Photograph: Maxim Shipenkov/EPA
terça-feira, fevereiro 19, 2013
domingo, fevereiro 17, 2013
Terá o Papa abandonado a cruz?
REUTERS/ANSA/ALESSANDRO DI MEO
Agora que a poeira assentou, a
excepcional situação criada pela resignação do Papa levanta um conjunto de questões
sensíveis, em particular, aos católicos. Logo após a resignação do Papa pelos
motivos que se conhecem, ouviram-se vozes enaltecendo o acto, como sendo um
feito corajoso e perfeitamente aceitável, dadas as circunstâncias pessoais (físicas)
em que o Santo Padre se encontra. Poderíamos dizer contudo, que coragem seria
o Papa ficar no seu lugar até à morte, não obstante o seu sofrimento. A verdade
é que nunca, nos últimos 598 anos, um Papa abandonou a sua cruz. A verdade é
que a Paixão de Cristo encerra a mensagem de que cada um tem a sua cruz para
carregar, que o Salvador carregou a dele
(nas palavras do filósofo Miguel de Unamuno, na sua obra Do Sentimento Trágico da Vida). Que viver também é sofrer*. Assim,
esta abdicação não deixa de ser um sinal de grande fraqueza e crise no seio do
catolicismo. Por isso se compreende a pressa dos sacerdotes em normalizarem uma
situação irregular e que só enfraquece a Igreja.
_______________________________
(*) Consta que, num suposto certame, Homero foi questionado relativamente à melhor coisa que poderia acontecer aos
mortais, ao que o Poeta respondeu que “o
melhor para os mortais que habitam sobre a terra é não nascer; mas tendo
nascido, ultrapassar sem demora os portões do Hades.” (Já aqui fizemos referência a esta questão). O que queria dizer Homero com tão desgraçada
resposta, que não o favoreceu no referido certame? Que viver implica sofrer e
depois morrer, e que, quanto menor for a duração da vida, menor será o
sofrimento. É um ponto de vista difícil de aceitar nos nossos hedónicos tempos,
mas assim é. Viver implica carregar com essa cruz do sofrimento. Ora o Papa não
morreu, mas alijou a sua carga ao descer da cruz. Porém, do ponto de vista de um
católico, não se pode descer da cruz. Ou por outras palavras, não é lá muito
católico descer da cruz.
Quanto à cruz da Igreja, outro a
carregará, pois em breve teremos Papa, mas fica sempre a questão relativa ao
exemplo do Papa que abandonou a cruz antes do momento
habitualmente determinado por Deus – o momento da morte. Terá o Papa contrariado os desígnios de
Deus ao resignar por decisão pessoal e portanto, por decisão humana? Ter-se-á o Homem antecipado a Deus?
Consta que já relampejou na alta cúpula da basílica de São Pedro. Estará Deus zangado?
Etiquetas:
Papa Bento XVI,
Religião
Entretanto na Síria
Entretanto na Síria, os morteiros
continuam a semear a morte. Volvidos dois anos de revolução morreram cerca de
70 000 pessoas de ambos os lados, noticia a BBC. Quantas mortes poderiam ter
sido evitadas se o ditador tivesse resignado a tempo de evitar o
recrudescimento do conflito? A violência contra os primeiros manifestantes fez
as suas primeiras vítimas, e a partir daí cresceu como uma bola de neve. Eis a
prova mil vezes repetida de que a violência gera violência. O ciclo só pode ser
parado com a cedência de uma das partes ou a derrota militar de uma delas, o
que não se adivinha para breve.
Curiosamente parecemos estar a
assistir ao tipo de guerras quentes comuns no tempo da Guerra Fria, quando as
superpotências se furtavam ao conflito directo entre si. O Bashar tem atrás de
si o apoio da Rússia, da China, do Irão, etc. e os rebeldes, o apoio do
Ocidente e da Turquia.
Quem sofre? O povo sírio.
sábado, fevereiro 16, 2013
Delichon urbicum
Este ano chegaram cedo. Ontem avistámos as primeiras andorinhas-dos-beirais do ano, vindas de África. Hoje vimo-las atarefadas em Cabanas de Tavira, na construção dos ninhos.
Anunciam a aproximação da Primavera. Ficarão até ao fim do Verão.
sexta-feira, fevereiro 15, 2013
Talvez o maior saque da história, a seguir ao resgate de Atahualpa
David
Landes na sua magnífica obra, A Riqueza e
a Pobreza das Nações, narra o destino do Madre de Deus, um navio português do tempo em que a Ibéria era hiperpotência:
«Os Romanos tinham um aforismo, Pecunia non olet – “O dinheiro não cheira”. As pessoas podem
não gostar do modo como ele é arranjado ou da pessoa que o conseguiu, mas
gostam do dinheiro e irão aceitá-lo.
Num outro sentido, porém, o dinheiro cheira
fortemente e o seu odor atrairá gente de toda a parte.
