terça-feira, julho 16, 2019
quarta-feira, julho 10, 2019
Do livro negro do cristianismo
Quando os talibans eram os cristãos. O que o cristianismo militante
fez ao mundo clássico não tem perdão. Um excelente livro.
O atraso e a ignorância a que a escolástica e a dogmática
cristã sujeitaram o mundo não tem perdão. Outro excelente livro.
Como é que alguém que ama o mundo clássico e a Ciência pode continuar a
considerar-se cristão depois de tudo o que é narrado aqui?
A leitura continua.
domingo, julho 07, 2019
Para onde vai o dinheiro dos nossos impostos
A enorme dívida pública continua a subir em termos absolutos, tendo sido avolumada nos últimos anos, é preciso não esquecê-lo, pela integração da dívida de privados, bancos privados (BPN, BES, BANIF, etc.), “grandes demais para falirem”, que entretanto foram alvo de bailout, intervenção, nacionalização – chamem-lhe o que quiserem - pelo Estado.
Enquanto o dinheiro dos nossos impostos for principalmente destinado a pagar essa dívida, que não fomos nós que contraímos, da qual não somos nós, todos, responsáveis, o país não se desenvolverá.
Mais do que a Educação*, os Transportes, a Defesa, a Segurança e Ordem Pública… é a rubrica das Operações Relacionadas com a Dívida Pública que acolhe a maior proporção do dinheiro dos nossos impostos. Percebemos agora a degradação das escolas, dos transportes, das esquadras, das prisões, dos tribunais, e até dos hospitais, dos centros de saúde, das repartições públicas, dos quartéis, dos paióis, das universidades e das estradas? Percebemos agora por que razão muitos alunos aprendem em contentores, pré-fabricados improvisados, edifícios degradados e obras inacabadas cuja conclusão é eternamente adiada? Percebemos agora a degradação de tudo isso?
O que tem feito este governo para alterar esta situação? Pouco ou nada. A dívida pública continua a aumentar em termos absolutos. E se referem que diminui em relação ao PIB, é para criar uma ilusão, pois é o PIB que aumenta e não a dívida pública que diminui. Além disso, o PIB não aumentará para todo o sempre. E como será então, quando ele diminuir?
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(*) PS - O sector da Educação, claramente, estar a ser o sector sacrificado. Gasta-se mais com o serviço da dívida do que com Educação, atendendo ao destino do dinheiro dos nossos impostos. Apenas a Protecção Social e a Saúde recebem mais do que as Operações Relacionadas com a Dívida Pública.
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(*) PS - O sector da Educação, claramente, estar a ser o sector sacrificado. Gasta-se mais com o serviço da dívida do que com Educação, atendendo ao destino do dinheiro dos nossos impostos. Apenas a Protecção Social e a Saúde recebem mais do que as Operações Relacionadas com a Dívida Pública.
domingo, maio 26, 2019
Lei da vida
Desconfio sempre dos que dizem ter só certezas. Mais
facilmente deposito a minha confiança nos que duvidam. Dão melhores líderes.
sábado, maio 25, 2019
É preciso salvar a Terra! (Who really gives a fuck anyway?)
Andam para aí a dizer que é
preciso salvar a Terra. Insensatos! Não é a Terra que precisa ser salva, são
vocês seus idiotas! Não compreenderam? A Terra não precisa de vocês para nada,
vocês é que precisam dela. A Vida acaba sempre por encontrar o seu caminho,
connosco ou sem nós. Antes de o Homem ser Homem outros seres por cá respiravam e quando partir outros respirarão.
Precisamos salvar a Terra?! Pelo mote continuamos
a julgar-nos super-poderosos, dominadores, salvadores do mundo. Pois o mote está
errado. A Terra não precisa ser salva, precisa ser amada como uma mãe. Só
assim nos podemos salvar.
Nós e a nossa circunstância.
Nós e a nossa circunstância.
quinta-feira, abril 18, 2019
terça-feira, abril 16, 2019
Water, water everywhere!
© AMCD
No Gerês o rumor da água soa em todos os caminhos.
Velha aliada de carvalhos tranquilos.
Alegres os que caminham à sua sombra,
Alheios ao alvoroço do mundo.
