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O acórdão do Tribunal
Constitucional não podia ter vindo em melhor hora para Pedro Passos Coelho
(PPC) e o seu Governo. Acaba por servir como mais um amparo à tomada de
decisões de austeridade que por certo já estavam a ser ponderadas face ao novo
e ampliado buraco orçamental. (Já antes tínhamos dito aqui - naquela noite de 13 de Outubro de 2011 de má memória - que iríamos caminhar de buraco em buraco até ao buraco final. Parece que se confirma.)
Uma vez investido sobre o mundo humano, o medo adquire um ímpeto e uma
lógica de desenvolvimento próprios e precisa de poucos cuidados e praticamente
nenhum investimento adicional para crescer e se espalhar – irrefreavelmente.
“Desde há quinze anos que a profunda regressão mental das classes
dirigentes e dos quadros políticos que conduziu à «liberalização» a todo
o custo da economia (da qual em França os «socialistas» foram os heróicos
protagonistas) e à globalização cada vez mais efectiva da produção e das trocas
comerciais, tiveram como consequência a perda do controle por parte dos Estados
das suas próprias economias. Como era de esperar, foram acompanhadas por
uma expansão da especulação que, a cada dia que passa, transforma ainda mais
a economia capitalista num casino.”
Não pensa ele noutra coisa. Ao dizê-lo, já está, na verdade, a acenar com mais austeridade. E
di-lo no dia em que aos funcionários públicos foi subtraído (usemos um eufemismo)
o subsídio de férias. Raia o cinismo. Já pondera mais austeridade. Só
faltam as medidas, mas ainda é cedo para falar delas. Aguardemos pois, que ele
e o governo que nos desgoverna ponderem o melhor momento para
desferirem a "boa nova". Talvez quando os portugueses estiverem na praia com a
família, quem sabe?
A Zona Euro está organizada (ou deveremos dizer, desorganizada?) como uma espécie de condomínio vertical com
dezassete condóminos e, pasme-se, com dezassete administradores. Ora assim não
há condomínio que funcione. Para que funcione, tem de haver um só
administrador, como é óbvio, ou seja, um só Governo. Caso contrário, a Zona
Euro continuará a oferecer o flanco à especulação financeira, que vai
explorando as fraquezas deste disfuncionamento.