Em 1592, a Inglaterra estava em guerra
contra a Espanha e Portugal, que, como já vimos, fora unido à coroa espanhola
pelo jogo do casamento e da herança. Cerca de quatro anos antes, os Ingleses
tinham repelido uma invasão espanhola e puseram a pique as embarcações inimigas
(a pretensa Armada Invencível). Agora, uma esquadra inglesa estava a postos ao
largo dos Açores para interceptar e capturar navios espanhóis provenientes do
Novo Mundo, talvez carregados com tesouros do México e do Peru, quando lhe
surgiu uma carraca portuguesa. Era a Madre
de Deus, de regresso da Índia e que rumava para Lisboa.
Era maior do que qualquer navio em que os
Ingleses já tivessem posto os olhos: 165 pés de comprimento, 57 pés de boca,
1600 toneladas, três vezes o tamanho da maior embarcação existente na
Inglaterra; sete cobertas, 32 canhões e outras armas, superstrutura em talha
dourada; e porões repletos de tesouros.
Ali estava a matéria-prima dos seus sonhos -
arcas abarrotadas de jóias e pérolas, moedas de ouro e de prata, âmbar mais
velho do que a Inglaterra, peças do mais fino tecido, tapetes dignos de um
palácio, 425 toneladas de pimenta, 45 de cravo-da-índia, 35 de canela, 3 de
macis, 3 de noz-moscada, 2,5 de benjoim (resina balsâmica, altamente aromática,
usada como base para perfumes e preparados farmacêuticos), 25 de cochinilha
(corante feito dos corpos secos das fêmeas de um insecto encontrado em climas
semitropicais), 15 de ébano. Mesmo antes que o comandante da esquadra inglesa
pudesse tomar a presa a seu cargo, a sua alvoroçada tripulação já tinha
atulhado os bolsos com tudo o que era possível.
Quando o navio apresado entrou no porto de
Dartmouth, destacou-se muito para além dos outros navios e dos telhados das
pequenas casas ao longo do cais. Comerciantes, correctores, vigaristas,
batedores de carteiras e ladrões surgiram de muitos quilómetros em redor,
vindos até de Londres e de mais longe, atraídos como abelhas para o mel - para
visitar o barco (os pescadores locais trafegaram incessantemente, e por alto
preço, entre o barco e a margem) e procurar marinheiros bêbados nas tabernas e
espeluncas, com a intenção de comprar, roubar, furtar e saquear a presa. Pela
lei Inglesa, uma grande parcela dos bens apreendidos era devida à rainha e,
quando Elizabeth soube o que estava a acontecer, mandou Sir Walter Raleigh até
lá para resgatar o seu dinheiro e punir os saqueadores. «Tenciono deixá-los tão
nus como estavam ao nascer», prometeu o valente Sir Walter, «pois Sua Majestade
foi roubada e das mais raras e valiosas coisas».
Quando Sir Walter ficou senhor da situação,
um carregamento avaliado em meio milhão de libras - quase metade de todo o
dinheiro do erário - tinha sido reduzido a 140 000 libras. Mesmo assim, foram
necessários dez cargueiros para transportar o tesouro, contornando a costa e
subindo o Tamisa até Londres. Depois do resgate de Atahualpa, este foi talvez o
maior saque da história. Esse naco de fortuna, essa prelibação das riquezas do
Oriente, galvanizaram o interesse inglês por essas terras distantes e colocaram
o país (e o mundo) num novo rumo.
Os Ingleses aprenderam outra lição com o Madre de Deus. Quando, alguns anos
depois, um rico navio apresado foi conduzido ao Tamisa para ser descarregado,
os homens que executaram a tarefa receberam como roupa de trabalho “gibões de
tela sem bolsos”».
David Landes, A Riqueza e a Pobreza
das Nações, Por que são algumas tão ricas e outras tão pobres, 6ª ed. Gradiva,
2002, pp. 165-167
***
Curiosamente
o subtítulo da obra “Por que são algumas [nações] tão ricas e outras tão pobres” acaba
por ser muito bem elucidado no trecho acima. Tudo se baseia na guerra, no
comércio, no roubo, no furto e no saque. E assim se fez a glória dos impérios.
O saque
prossegue entretanto, assumindo novas formas, mantendo porém a sua velha essência.
E assim
se constroem as riquezas e as pobrezas do mundo.
Mas no
que nos toca, tem a palavra Fernando Pessoa n’Os Colombos:
Os Colombos
Outros haverão de ter
O que houvermos de perder.
Outros poderão achar
O que, no nosso encontrar,
Foi achado, ou não achado,
Segundo o destino dado.
Mas o que a eles não toca
É a Magia que evoca
O Longe e faz dele história.
E por isso a sua glória
É justa auréola dada
Por uma luz emprestada.
Fernando Pessoa, Mensagem
Etiquetas:
David Landes,
Fernando Pessoa,
História,
Navios,
Poesia
quinta-feira, fevereiro 14, 2013
É o Governo, estúpido!
Há quem se refira ao Estado quando
se deveria referir ao Governo e vice-versa. Será que nos querem confundir ou
estão confundidos? Isto chega a acontecer até com ex-governantes (refiro-me a F.J.Viegas, aqui), que apontam o
dedo ao Estado, quando consideram absurdas certas medidas legislativas com origem
no Governo.
Diabolizam assim o Estado quando deveria ser o Governo o visado.