O projecto europeu e a questão da imigração
A questão da imigração, sabemos hoje, está a ser altamente desestabilizadora nas sociedades ocidentais. O resultado do referendo do Brexit, a eleição de Trump e a ascensão de movimentos de extrema-direita e de demagogos populistas, por exemplo, resultaram da incapacidade das democracias actuais em lidarem com esta questão e com os imigrantes económicos (que muitos teimam em não distinguir dos refugiados, colocando todos no mesmo saco). Esta questão está a gerar incerteza, insegurança e dissensões no projecto europeu. Seria assim bom que os partidos que se apresentam agora às eleições para o Parlamento Europeu clarificassem muito bem a sua posição em relação à imigração. Qual das três posições cada um assume: porta aberta (entram todos), porta fechada (ninguém entra) ou uma imigração regulada? Cada uma destas posições tem as suas consequências para o projecto europeu e para a democracia. A continuar como estamos, não nos admiremos se o projecto europeu continuar a abrir brechas aqui e ali até naufragar.
Para que fique claro, sou a favor de uma imigração controlada, e de um apoio humanitário e de emergência aos que suplicam por refúgio enquanto a guerra e as perseguições políticas persistirem nos seus países de origem (“não se deve recusar água a ninguém”).
Não votarei em partidos que defendam uma política migratória de porta aberta. Não votarei em partidos que se manifestem por uma política migratória de porta fechada. Não votarei em partidos que não deixem bem claro qual é a sua posição nesta questão.
E não embarcarei na cantilena daqueles que querem fazer destas eleições europeias um voto de confiança ou de desconfiança em relação ao governo vigente. Essas eleições são lá mais para a frente.
Para que fique claro, sou a favor de uma imigração controlada, e de um apoio humanitário e de emergência aos que suplicam por refúgio enquanto a guerra e as perseguições políticas persistirem nos seus países de origem (“não se deve recusar água a ninguém”).
Não votarei em partidos que defendam uma política migratória de porta aberta. Não votarei em partidos que se manifestem por uma política migratória de porta fechada. Não votarei em partidos que não deixem bem claro qual é a sua posição nesta questão.
E não embarcarei na cantilena daqueles que querem fazer destas eleições europeias um voto de confiança ou de desconfiança em relação ao governo vigente. Essas eleições são lá mais para a frente.
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sábado, março 23, 2019
A poesia visita as mentes com o fulgor de um raio
Heinrich Heine e a Musa da Poesia, 1894–1894
Georges Moreau de Tours
O poeta (como o homem
moral na sua acção, que nunca é isenta de alguma impureza) sofre com as manchas
que percebe na sua obra e gostaria de as remover a todas, até ao mais ínfimo
vestígio […] Mas a poesia visita as mentes com o fulgor de um raio e o trabalho
humano tenta segui-la, atraído, fascinado por ela e dela colhe o que pode e, em
vão, pede que fique e se deixe remirar em todos os traços do rosto, mas ela já
vai longe.
Croce, A Poesia (1936), citado por Umberto Eco, Aos Ombros de Gigantes, Gradiva, 2018,
p. 298.
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Umberto Eco
terça-feira, março 19, 2019
O “fascismo nunca mais”
Tivesse Madeleine
Albright escrito o seu livro um pouco mais tarde e haveria outro fascista a acrescentar
ao rol*. Por certo um capítulo sobre aquele que preside ao país com maior número de
falantes de língua portuguesa (cerca de 209 milhões de pessoas): Jair
Bolsonaro. Sucede que escreveu Fascismo:
Um Alerta, antes da eleição de Bolsonaro.
Paradoxalmente as democracias
continuam a eleger fascistas.
O “fascismo nunca mais” era um
sonho de Abril.
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Madeleine Albright
domingo, fevereiro 17, 2019
A essência da Escola
A escola foi inventada no tempo dos antigos Gregos como uma relação
entre mestre e discípulos, tendo como horizonte o conhecimento, e, apesar de
essa relação ter sofrido muitas mudanças, a escola continua a ser na sua
essência, essa relação.
Carlos Fiolhais, David
Marçal, A Ciência e os Seus Inimigos,
Gradiva, 2017, pág. 225.
***
É isto a Escola. O resto é
política, ideologia e “Ciência” da Educação. Sempre houve muita gente a querer
meter o bedelho na Educação por motivos ideológicos e políticos, em particular
a gente dos partidos políticos. Querem pôr a mão no futuro, para tentar
moldá-lo a seu contento. Querem, de forma sub-reptícia, colocar a juventude nos
seus próprios carris ideológicos. E a verdade é que a ideologia tem conseguido
imiscuir-se nos programas escolares. Os professores, por sua vez, vão
paulatinamente sendo convertidos em meros aplicadores de “conteúdos”, que se
querem bem controladinhos, muito bem controladinhos… Hoje é a essência da
escola que está a ser posta em causa.
