sistólico e diastólico, pulsante como um coração.
Universo de fogo sempre vivo, aceso de acordo com a medida, apagado de acordo com a medida.
Rumemos novamente para mares nunca antes navegados.
Porque navegar é preciso e viver não.
É preciso varrer de novo o horizonte com o olhar.
Demandar a Ilha dos Amores* com as suas Ninfas.
(*) – Pequeno agradecimento a quem, surpreendentemente para este Robinson, descobriu alguns tesouros nesta árida e solitária ilha, perdida algures nos mares do Sul.
quinta-feira, agosto 30, 2007
O fim do mundo, todos os dias

Hoje porém começo a perceber que já estamos a viver o fim do mundo. E ainda que possa durar séculos, à escala do tempo geológico será uma questão de segundos. Todos os anos, sucessivamente, o planeta na sua translação oferece os seus bojos ao Sol. De Setembro a Março, o hemisfério sul, e de Março a Setembro, o hemisfério norte. E assim se explica o Verão, ou melhor, a estação quente, alternada em cada hemisfério. É precisamente nessa estação que cada hemisfério é brindado com fogos ardentes que consomem as florestas e as obras dos homens. Ora arde a Austrália, ora a Califórnia, ora a Amazónia, ora a Europa, e por aí fora. Em alternância é o planeta inteiro que aquece e arde, continuamente.
Quando contemplo as chamas devoradoras tragando os campos da Grécia e as encostas do Olimpo é o fim do mundo que me vem à ideia.
Imagino uma outra civilização extra-planetária que ao chegar à Terra, daqui a milénios, ao contemplar os vestígios e as ruínas da nossa civilização, irá por certo concluir que nos últimos dias lutámos contra o fogo em todo o planeta e que nesse inferno sucumbimos.
terça-feira, agosto 28, 2007
O anonimato na blogosfera
É porém uma grande cobardia denegrir alguém, escudado no véu do anonimato. Neste caso o anónimo torna-se tão abominável como o delator. E não há pior delator que o delator anónimo.
domingo, julho 15, 2007
Lisboa tem medo*
Tem medo de perder o poder que julga ter, a sua proeminência em relação ao resto do país. Como se Lisboa fosse Portugal e o resto paisagem. Lisboa sente o poder escapar-lhe e tem medo. Tem medo de perder o “prestígio” que já não tem, se é que alguma vez o teve. Nunca se apercebeu que é uma cidade provinciana. Até Eça, ao escolher uma cidade a opor às suas serras, escolhe Paris. Paris é a Cidade, Lisboa não.
Lisboa tem medo que lhe retirem o aeroporto debaixo das suas saias e não se apercebe que as maiores capitais têm os seus aeroportos principais a dezenas de quilómetros do seu centro (curiosamente, Lisboa, não tem medo que lhe caia um avião em cima!).
Lisboa tem medo da auto-estrada que liga o Norte ao Sul do país, sem que seja necessário passar por ela. Que desconsideração!
Lisboa tem medo da regionalização – isso seria devolver o poder ao resto de Portugal, à “paisagem” – e Lisboa tem medo de perder o poder que ainda tem.
Lisboa é um sorvedouro de dinheiros públicos e privados e já é um escolho ao desenvolvimento do país. Concentra em si cada vez mais, os poucos recursos que o país produz ou possui. E numa situação de má gestão, de má política, numa situação desesperada, tudo quer para si, mesmo que isso signifique o empobrecimento progressivo das outras cidades e regiões. Em dias de apertado orçamento, o pouco que há, o pouco que ainda resta, vai para Lisboa. Lisboa é um buraco negro que colapsa sobre si mesmo. Resultado: noutros lugares e regiões, mais ou menos distantes deste país, encerram maternidades, escolas, postos de correio, esquadras da polícia, hospitais e centros de saúde, etc. Acelera-se o despovoamento do interior. As universidades de província definham e ameaçam encerrar. Há cursos que encerram com a falta de estudantes, disputados pelas numerosas universidades de Lisboa.
Mas o país não dorme e aos poucos apercebe-se que o seu desenvolvimento não passa por Lisboa. Esta é antes um desafio a vencer. Algumas cidades e regiões revelam um dinamismo potencial que não se vê em Lisboa, e começam a traçar caminhos que não passam por lá.
domingo, junho 24, 2007
Da Andaluzia...

Não tem laranjas o mar,
nem Sevilha tem amor.
Morena, que luz de fogo.
Empresta-me o guarda-sol.
Pôr-me-á a cara verde
- sumo de lima e limão -,
tuas palavras – peixinhos –
virão nadar em redor.
Não tem laranjas o mar.
Ai amor.
Nem Sevillha tem amor!
Garcia Lorca (1898-1936), traduzido pelo poeta Eugénio de Andrade.
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Talvez a lua nas noites de estio.
Talvez as esguias silhuetas das andaluzas ao luar,
esgueirando-se nas ruas estreitas e serpenteantes
onde ecoam as guitarras e soa o flamenco.
Nas bodegas escondidas e animadas, dançam e cantam.
Talvez os laranjais aromáticos.
O Guadalquivir, o Darro e o Genil.
Sevilha, Córdova e Granada.
A Serra Nevada, quente e gelada.
Talvez as brancas e apinhadas aldeias de Jerez. O quente sabor do vinho.
A frescura da tarde, nas margens dos rios…
O flamenco e a guitarra, mais uma vez!
A pintura, a poesia e a dança.
O sangue e a tourada. A vida e a morte.
Talvez o que cantam os poetas andaluzes, os de agora e os de sempre,
Sim, esses mesmos, os que quando cantam parece que estão sós.
Talvez o mar andaluz, Atlântico e Mediterrânico.
E sem dúvida, a fiesta e a siesta.
Errar na Andaluzia é um prazer.
Também nas minhas veias corre sangue andaluz.
E sei-o porque o sinto.
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