Parecem ignorar que existe uma diferença entre Estado e Governo.
Vem isto a propósito de uma medida legislativa, considerada
absurda por muito boa gente, que obriga os consumidores à solicitação de factura
no acto de qualquer compra, correndo o risco de serem multados se, no caso de
interpelação por um "senhor da Autoridade Tributária e Aduaneira", os
consumidores não fizerem prova do pedido da factura.
Parece que a polémica tem origem nas alterações ao Código de
IVA decretadas pelo Governo no Decreto-Lei n.º 197/2012. Ora é um Decreto-Lei, e como tal,
trata-se de um acto legislativo com força
de lei, elaborado pelo Governo
(quem tiver dúvidas consulte aqui o Priberam). Pelo Governo, entenderam bem?!
Portanto meus senhores (ex-governantes incluídos), se não vos agradam as medidas
legislativas emanadas do Governo, não culpem o Estado por isso. Estão a falhar
o alvo. Ou será que é de propósito?
Alguns liberais da nossa praça são tão lestos a atacar o
Estado que até se esquecem, talvez convenientemente para eles, que a responsabilidade
é do Governo, no que se refere à idiotia das decisões tomadas.
Parece ser caso para dizer: é o Governo, estúpido!
_____________________________________________________
P.S. - Peço desculpa por utilizar tantas vezes e de forma redundante a palavra "Governo", mas talvez dessa forma a dúvida fique esclarecida de uma vez por todas.
Parece ser caso para dizer: é o Governo, estúpido!
_____________________________________________________
P.S. - Peço desculpa por utilizar tantas vezes e de forma redundante a palavra "Governo", mas talvez dessa forma a dúvida fique esclarecida de uma vez por todas.
quarta-feira, fevereiro 13, 2013
Estou a gostar de ler...
Dois pequenos grandes livros que nos ajudam a compreender a crise da Europa dos nossos dias. Tony Judt escreveu em 1996. O ensaio de Ulrich Beck é mais actual (2012). Entre os dois livros existem áreas de intersecção que apontam no mesmo sentido: o domínio da Europa pela Alemanha.
E a Europa que se prepare:
"A Europa e a sua juventude estão unidas na raiva por causa de uma política que salva bancos com quantidades de dinheiro inimagináveis, mas desperdiça o futuro da geração jovem."
Ulrich Beck (2012), A Europa Alemã, Edições 70. pp. 20
"A crise, diz Gramsci, é o momento em que a velha ordem mundial morre e em que é necessário lutar por um mundo novo, contra resistências e contradições."
Ulrich Beck (2012), A Europa Alemã, Edições 70. pp. 26
A leitura continua.
Os velhos partidos prosseguem alheios à mudança que se adivinha e ao meio em rápida mutação que os envolve. Ainda jogam no tabuleiro da velha ordem. Continuam a actuar como se a sociedade que os enquadra tivesse os mesmos problemas, interesses e contradições de há dois ou mais anos atrás. Talvez quando acordarem, seja tarde demais*.
Os velhos partidos já não dão resposta às aspirações da juventude, vítima das políticas que a conduziram até aqui. E "aqui" é o desemprego. A democracia representativa carece de democracia, está ferida, e não se dá conta. Os partidos do "arco da desgovernação" estão a cavar a sua própria sepultura e a da democracia também.
Entretanto, os políticos governantes, tudo fazem para que se "regresse aos mercados", não querendo reparar que dessa forma prosseguem a mesma lógica que nos lançou na dependência dos especuladores. E cada vez que "vão ao mercado", asseguram aos jovens um futuro ainda mais sombrio, de austeridade e dependência, um futuro sem futuro, um futuro colonizado, porque serão eles os convocados a pagar a dívida e os juros contraídos pela actual geração governante.
É por isso que é cada vez mais "necessário lutar por um mundo novo, contra resistências e contradições".
______________________________________________
(*) Como encarar, por exemplo, o ensimesmamento do PS, os seus conflitozinhos internos, enquanto o país se afunda na crise? Parecem actuar com a inconsciência daqueles que discutem a cor do bote salva-vidas a lançar ao mar, enquanto o navio se vai afundando.
Mas alguém pode esperar alguma coisa desta gente? Afinal não estão eles também entre os que nos conduziram até aqui? A esperança, se é que ainda há esperança, reside noutro lado. Tem de residir noutro lado.
______________________________________________
(*) Como encarar, por exemplo, o ensimesmamento do PS, os seus conflitozinhos internos, enquanto o país se afunda na crise? Parecem actuar com a inconsciência daqueles que discutem a cor do bote salva-vidas a lançar ao mar, enquanto o navio se vai afundando.
Mas alguém pode esperar alguma coisa desta gente? Afinal não estão eles também entre os que nos conduziram até aqui? A esperança, se é que ainda há esperança, reside noutro lado. Tem de residir noutro lado.