A escola é demasiado importante para ser deixada a
outros que não os professores.
Infelizmente os professores têm ido na cantiga daqueles que
dizem que a escola é demasiado importante para ser deixada apenas aos
professores.
sábado, janeiro 12, 2019
O novo mantra político do ano
O novo mantra político do ano – vamos
ouvi-lo muitas vezes, porque é preciso repeti-lo até à exaustão para que se
inculque no comum dos mortais a necessidade de privatizar tudo: “O Estado
falhou”.
Os privados nunca falham.
Onde estão aqueles que determinaram a privatização dos CTT, em 2014? O que terão agora a dizer às populações que
residem em concelhos onde se anuncia o encerramento do único balcão de
correios, passando para as juntas de freguesia – para o Estado, portanto – os
serviços e funções que são atributo das estações de correio?
Uns amigalhaços!
A lógica do lucro assim o
determina, não é verdade?
Fantástico Mike!
Foto: daqui.
segunda-feira, dezembro 31, 2018
Livros do Ano, lidos no ano
Ian Bremmer
Portfolio/Penguin
2018
The Way We Live Now
from The Age of
American Unreason in a Culture of Lies
Susan Jacoby
Vintage Books
2018
Ainda em leitura:
Enlightenment Now: The
Case for Reason, Science, Humanism, and Progress
Steve Pinker
Viking
2018
Nunca será o meu livro do ano, por muitas e múltiplas razões. Por exemplo,
o autor contorna habilmente a sexta extinção de espécies que está a ocorrer
e dá voz aos que questionam a injustiça das desigualdades sociais, chegando a
considerar a desigualdade virtuosa. Está errado.
Ainda que se concorde com a defesa
da Ciência, e do Iluminismo e até do Progresso e do Humanismo, não se pode concordar com as cedências que faz ao neoliberalismo.
Palavras do ano
Não constam nos dicionários.
“Uberização” e “bugar”.
A primeira é um processo que se está a impor e a alterar o funcionamento das sociedades e suas instituições. As redes sociais, as aplicações informáticas e as plataformas digitais têm conduzido à uberização de tudo. Não são só os táxis, é também, por exemplo, a forma de dar notícias ou as novas formas de organizar e apoiar as greves, que agora podem ser patrocinadas anonimamente nas redes sociais, quer por amigos da causa, quer por amigos doutras causas. Dúvidas? Perguntem aos enfermeiros. Até a política está a ser uberizada, que o diga Bolsonaro.
“Bugar” é um verbo que quase todo o jovem conhece. Antes tinham brancas, bloqueavam nos exames. Agora, bugam. “Então menina, porque demora tanto tempo a responder?” “Oh professor, desculpe. Buguei!”. LOL
Bom Ano!
Bom Ano!
terça-feira, outubro 16, 2018
terça-feira, outubro 02, 2018
Outono

Luigi Garzi, Alegoria de Outono, c.1680
«Já, o outono! – Mas porque
desejar um sol eterno, se partimos à descoberta da claridade divina – longe daqueles
que florescem e morrem com as estações.
O outono. A
barca ascendida à imobilidade das brumas regressa agora ao porto da miséria,
cidade imensa, imenso céu traçado de fogo e de lama. Ah! os farrapos podres, o
pão encharcado de chuva, a bebedeira, os mil amores que me crucificaram! Então
não findará jamais este vampiro, este tirano de milhões de almas e de corpos
mortos que serão julgados! Revejo-me:
a pele roída pela peste e pela lama, a cabeça e os sovacos repletos de piolhos,
não tão gordos, não tantos como os que me roíam o coração, deitado entre desconhecidos
de idade incerta, de sentimentos incertos…Podia ter ficado ali…Pavorosa evocação!
Detesto a miséria.
E temo o inverno
por ser a estação do conforto!»
Rimbaud (1873), Une Saison en Enfer
(tradução Mário
Cesariny de Vasconcelos)
in Jean Arthur Rimbaud, Uma Época no Inferno, Portugália
Editora, 1960.
segunda-feira, outubro 01, 2018
Vertigens
«Ao princípio, era apenas um exercício. Escrevia silêncios, noites,
anotava o inexprimível. Captava vertigens.
Alugando pássaros, pedaços de pele,
povoados,
Que busco eu, alheio ao sossego e à esteira?
Em ondas de ternura bebo afogados
Séculos de murmúrio, ajoelhado na areia.
Que piolho eu beberia noutro rio marata?
- Copo
de oiro sem voz, flores de gás, céu alvar! –
Beber por calabaças, fora da minha cubata?