Etiquetas:
Europa,
Leituras,
Política,
Sociedade,
Tony Judt,
Ulrich Beck,
União Europeia
segunda-feira, fevereiro 11, 2013
Um rombo na muralha do Império
Todos os impérios têm um fim. Por
vezes tudo ocorre muito rapidamente e a agonia é breve. Outras vezes, começam
por surgir sinais quase imperceptíveis de decadência. Rombos nas longínquas
muralhas que não são reparados nem notados no coração do império. Mas para lá das
muralhas, bárbaros atentos perscrutam Procuram linhas de fraqueza e brechas. É então por aí que decidem invadir o território abandonado e descuidado pelos seus antigos ocupantes. Aí, no limiar do império,
os bárbaros apercebem-se da fraqueza que invadiu o coração império. Apercebem-se que o tempo começou a correr a seu favor.
Pressentem que mais tarde ou mais cedo atingirão as imediações da capital imperial
onde irão erguer as suas tendas. E a partir daí darão a última estocada no touro moribundo.
Hoje, as muralhas que cingem os
impérios já não são feitas de pedra. São feitas de presenças e projecções de
forças - vasos de guerra, bases militares, territórios ocupados, etc. - nos lugares mais distantes do planeta. A retirada dessas forças é um
sinal de fraqueza e decadência imperial.
Etiquetas:
EUA,
Geopolítica
domingo, fevereiro 10, 2013
Ainda no meio da ponte
Stiglitz vem lembrar-nos, na sua
crónica do Expresso (9-02-2013), que os
países da Zona Euro ainda não ultrapassaram o impasse em que estão metidos
quanto à sobrevivência da moeda única a longo prazo. Que a “jogada de Draghi” foi isso mesmo, uma jogada, mas nada a isenta que
seja um bluff. Pelo menos permitiu
criar uma ilusão de segurança entre os investidores, suspensos que ficaram nas
suas palavras, e entre os países intervencionados, cujos governantes já
vislumbravam luzes ao fundo do túnel. Mas na actual conjuntura a confiança é
coisa que não dura, principalmente quando a garantia são apenas
palavras, mesmo sendo as de Draghi. É óbvio que, mais tarde ou mais cedo,
Draghi e o BCE vão ser postos à prova. Os investidores, ou os mercados, vão
querer saber até que ponto Draghi e o BCE vão efectivamente cobrir a parada.
Eis o excerto da crónica de
Stiglitz (os realces são nossos):
«Mas a maior parte dos que estiveram em Davos puseram estes problemas de
parte [os ganhos de produção industrial na China, devido à automatização de
processos que destroem postos de trabalho e o desemprego jovem prolongado], para celebrar a sobrevivência do euro. A nota
dominante foi de complacência — ou mesmo de otimismo. A “jogada de Draghi” — a noção de que o Banco Central Europeu, com a sua
disponibilidade financeira, poderia fazer e faria o que fosse necessário para
salvar o euro e cada um dos países em crise — parece ter funcionado, pelo menos
por uns tempos. A calma temporária forneceu algum apoio aos que
afirmavam que o que era necessário, acima de tudo, era uma restauração da
confiança. A esperança era de que as promessas de Draghi fossem um modo sem custos
de fornecer essa confiança, porque nunca teriam de ser cumpridas.
Os críticos salientaram repetidamente que as contradições fundamentais não tinham sido resolvidas, e que se
era suposto que o euro sobrevivesse no longo prazo, deveria ser criada uma união fiscal e bancária, o que obrigaria
a um nível de unificação política superior
ao que a maioria dos europeus está disposta a aceitar.»
Joseph Stiglitz, “Pensamento
não Convencional”, Expresso, 9 de Fevereiro
de 2013
Em suma: continuamos a meio da
ponte – à nossa frente está essa “unificação política” para a qual não queremos
avançar; atrás de nós temos o regresso às moedas nacionais o que implicaria a
desintegração do Euro, projecto que para já, não queremos abandonar.
Com mais confiança ou com menos
confiança, permanecemos ainda no meio da ponte. Estacados, sem dar um passo, com
medo do futuro e do passado, num presente precário e paralisado.
sexta-feira, fevereiro 01, 2013
Onde está a galinha?
Se neste guia procurar a galinha-sultana (Porphyrio porphyrio), desiluda-se. Aqui não a encontrará.
Mas como é possível?! A emblemática ave do Parque Natural da Ria Formosa, ausente desta obra que diz ser o guia de campo mais completo das aves de Portugal e da Europa. Será que não consideraram o Reino dos Algarves?
No melhor pano cai a nódoa.
Mas sempre pode ser vista e ouvida (ou "ouvista", nas palavras do ministro Relvas) neste excelente site, aqui.
A consciência da inconsciência
«A consciência da inconsciência da vida é o mais antigo imposto à inteligência.»
«Há quem viva sem dar por nada, há quem morra sem tal saber.»
Fernando Pessoa
«Há quem viva sem dar por nada, há quem morra sem tal saber.»
José Afonso
quinta-feira, janeiro 31, 2013
A euforia dos insensatos
Leio o Expresso do último sábado aos pingos ao longo da semana, que os
trabalhos e os dias não permitem leituras mais demoradas e, quase surpreso,
deparo a páginas tantas, lá mais para o fundo do jornal, com a euforia mal
contida de alguns opinion makers de
serviço. Parece que o regresso antecipado aos mercados deixou as suas marcas
nesta gente. Um dos escribas – o Martim Figueiredo - tece agora loas ao Chile,
imaginem só. Que aquilo é que é um país onde brota o leite e o mel por todo o
lado, uma autêntica terra prometida onde todos adoram viver. Fosse Portugal o
Chile, e os nossos dirigentes clones de José Piñera, nada mais, nada menos, do
que o Ministro do Trabalho do ditador Pinochet e Portugal seria “um dos países
mais competitivos do mundo”. Mas, para mal dos pecados do escriba, ninguém tem
a “têmpera” de um tal ministro neste país. O opinion
maker lá refere no entanto que no Chile “os mais favorecidos são ainda 14
vezes mais ricos do que os menos favorecidos”. Não sei onde foi buscar este
número, mas se consultarmos o Relatório de Desenvolvimento Humano de 2011
disponível no portal do PNUD, podemos verificar na tabela 3, página 155 que o
Chile detém um dos mais elevados valores do Índice de Gini do mundo – um indicador
que mede a desigualdade de rendimentos entre ricos e pobres – que é, nesse país, de 52,1 (a
título de exemplo mencione-se que o mais elevado valor registado ocorre no
Haiti, 59,5 e o mais baixo na Suécia, 25; em Angola é só 58,6). É justo,
pensará o escriba. É o preço da “liberdade para escolher”. Uns têm e outros
não, ora essa. E viva o neoliberalismo, que regressámos aos mercados! E viva o
Chile! E viva o Haiti! E viva Angola! Mas quando é que Portugal se torna um
destes paraísos? Muito tempo não há de faltar.
Mais adiante, encontro outro
escriba habitual, lá nos fundos da revista – o Henrique Monteiro, na sua
crónica do Comendador Marques Correia
– num tom jocoso, irónico e de regozijo, a gozar com o discurso anti-neoliberal,
anti-mercados, anti-capitalista. Afinal o euro agora está forte frente ao dólar
e a taxa de juro da dívida pública a 10 anos a descer para a casa dos 5% e por
isso estamos safos, julgará ele pela forma como escreve. O capitalismo está
salvo! E viva o neoliberalismo uma vez mais, que agora regressámos aos
mercados. Agora é que é, e lá está a luz ao fundo do túnel. Será um comboio?
Como se a taxa de juro da dívida
pública a 10 anos descesse para todo o sempre e o euro se reforçasse em relação
ao dólar para todo o sempre.
Onde está a insensatez nestas
posições?
Se alguma coisa aprendi neste
jogo, é que os mercados financeiros são volúveis. Governar países com a preocupação
de agradar aos mercados significa governar para o curto prazo, significa o
sacrifício do futuro, porque a ambição de quem especula nos mercados é ver
ganhos imediatos, custe o que custar.
Mas enfim, as cotações estão em
alta! Está tudo “no verde”! Eia! Vivam os mercados! Viva o Chile! Viva o Piñera
do Pinochet! E, ui ui o neoliberalismo, que mau que ele é, gozam jocosamente.
Amanhã, quando as tendências se
inverterem, quando as cotações estiverem “no vermelho” e os juros da dívida
tornarem a subir, cá estarei para os ouvir cantar.
A tempestade ainda não passou,
nem vai passar tão cedo.
terça-feira, janeiro 29, 2013
A estrada e a estalagem
"Considero a vida uma estalagem onde tenho que me demorar até que
chegue a diligência do abismo. Não sei onde me levará, porque não sei nada.
Poderia considerar esta estalagem uma prisão, porque estou compelido a aguardar
nela; poderia considerá-la um lugar de sociáveis, porque aqui me encontro com
outros. Não sou, porém, nem impaciente nem comum. Deixo ao que são os que se
fecham no quarto, deitados moles na cama onde esperam sem sono; deixo ao que
fazem os que conversam nas salas, de onde as músicas e as vozes chegam cómodas
até mim. Sento-me à porta e embebo meus olhos e ouvidos nas cores e nos sons da
paisagem, e canto lento, para mim só, vagos cantos que componho enquanto
espero.
Para todos nós descerá a noite e chegará a diligência. Gozo a brisa que
me dão e a alma que me deram para gozá-la, e não interrogo mais nem procuro. Se
o que deixar escrito no livro dos viajantes puder, relido um dia por outros,
entretê-los também na passagem, será bem. Se não o lerem, nem se entretiverem,
será bem também."
Bernardo Soares, O Livro do Desassossego in Obras de Fernando Pessoa, Vol. II, Lello
& Irmão, Porto, 1986. Pág. 550-551
“A estrada é sempre melhor do que a estalagem.”
Cervantes
***
A vida sempre pode ser concebida
como uma estalagem ou como uma estrada. Quixote fez-se à estrada e, por vezes,
parava nas estalagens que confundia com castelos. Bernardo Soares aguardava na
estalagem, sem pressa, a chegada da diligência do abismo do qual nada se sabe.
Sabemos apenas que quando o olhamos ele
nos devolve o olhar, mais penetrante ainda, e nos indaga. Estremecemos então.