Só se for o licor que a terra faz ao mar.
Ergui minha choupana em foz daninha.
- Rosa de areia! Sangue! Jubileus! –
A água do rio levou-me oiro e vinha,
(Nos lameiros, passava a mão de Deus)
E eu chorava, eu via – oiros! – nunca sereis
meus!»
Descansa do amor entre brandas avenas.
Na nudez de Bocácio Eva escreve
Uma noite de veias serenas.
Lasso, baço, num vasto coral
De rugas e olhos e sóis improfícuos
Sobe o rio o clamor matinal
Dos carros Oblíquos.
Para o festim de chocolate, ébrios de claridade,
*
Às quatro horas o mastro de neveDescansa do amor entre brandas avenas.
Na nudez de Bocácio Eva escreve
Uma noite de veias serenas.
Lasso, baço, num vasto coral
De rugas e olhos e sóis improfícuos
Sobe o rio o clamor matinal
Dos carros Oblíquos.
Eles vestem antecipadamente lambris pré-celestes
Cidade
De pão, bandeiras, declives,
homens.
Para estes operários, veículo de tantos
Rios interiores a um rei da Babilónia,
Ó Vénus, deixa por momentos as almas
Estagnadas como pântanos no coração do
Ródano.
Ó Guia dos pastores
Dá aos trabalhadores a ode viva.
Que a sua força seja como seda pacífica
- Um acto no caminho do amargo banho ao meio-dia.»
Rimbaud (1873), Une Saison en Enfer
(tradução Mário
Cesariny de Vasconcelos)
in Jean Arthur Rimbaud, Uma Época no Inferno, Portugália Editora,
1960.
sábado, setembro 29, 2018
Hegel
Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770–1831)
Pintura de Jakob Schlesinger, 1831
Nationalgalerie, Staatliche Museen zu Berlin
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domingo, setembro 23, 2018
Steven Pinker: só o Iluminismo pode salvar-nos
Quando as predições sobre a apocalíptica escassez de recursos fracassam
reiteradamente, temos de concluir que a humanidade escapou milagrosamente
sucessivas vezes de uma morte certa, como um herói de um filme de acção de
Hollywood, ou que há alguma falha no pensamento que predisse a apocalíptica
escassez de recursos. A falha foi apontada em múltiplas ocasiões. A humanidade
não sorve os recursos do planeta como uma palhinha num batido até que um
borbulhar lhe diga que o recipiente está vazio. Em vez disso, quando as
reservas de um recurso que se extrai facilmente começam a escassear, o seu
preço sobe, levando mais gente a querer conservá-lo, a chegar a depósitos menos
acessíveis ou a encontrar substitutos mais baratos e mais abundantes.
De facto, para começar, é uma falácia pensar que as pessoas «necessitam
de recursos». Do que necessitam são formas de produzir alimentos, deslocar-se,
iluminar as suas casas, exibir informações e outras fontes de bem -estar.
Satisfazem estas necessidades com ideias: com receitas, fórmulas, técnicas,
projectos e algoritmos para manipular o mundo físico a fim de que este lhes
ofereça o que desejam. A mente humana, com a sua capacidade combinatória
recursiva, pode explorar um espaço infinito de ideias e não se encontra
limitada por nenhuma classe de material terrestre. Quando uma ideia deixa de
funcionar, outra pode ocupar o seu lugar. Isto não desafia as leis da
probabilidade, apenas lhe obedece.
É certo que esta maneira de pensar não encaixa bem com a ética da
“sustentabilidade”. (…) A doutrina da sustentabilidade assume que o ritmo
actual de utilização de um recurso pode ser extrapolado para o futuro até se
atingir um tecto. A consequência que implica a dita assunção é que temos de
trocar para um recurso renovável capaz de repor-se indefinidamente à medida que
o vamos usando. Na realidade, as sociedades sempre abandonaram um recurso por
outro melhor, muito antes que o velho se esgotasse. Com frequência se disse que a
Idade da Pedra não terminou porque o mundo ficou sem pedras, e outro tanto cabe
dizer da energia.
Steven Pinker (2018), Enlightenment, now!