Persignamo-nos. Oramos: “Mesmo que
atravesse os vales sombrios, nenhum mal temerei, porque estais comigo” Sl.
23… Além está o vazio e aqui mora o horror ao vazio.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
Etiquetas
- . (3)
- 25 de Abril (14)
- Acordo Ortográfico (1)
- Açores (2)
- Adelino Maltez (2)
- Adriano Moreira (8)
- Afeganistão (7)
- Afonso de Albuquerque (1)
- África (10)
- Agamben (2)
- Agostinho da Silva (9)
- Água (1)
- Agustina Bessa-Luís (1)
- Alcácer do Sal (2)
- Alcochete (1)
- Alentejo (1)
- Alepo (1)
- Alexandre Farto (1)
- Alfonso Canales (1)
- Algarve (15)
- Alienação (1)
- Allan Bloom (1)
- Almada (1)
- Alterações Climáticas (1)
- Álvaro Domingues (1)
- Ambiente (68)
- América (2)
- Amy Winehouse (1)
- Anaximandro (1)
- Âncoras e Nefelibatas (1)
- Andaluzia (7)
- Andrew Knoll (1)
- Angola (2)
- Ann Druyan (1)
- Ano Novo (2)
- António Barreto (1)
- António Guerreiro (3)
- Antropoceno (5)
- Antropologia (3)
- Apocalípticas (1)
- Arafat (1)
- Arcimboldo (1)
- Aretha Franklin (1)
- Aristides de Sousa Mendes (1)
- Aristóteles (4)
- Arqueologia (1)
- Arquíloco (1)
- Arquitectura (1)
- Arrábida (2)
- Arte (12)
- Arte Etrusca (1)
- Astronomia (11)
- Atletismo (5)
- Azenhas do Mar (1)
- Babel (3)
- Banda Desenhada (1)
- Banksy (2)
- Baudelaire (1)
- Bauman (25)
- Benfica (3)
- Bento de Jesus Caraça (3)
- Bernard-Henri Lévy (1)
- Bernini (1)
- Bertrand Russel (1)
- Biden (1)
- Bill Gates (1)
- Biodiversidade (1)
- Biogeografia (1)
- Bismarck (1)
- Blogosfera (11)
- Blogues (3)
- Boas-Festas (1)
- Boaventura de Sousa Santos (6)
- Bob Dylan (2)
- Brasil (4)
- Brexit (5)
- Bruegel (1)
- Bruno Patino (1)
- Cão d' Água (1)
- Capitalismo (5)
- Caravaggio (2)
- Carl Orff (1)
- Carlo Bordoni (1)
- Céline (1)
- Censura (1)
- Cervantes (2)
- Charles Darwin (1)
- Charles Trenet (1)
- Chesterton (1)
- Chico Buarque (1)
- China (4)
- Chris Jordan (2)
- Cícero (3)
- Cidade (1)
- Ciência (14)
- Ciência e Tecnologia (5)
- Ciência Política (2)
- Cinema (1)
- Citações (118)
- Civilizações (9)
- Clara Ferreira Alves (4)
- Claude Lévy-Strauss (3)
- Claude Lorrain (1)
- Coleridge (1)
- Colonialismo (1)
- Colum McCann (1)
- Comunismo (1)
- Conceitos (1)
- Conquista (1)
- Cormac McCarthy (4)
- Cornelius Castoriadis (4)
- Coronavírus (7)
- Cosmé Tura (1)
- COVID-19 (3)
- Crise (2)
- Crise financeira (1)
- Cristiano Ronaldo (4)
- Cristo (1)
- Crítica literária (1)
- Croce (1)
- Cultura (5)
- Curzio Malaparte (2)
- Daniel Bessa (1)
- Daniel Boorstin (1)
- David Attenborough (3)
- David Bowie (1)
- David Harvey (8)
- David Landes (1)
- David Wallace-Wells (1)
- Dedos famosos que apontam (5)
- Democracia (7)
- Demografia (1)
- Desabafos (3)
- Descartes (1)
- Desemprego (1)
- Desenvolvimento (2)
- Desmond Tutu (1)
- Desporto (15)
- Direitos Humanos (1)
- Diversão (1)
- Don Delillo (1)
- Dudley Seers (1)
- Dulce Félix (1)
- Dürer (3)
- E.O. Wilson (3)
- E.U.A. (1)
- Eça de Queirós (2)
- Economia (69)
- Eduardo Lourenço (3)
- Educação (35)
- Edward Soja (2)
- Einstein (1)
- Elias Canetti (1)
- Elites (1)
- Embirrações (4)
- Emerson (1)
- Emmanuel Todd (1)
- Empédocles (1)
- Ennio Morricone (2)
- Ensino (8)
- Ericeira (1)
- Escultura (6)
- Espanha (2)
- Espinosa (1)
- Espuma dos dias (5)
- Ésquilo (1)
- Estado Islâmico (1)
- Estoicismo (2)
- Estranhos dias os nossos (2)
- Ética (10)
- EUA (19)
- Eugénio de Andrade (3)
- Europa (18)
- Famosos Barbudos (1)
- Fascismo (2)
- Fauna (40)
- Feira do Livro (2)
- Ferdinand Addis (1)
- Férias (2)
- Fernando Grade (1)
- Fernando Pessoa (17)
- Ficção (1)
- Ficção Científica (2)
- Fidel Castro (3)
- Figueiras (1)
- Filosofia (67)
- Finanças (1)
- Flora (11)
- Fogo (1)
- Fonte da Telha (1)
- Formosa (1)
- Fotografia (114)
- Foucault (5)
- França (5)
- Frank Herbert (2)
- Freitas do Amaral (1)
- Fukuyama (2)
- Futebol (23)
- Gabriel García Márquez (2)
- Galbraith (1)
- Garcia Lorca (3)
- Garzi (1)
- Geografia (29)
- Geologia (4)
- Geopolítica (16)
- George Steiner (14)
- Georges Moreau de Tours (1)
- Gerês (4)
- Globalização (15)
- Gonçalo Cadilhe (2)
- Gonçalo M. Tavares (1)
- Gonçalo Ribeiro Telles (1)
- Gore Vidal (3)
- Goya (1)
- Gramsci (1)
- Grandes Aberturas (8)
- Grécia (2)
- Grécia Antiga (10)
- Guadiana (5)
- Guerra (20)
- Guterres (2)
- Handel (1)
- Hannah Arendt (1)
- Harold Bloom (2)
- Hayek (1)
- Hegel (1)
- Henri Lefebvre (1)
- Henrique Raposo (1)
- Heraclito (7)
- Heródoto (5)
- Hervé Le Tellier (1)
- Hesíodo (7)
- Hillary Clinton (1)
- Hino (2)
- História (16)
- Hobsbawm (4)
- Homenagem (7)
- Homero (5)
- Horácio (4)
- Hubert Reeves (3)
- Hugo Chávez (3)
- Humanismo (2)
- Humor (1)
- Ian Bremmer (3)
- Ian Morris (1)
- Iconoclastia (2)
- Ideologia (8)
- Ignacio Ramonet (2)
- Ilíada (1)
- Iluminismo (2)
- Imigração (1)
- Immanuel Wallerstein (1)
- Imprensa (1)
- Índia (2)
- Internacional (31)
- Iraque (1)
- Islão (3)
- Israel (5)
- Jacques Barzun (1)
- Jakob Schlesinger (1)
- James Knight-Smith (1)
- Japão (5)
- Jared Diamond (2)
- Jean Fouquet (1)
- Jihadismo (1)
- Jim Morrison (1)
- Jô Soares (1)
- João Lourenço (1)
- João Luís Barreto Guimarães (1)
- João Maurício Brás (9)
- João Salgueiro (1)
- João Villaret (1)
- Jogos Olímpicos (14)
- John Keegan (1)
- John Locke (1)
- Jonathan Swift (1)
- Jorge Luis Borges (1)
- Jornalismo (3)
- José Gil (4)
- Joseph Conrad (3)
- Joseph-Noël Sylvestre (1)
- Juliette Gréco (1)
- Justiça (1)
- Kamala Harris (1)
- Karl Polanyi (3)
- Karl Popper (1)
- Kazuo Ishiguro (1)
- Ken Follett (1)
- Kenneth Clark (1)
- Kolakowski (1)
- Kropotkin (1)
- Krugman (1)
- Lana Del Rey (1)
- Langston Hughes (1)
- Laurent Binet (1)
- Lavoisier (1)
- Leituras (10)
- Leon Tolstói (1)
- Leonardo da Vinci (4)
- Li Wenliang (1)
- Liberalismo (5)
- Liberdade (5)
- Lipovetsky (4)
- Lisboa (2)
- Literatura (10)
- Literatura pós-modernista (1)
- Livros (77)
- Livros Lidos (35)
- Lorca (3)
- Lou Marinoff (1)
- Lugares de Portugal (4)
- Macaulay (1)
- Madeira (1)
- Madeleine Albright (2)
- Madredeus (2)
- Madrid (1)
- Mafalda (1)
- Málaga (1)
- Manuel António Pina (1)
- Máquinas (6)
- Maradona (1)
- Marc Augé (1)
- Marcelo Rebelo de Sousa (2)
- Marco Aurélio (1)
- Maria Filomena Mónica (4)
- Maria José Morgado (1)
- Maria José Roxo (1)
- Marilyn (1)
- Mário Soares (1)
- Marques Mendes (2)
- Marte (3)
- Martin Landau (1)
- Martin Page (2)
- Marx (8)
- Marxismo (1)
- Matemática (1)
- Máximas pessoais (3)
- Medeiros Ferreira (1)
- Media (4)
- Mega Ferreira (1)
- Melville (3)
- Memória Esquecida (6)
- Michel Houellebecq (2)
- Michel Serres (1)
- Migrações (1)
- Miguel Ângelo (1)
- Miguel de Unamuno (2)
- Miguel Esteves Cardoso (2)
- Miguel Torga (5)
- Mikhail Gorbachev (1)
- Minho (1)
- Mitologia (3)
- Moçambique (1)
- Modernidade (3)
- Montesquieu (1)
- Morin (1)