[Tradução nossa]
Pinker é um optimista. Tem fé na
Razão, no Progresso, na Ciência e na Tecnologia. Tem fé nos valores do
Iluminismo. Tem fé no Homem. Ao contrário de Heidegger, que diz que só um deus nos
pode salvar, Pinker defende que o Homem pode salvar-se a si mesmo, caso se guie
pelos valores do Iluminismo. A Razão, o Progresso, a Ciência e a Tecnologia
poderão salvar-nos de qualquer apocalipse
previamente anunciado, assim o Homem se empenhe e disso sinta
necessidade, pois a necessidade aguça o engenho. O problema é que a Razão, o
Progresso, a Ciência e a Tecnologia são facas de dois gumes, em que um cortará
mais do que outro se forem perseguidos sem Ética. O Progresso pode ser a bomba
atómica e à sua sombra, em tempos, defendeu-se o eugenismo, só para dar dois
exemplos. Mas também é verdade que o Progresso evitou uma catástrofe malthusiana,
salvando milhões da fome, permitiu à Humanidade conciliar procedimentos para evitar a depleção da camada de ozono, contribuiu para aumentar a esperança
média de vida no mundo, para baixar a mortalidade infantil e para tratar e
curar doenças no passado incuráveis. O Progresso contribuiu para diminuir o
sofrimento humano. Pinker acredita em tudo isto, defendendo que hoje se
sobrevaloriza o que é negativo, desde as alterações climáticas ao esgotamento
dos recursos naturais e aos anúncios de extinção de espécies ou de uma sexta
extinção em massa…e que se está a subvalorizar a capacidade humana de superação
de problemas e obstáculos, mediante a Ciência e a Tecnologia, pelo Progresso.
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sábado, setembro 15, 2018
sexta-feira, setembro 14, 2018
Censura: a política contra a reflexão
A história da censura resume-se nesta fórmula. É a história da política
contra a reflexão. No momento em que alguns seres humanos amadurecem o suficiente
para conhecerem a verdade sobre si próprios e sobre a sua condição social, os
detentores de poder desde sempre tentaram partir os espelhos que revelavam aos
seres humanos quem eram e o que lhes acontecia.
Peter Sloterdijk (1983)
Peter Sloterdijk , Crítica
da Razão Cínica, Relógio D’Água, 2011, p. 116.
***
Quem detém informação detém poder. Esse poder é tanto mais efectivo quanto maior for o monopólio da
informação. Neste sentido partilhar informação significa partilhar poder. Para
manter a sua posição iluminada uma minoria acaba por sujeitar a maioria à escuridão.
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quarta-feira, setembro 05, 2018
Luminárias e alimárias
A propósito disto.


Entre luminárias e alimárias há certos deputados da República que encaixam que nem uma luva na segunda
categoria. Parece ser o caso.
Quando vejo e oiço políticos
deste jaez lembro-me sempre da advertência de John Tyler a Thomas Jefferson, em
1782, quando este queria renunciar ao cargo para o qual tinha sido eleito pelo
povo do condado de Albemarle, de delegado na Câmara, por estar cansado de
cargos públicos. Tyler advertiu Jefferson
de que «homens bons e capazes fazem melhor em governar do que em deixar-se
governar, uma vez que é possível, e na verdade altamente provável, que as
pessoas capazes e boas que se retirem da sociedade sejam substituídas por
outras venais e ignorantes». (Boorstin, 1997: 112)
Ora não tenho a mínima dúvida de
que em Portugal muita gente boa e capaz se furta a cargos públicos, que não
encara decerto como um dever cívico e não quer sujeitar-se àquilo. Só assim se
explica a abundância de gente venal sentada nas cadeiras da Assembleia.
Dito isto, diga-se no entanto que
na Venezuela se assiste a uma tragédia – a governação de Maduro e seus apaniguados.
A boa gente daquele país já vota com os pés e parte em demanda de outras paragens.
Fazem bem, pois se pegassem em armas seria um banho de sangue. Os ditadores,
tudo fazem para se manter no poder, nem que seja à custa da vida dos seus
concidadãos. Veja-se o que fez Assad na Síria. Na Venezuela só um golpe militar
à 25 de Abril poderia resolver a situação
trágica em que aquele Estado se encontra pois é muito improvável que Maduro se
afaste, abrindo as portas à democracia.
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Referência
Daniel Boorstin, Os Americanos: A Experiência Colonial, Gradiva, 1997.
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terça-feira, setembro 04, 2018
Deus é um triângulo
Montesquieu
citado por Steven Pinker, Enlightenment Now! The Case for Reason Science Humanism and Progress, Penguin,
2018.
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segunda-feira, setembro 03, 2018
A erosão da democracia na América
“A democracia na América está a erodir-se a si mesma. Donald Trump foi
eleito presidente com 26,3% dos eleitores. Hillary Clinton ganhou com 26,5%,
mas perdeu o colégio eleitoral. Contudo há aqui um número mais relevante:
aproximadamente 45% dos eleitores americanos não votou. Alguns não apareceram
para votar por sentirem que o seu voto representaria uma gota no oceano, e
alguns residiam nos estados onde o resultado não estaria em dúvida. Outros
sentiram que nenhum dos candidatos poderia ou deveria fazer as coisas melhor.