- Morrissey (1)
- Mozart (1)
- Música (20)
- Mussorgsky (1)
- Nagasaki (1)
- Naide Gomes (1)
- Nanni Moretti (1)
- Natal (4)
- NATO (1)
- Natureza (1)
- Natureza Humana (1)
- Navios (2)
- Nazismo (1)
- Nelson Évora (1)
- Neoliberalismo (70)
- Niall Ferguson (3)
- Nietzsche (9)
- Noam Chomsky (1)
- Norman Davies (2)
- Notícia (2)
- Notícias do milagre económico (2)
- Nova Iorque (1)
- Nuno Rogeiro (3)
- O Neoliberalismo no seu Estertor (19)
- O neoliberalismo no seu melhor (9)
- Obama (6)
- Opinião (3)
- Oppenheimer (1)
- OqueStrada (1)
- Orlando Ribeiro (3)
- Ortega y Gasset (10)
- Orwell (2)
- Os touros querem-se vivos (2)
- Paco de Lúcia (1)
- Padre António Vieira (2)
- Paidéia (1)
- Paisagem (28)
- Paleontologia (2)
- Palestina (3)
- Palmira (1)
- Pandemia (9)
- Papa Bento XVI (4)
- Paquistão (2)
- Para memória futura. Ambiente. (1)
- Paris (2)
- Partidas (53)
- Pascal (1)
- Patrick Deneen (1)
- Patti Smith (1)
- Paul Valéry (2)
- Pelé (1)
- Pensamentos (54)
- Peter Sloterdijk (33)
- Phil Hansen (1)
- Píndaro (1)
- Pino Daeni (1)
- Pintura (84)
- Platão (3)
- Plutarco (1)
- Poder (1)
- Poe (1)
- Poemas da minha vida (9)
- Poesia (105)
- Política (161)
- Política Internacional (2)
- Porto (18)
- Portugal (59)
- Portugal é Paisagem e o Resto é Lisboa (9)
- Portugueses (5)
- Pós-modernidade (2)
- Praia (20)
- Pré-socráticos (1)
- Presidente Cavaco (23)
- Putin (4)
- Quino (1)
- Raça (1)
- Rachmaninov (1)
- Racismo (2)
- Rafael (3)
- Rafael Alberti (1)
- Reflexões (4)
- Reflexões sobre Reflexões (1)
- Reino Unido (6)
- Relações Internacionais (4)
- Religião (28)
- Rembradt (1)
- Renoir (1)
- Rentes de Carvalho (4)
- Respeito (2)
- Revolução Industrial (1)
- Revoluções (5)
- Ricardo Reis (1)
- Richard Dawkins (4)
- Richard Rogers (1)
- Rimbaud (2)
- Robert Capa (2)
- Roberto Bolaño (1)
- Rocha Pereira (1)
- Rodin (2)
- Roger Scruton (1)
- Roma (9)
- Rússia (4)
- Safo (1)
- Sal da Língua (1)
- Salazar (2)
- Samuel Barber (1)
- Samuel Huntington (1)
- Santa Sofia (1)
- Sean Connery (1)
- Sebastião Salgado (1)
- Seca (1)
- Século XX (2)
- Séneca (4)
- Sesimbra (2)
- Sevilha (4)
- Sexta Extinção (3)
- Shostakovich (1)
- Simões Lopes (1)
- Sionismo (1)
- Síria (9)
- Socialismo (1)
- Sociedade (22)
- Sociologia (11)
- Sócrates (2)
- Sófocles (2)
- Solidão (1)
- Sólon (2)
- Sorolla (1)
- Steven Pinker (2)
- Stiglitz (1)
- Sublinhado (24)
- Suiça (1)
- Sun Tzu (1)
- Suzanne Collins (1)
- T.E.Lawrence (1)
- Tabucchi (1)
- Telavive (1)
- Telescópio James Webb (1)
- Televisão (1)
- Terreiro do Paço (2)
- Território (1)
- Terrorismo (11)
- Thomas Friedman (2)
- Thomas Kuhn (1)
- Tim Marshall (2)
- Titã (1)
- Tocqueville (1)
- Toledo (2)
- Tom Lea (1)
- Tony Judt (11)
- Transformações Sócio-Culturais (1)
- Triste País (1)
- Trump (15)
- Turquia (2)
- Ucrânia (9)
- Ulrich Beck (6)
- Umberto Eco (8)
- União Europeia (25)
- Universidade (1)
- Urbanismo (2)
- Ursula von der Leyen (1)
- Utopia (1)
- Vargas Llosa (3)
- Vasco da Gama (1)
- Vasco Graça Moura (1)
- Vasco Pulido Valente (5)
- Venezuela (1)
- Verão (9)
- Violência Policial (1)
- Virgílio (1)
- Viriato Soromenho-Marques (1)
- Vital Moreira (1)
- Vítor Gaspar (1)
- Viviane Forrester (1)
- Vulcões (3)
- walt whitman (5)
- Walter Mittelholzer (1)
- Winston Churchill (2)
- Xenofonte (2)
- Yuval Harari (3)
- Zelensky (1)
- Zizek (2)
- Zurique (1)
- Zweig (6)