Mas muitos destes mais de 100 milhões de americanos eleitores não acreditavam
que o resultado interessasse. Apenas 36,4% destes eleitores votaram nas
eleições intermédias para o Congresso, em 2014.”
Ian Bremmer, Us vs. Them: The Failure of Globalism,
Portfolio/Penguin, 2018, pp. 162-163.
(tradução nossa)
Aproximam-se novamente as
eleições intermédias para o Congresso. Será este ano, em Novembro. Veremos então
se se confirma esta tese da erosão da democracia na América.
Mas Bremmer prossegue no seu
diagnóstico negro em relação à evolução da democracia na América:
“Está a tornar-se pior. De acordo com um estudo publicado no The Journal
of Democracy, a proporção de jovens
americanos que considera ser importante viver num país democrático caiu dos 91%
nos anos 30 para 57% hoje. Menos de um em três jovens americanos refere que é
importante viver em democracia. Em 1995, apenas um em dezasseis americanos
concordavam que seria “bom” ou “muito bom” ter um regime militar nos Estados
Unidos. Em 2016, eram um em seis.”
Ian Bremmer, Us vs. Them: The Failure of Globalism,
Portfolio/Penguin, 2018, p. 163.
(tradução nossa)
Sócrates, o filósofo, dizia que a
tirania surge da democracia*, quando esta se afoga nos excessos da liberdade.
Será que estamos a assistir a um processo desses nos E.U.A.?
___________________________________________
(*) “Acaso não é mais ou menos do
mesmo modo que a democracia se forma a partir da oligarquia, que a tirania
surge da democracia?” in Platão, A República,
9ª ed., FCG. 2001. Pág. 392.
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Uma não notícia
![]() |
| "Notícia": Cão morde homem. |
Pasmo. Qual é a novidade?
Quando o Estado Islâmico deixar de preparar atentados na Europa, isso sim será notícia.
Nada de novo portanto.
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quinta-feira, agosto 30, 2018
Walter Mittelholzer (1894-1937)
Walter Mittelholzer im Landesmuseum Zürich!
Walter Mittelholzer, Zürich, Hauptbahnhof, Landesmuseum, Limmat,1919
Walter Mittelholzer foi um dos pioneiros da fotografia aérea, tendo sobrevoado terras nunca dantes sobrevoadas.
Outras fotografias podem ser vistas aqui e no Landesmuseum (Zurique), até 10 de Outubro.
Walter Mittelholzer, Zürich, Hauptbahnhof, Landesmuseum, Limmat,1919
Walter Mittelholzer foi um dos pioneiros da fotografia aérea, tendo sobrevoado terras nunca dantes sobrevoadas.
Outras fotografias podem ser vistas aqui e no Landesmuseum (Zurique), até 10 de Outubro.
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terça-feira, agosto 28, 2018
"Eles"
![]() |
| Cristãos coptas, Egipto |
Ian Bremmer, Us vs. Them: The Failure of Globalism, Portfolio/Penguin, 2018, p. 50.
(tradução nossa)
(tradução nossa)
sexta-feira, agosto 17, 2018
Capitaloceno?!
"É muito importante politizar o conceito de
Antropoceno. Uma forma de politização é a que se verifica quando se defende que
esse conceito deve ser substituído por Capitaloceno."
Frédéric Neyrat
(Entrevistado por António Guerreiro, no Público)
Infelizmente os desastres
ecológicos ou a sexta extinção de massa não tiveram início com a ascensão do
capitalismo. Se assim fosse seria fácil resolver o problema: bastaria mudar de sistema
económico.
![]() |
| Maoris "capitalistas", caçando moas na Nova Zelândia |
É certo que o capitalismo,
predatório por natureza, acelerou a degradação dos recursos naturais e dos
ecossistemas, assim como a extinção de espécies. Contudo tais processos, por um
lado, tiveram início muito antes de o capitalismo dominar o planeta e, por
outro, verificaram-se também sob o domínio de outros sistemas económicos. Se não,
então como explicar desastres ecológicos como o desaparecimento do mar de Aral,
a tragédia de Tchernobil ou a desflorestação da Europa Oriental, num tempo e
num espaço dominado por regimes comunistas avessos ao capitalismo? Como explicar
a extinção da megafauna da Nova Zelândia à chegada dos primeiros seres humanos,
cerca de 1000 d.C. (Diamond, 2002: 56) ou a desflorestação da ilha de Páscoa?
Tais ilhas não foram inicialmente colonizadas por capitalistas.
Não, não é o capitalismo. É o Homem.
Antropocénico (ou Antropoceno) é
o termo correcto.
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Referências
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Antropoceno
quinta-feira, agosto 16, 2018
Respeito
![]() |
| Aretha Franklin (1942-2018) |
Qual tolerância?! Respeito!
(E não o “respeitinho” que alguns jocosamente proferem, tentando ridicularizá-lo, alérgicos
a toda e qualquer forma de autoridade, que confundem com autoritarismo).
Respeito principalmente para com as mulheres e as crianças.
Respeito para com todos os dignos de respeito: quase a humanidade inteira.
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Partidas
quinta-feira, julho 05, 2018
Ironias da História II
“É triste e revoltante constatar, que cerca de seis séculos depois de os
filhos de África terem sido levados em condições degradantes nos navios
negreiros para as Américas onde, na condição de escravos, contribuíram para o
florescimento de grandes economias, hoje a saga se repete, embora numa
conjuntura diferente.”
Presidente de Angola, João
Lourenço, Discurso no Parlamento Europeu
(04/07/2018)
A escravatura continua a existir, embora numa conjuntura diferente. Já o
tínhamos referido aqui.
***
O Presidente João Lourenço sabe do que a África precisa para superar a crise estrutural e crónica de
que padece: investimento directo estrangeiro gerador de emprego, um plano
Marshall. Numa palavra: desenvolvimento. No entanto está consciente de que tal
desígnio só se atinge a médio ou a longo prazo, facto que não se compadece com a
necessidade de atacar no curto prazo os problemas humanitários que grassam no
continente e que se assomam às nossas portas.
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João Lourenço
domingo, junho 10, 2018
quinta-feira, junho 07, 2018
O ciúme
O ciúme é uma adaptação evolutiva.
Resumidamente, isto explica não só os milhões de triângulos
amorosos e os milhares de milhões de lágrimas derramadas por eles ao longo da
História humana, mas também muita da literatura mundial. Apesar de Tolstoi
insistir que cada família infeliz é infeliz à sua maneira, parece-me que, na
verdade, existem apenas três tipos de armas nestas batalhas. A primeira é a vergonha (ou, mais friamente, o preço
da reputação): vejam, diz ao mundo o parceiro traído, o que o canalha/a cabra
fez depois de tudo o que eu fiz por ele/ela. Uma segunda ferramenta é a violência, com que os maridos estão
mais bem equipados para a exercer sobre as mulheres, embora uma mulher
desprezada possa ser capaz de pedir a um homem seu familiar que desfaça o
patife do seu marido deixando-lhe só um fôlego de vida, ou um marido enganado pode
atacar a adúltera. E por fim, temos a economia:
se um dos parceiros domina os recursos vitais, está numa posição forte para
regatear sexo.
Ian Morris, Caçadores, Camponeses e Combustíveis Fósseis, Bertrand Editora, 2017, pp. 317-318
***
O ciúme é uma arma de destruição maciça.
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domingo, maio 27, 2018
A primeira grande distopia para a era da modernidade líquida
A Possibilidade de Uma Ilha, de Houellebecq é a primeira grande distopia, até agora sem rival, destinada e feita sob medida para a era da modernidade líquida, desregulamentada, obcecada pelo consumo e individualizada.
Zygmunt Bauman
in Bauman, Zygmunt; Donskis,
Leonidas, Cegueira Moral, Relógio
D’Água, 2013, pág. 253.
***
A palavra de Bauman levou-me a procurar o dito livro. Foi agora publicado pela Alfaguara. Entre os alfarrabistas da Feira do Livro, nenhum tinha a antiga edição da Dom Quixote que esperava adquirir por um preço módico. Rendido, trouxe a da Alfaguara.
De Houellebecq já lera, em tempo recorde, Submissão. Iniciada logo depois a leitura do Mapa
e o Território, foi parada a meio. Houellebecq
é um grosseiro provocador. O que pensar daquele que caracteriza uma mulher feia
em idade de menopausa, jocosamente, como sendo uma “vagina inexplorada”? Bastou.
Nos seus livros tropeçamos por aqui e por ali em má-criação, baixezas obscenas
e pornografia grosseira, em muito mais do que apenas “vergonhas” à mostra. Tentativas
de provocação a quem se deixa provocar, pois claro. Procurar escandalizar: uma trivial estratégia
adoptada por escritores que se querem fazer notar, nobéis e tudo. E quando pega resulta. Ainda assim os
romances de Houellebecq não deixam de tocar em coisas elevadas.
No futuro, quando as artes destes
tempos, entre as quais a literatura, forem enquadradas num determinado
movimento literário artístico bem definido como agora são, por exemplo, as obras do
Romantismo ou do Realismo, uma das características que por certo as cunhará
será essa perda de referência entre o que é elevado e o que é baixo, entre as
grandezas e as baixezas. Hoje tudo é colocado no mesmo plano e no mesmo saco. As
grandezas e as baixezas são despudoradamente reveladas ao mesmo nível. Mas foram as baixezas que ganharam relevância, tendo sido içadas à altura das grandezas. Uma obra como a de Houellebecq seria impensável nos tempos
queirosianos, por exemplo. Na obra de Houellebecq
não há “mantos diáfanos da fantasia”. Ali não há fantasia nem mantos.
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Michel Houellebecq
quinta-feira, dezembro 28, 2017
sábado, dezembro 23, 2017
Os Despojos do Dia
Há quem viva só para as
mordomias, para agradar ao patrão. Há quem viva só para o trabalho, perseguindo
elevados padrões de profissionalismo, e apenas isso. Na realidade quem assim
vive não vive nem atenta na vida que lhe passa ao lado.
***
Lido em tempos numa folha afixada
nas paredes de uma reprografia: “Lembra-se daquela formiguinha que trabalha,
trabalhava, trabalhava, só para agradar ao patrão? Teve um ataque cardíaco e
morreu.”
***
Stevens, o personagem principal, não teve um ataque cardíaco
nem morreu. Não chegou a uma idade suficientemente tardia para morrer a
trabalhar, como o pai. Pura e simplesmente Stevens não amou.
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Livros
Aos nutricionistas...
...deviam dar-lhes o tratamento que dão ao bardo do Astérix em dias de festa. Nesses dias o bardo é atado a uma árvore e amordaçado para que não incomode com o seu canto.
sexta-feira, dezembro 22, 2017
A memória
A memória chega-nos de fora. Ela vem do Outro. (...)...na realidade são os outros que dão testemunho de nós ao mundo. A memória que nos livra de não ser vem de outra parte. Ela não vive aqui, mas noutro lugar.
Leonidas Donskis
in Zygmunt Bauman, Leonidas Donskis, Cegueira Moral, Relógio D'Água, 2016, pág. 158.
***
A existência pode estar para além da memória. Podemos ser sem que ninguém nos lembre, sem que ninguém se lembre. Ser, é ser lembrado? Não. Existimos (ponto final). Vivemos. E quando já nada houver para nos lembrar ou ser lembrado, ainda assim, teremos vivido.
Não acreditais? Lede então o Discurso de César às Legiões.
...quando
tudo se suma num longo silêncio, e não haja um só
sinal para decifrar, TEREI VIVIDO.
...quando
tudo se suma num longo silêncio, e não haja um só
sinal para decifrar, TEREI VIVIDO.
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Pensamentos
sábado, novembro 25, 2017
Um poema de Alberto Pereira
Beijos calibre 6,35.
Foi assim que encostaste
o aço ao meu nome.
Guardo ainda num revólver
algumas árvores e pássaros,
o arrependimento de Raskólnikov
e as sinfonias de Stravinsky.
É já tempo de matar a eternidade.
Tenho a mais bela pólvora do mundo.
(Poema de Alberto Pereira, Viagem à Demência dos Pássaros, Glaciar, 2017)
***
Abri o livro e deparei com este poema. Fechei o livro e o poema perseguia-me na contracapa.
Bela pólvora a de Alberto Pereira: árvores, pássaros, o arrependimento de Raskólnikov e as sinfonias de Stravinsky. A mais bela pólvora do mundo.
sexta-feira, novembro 24, 2017
Pedro Rolo Duarte (1964-2017)
De Pedro Rolo Duarte pouco
conhecia, para além da sua imagem, da sua voz e simpatia, as escolhas musicais num
programa da Antena 1 chamado Hotel Babilónia,
ao lado de João Gobern, e ainda o seu blogue. Nem sempre concordava com as
suas opiniões, nem com os seus gostos musicais, mas partilhava da sua
embirração com os que conduzem com um braço de fora ou com o cotovelo apoiado
na janela do automóvel. Era uma voz familiar. A sua morte foi inesperada. Era
um homem novo. Lamento a sua perda.terça-feira, novembro 14, 2017
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